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Modelo SEA: a visão socioeconômica e ambiental que é a evolução do ESG nas empresas

Por Laura Salles, fundadora e CEO da PlurieBR

O conceito de sucesso nos negócios evoluiu significativamente nos últimos anos. Historicamente, a maximização do lucro e a otimização de custos eram as prioridades centrais das empresas, frequentemente desvinculadas de considerações sociais e ambientais. Hoje, o mercado reconhece que esse modelo é limitado. 

Os avanços em sustentabilidade revelam uma oportunidade transformadora: integrar os pilares social, ambiental e econômico em uma estratégia coerente. Quando as empresas compreendem que rentabilidade e impacto positivo não são excludentes (mas sim

complementares), conseguem gerar valor duradouro e construir um negócio saudável. Essa é a verdadeira agenda de sucesso que o mercado atual demanda. 

Essa mudança na maneira de ver os negócios ganhou força com a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), que transformou a responsabilidade socioambiental em um pilar estratégico. Vale ressaltar que o ESG não é o primeiro nome dado a essas práticas. O movimento é cíclico e já recebeu outras denominações ao longo dos anos, mostrando a importância da evolução contínua no pensamento empresarial. 

O ESG, por exemplo, foi um passo importante para as empresas considerarem riscos e oportunidades mais amplos. No entanto, para que uma organização vá além da conformidade legal (compliance) e alcance uma verdadeira sustentabilidade de longo prazo, é essencial adotarmos uma visão ainda mais completa e integrada: a Sustentabilidade Socioeconômica e Ambiental (SEA). 

A abordagem SEA representa a evolução deste pensamento, pois reconhece que a saúde e a estabilidade de uma empresa dependem diretamente dos ecossistemas humano e natural onde ela atua. O modelo SEA propõe a integração profunda entre bem-estar humano, prosperidade econômica e responsabilidade ambiental. Integrar as dimensões Socioeconômica (que une o Social e o Econômico) e a Ambiental no centro do planejamento estratégico não é um diferencial opcional, mas sim a nova base para a competitividade e a relevância no mercado global. 

Hoje, um dos maiores defensores da abordagem SEA é Jorge Pinheiro Machado, presidente do R20 (Regions of Climate Action). Na visão dele, “no mundo contemporâneo e futuro, não existirá desenvolvimento que não esteja dentro das regras da sustentabilidade”. E, para alcançarmos este modelo, é fundamental que as ações da sociedade, dos governos e das empresas contemplem o equilíbrio socioeconômico-ambiental. Para o especialista, sem esse tripé, não há sustentabilidade e, sem sustentabilidade, não há desenvolvimento. 

O valor inegociável do capital humano 

A dimensão Socioeconômica do SEA estabelece uma ponte direta entre a prosperidade financeira, o bem-estar da sociedade e a saúde e o desenvolvimento do capital humano. Isso

envolve garantir a equidade, a inclusão social e o desenvolvimento de comunidades, além de buscar o crescimento econômico e a eficiência na produção e distribuição de riqueza. 

Nesse contexto, a saúde mental dos colaboradores surge como um indicador socioeconômico de urgência inquestionável. Tratar o bem-estar psicológico como um benefício opcional ou uma iniciativa pontual de marketing é uma fragilidade que custa caro. A crise de saúde mental no trabalho é uma epidemia que afeta diretamente a produtividade e a competitividade nos negócios. 

No ambiente empresarial, o improviso não se sustenta. O aumento acelerado de afastamentos por questões psicossociais reforça como o ambiente de trabalho pode ser responsável pela geração de estresse, ansiedade e burnout. A verdadeira prevenção de adoecimentos exige um diagnóstico preciso e estruturado dos fatores de risco dentro de cada cultura organizacional. 

Na PlurieBR, por exemplo, costumo dizer que a chave é a inteligência de dados: o discurso de que ‘cuidamos das pessoas’ não se sustenta sem métricas robustas. Essa abordagem vai além de uma simples pesquisa de clima. É um trabalho que demanda a coleta de dados qualitativos e quantitativos sobre bem-estar, carga de trabalho, relações interpessoais e senso de pertencimento, entre outras ações. 

Integrando a dimensão ambiental 

A dimensão Ambiental do SEA foca na conservação dos recursos naturais, na proteção do meio ambiente, na biodiversidade, na gestão de resíduos e poluição, e na mitigação das mudanças climáticas. 

Uma empresa que adota o SEA reconhece que a responsabilidade ambiental está interligada à sua saúde econômica. Boas práticas ambientais, como a redução do consumo de energia e a gestão eficiente de resíduos, frequentemente resultam em otimização de custos e maior eficiência operacional, o que se traduz em crescimento econômico sustentável. 

Além disso, a transparência e a responsabilidade ecológica impactam diretamente a reputação da marca e a atração de talentos, elementos cruciais do pilar socioeconômico. O investimento em sustentabilidade, em todas seus aspectos, demonstra um compromisso real que impacta a

atração e retenção de talentos. A vantagem competitiva de amanhã será a de quem investiu em seu capital humano hoje. 

O roteiro para a ação: estrutura e liderança genuína 

Avançar no caminho do SEA exige um esforço que transcende boas intenções: demanda conhecimento, investimento em tecnologia e, sobretudo, uma profunda mudança cultural. 

Na PlurieBR, por exemplo, realizamos a mensuração de índices relacionados à cultura, inclusão e segurança psicológica da liderança. Esses indicadores podem ser cruzados estrategicamente para compreender como a liderança percebe a cultura inclusiva e sustentável, correlacionando-os com o clima organizacional e outros fatores críticos para o engajamento. 

Para que as empresas implementem essa abordagem, é fundamental começar com diagnósticos robustos que integrem múltiplas perspectivas e não apenas métricas quantitativas, mas também feedback qualitativo dos colaboradores. Metodologias como as que utilizamos mostram que o cruzamento desses dados revela lacunas importantes entre a percepção da liderança e a vivência dos times, permitindo ações mais precisas e efetivas para fortalecer uma cultura verdadeiramente inclusiva e sustentável. 

O investimento em dados, tecnologia e, principalmente, na escuta ativa das pessoas é o que irá diferenciar os negócios que performam de forma excepcional dos que simplesmente cumprem o mínimo. A postura das lideranças e gestores deve falar uma linguagem única e humanizada. 

Avançar no caminho do SEA significa construir um negócio sólido, baseado em respeito e confiança mútua, que gera benefícios a longo prazo para todas as pessoas. Ao investir em bem-estar psicológico, a empresa não só cumpre sua responsabilidade, mas também colhe os frutos de um time mais engajado, criativo e produtivo. Em um mercado de constante evolução, o compromisso genuíno e mensurável com o bem-estar é o caminho inevitável para o sucesso duradouro das empresas.

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