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Consultoria especializada faz apostas para novo ciclo do setor têxtil em 2026

Reforma tributária, comunicação transparente e valorização da mão de obra aparecem entre os principais desafios e oportunidades

O setor de confecção brasileiro vive um momento de transição marcado pela automação, pela inteligência artificial e por mudanças profundas no comportamento do consumidor. A partir de 2026, essas transformações devem se intensificar, exigindo das marcas uma revisão de seus modelos de gestão, comunicação e posicionamento.

De acordo com Eduardo Cristian, fundador da Costurando Sucesso — empresa especializada em gestão do conhecimento e consultoria para negócios de confecção — o futuro da moda no país dependerá da capacidade das empresas de equilibrar eficiência produtiva com fortalecimento de marca. “Modelos baseados apenas em volume e sem propósito tendem a perder relevância. O futuro será de quem tem processos estruturados, identidade clara e conexão com o consumidor”, afirma.

O perfil do público também se transforma. O consumidor de moda já não busca apenas preço ou estilo, mas deseja se identificar com a marca, sentir pertencimento e enxergar propósito. Para acompanhar esse movimento, Cristian defende que as confecções invistam em comunicação emocional e em modelos de negócio sustentados por relacionamento contínuo. “Quem vende só produto e preço perderá espaço. Conexão é o que garante margem e fidelidade”, reforça.

Entre os pontos destacados pelo consultor, a comunicação transparente surge como diferencial competitivo, especialmente em temas como sustentabilidade e produção sob demanda. A consolidação do omnichannel, por sua vez, exige consistência na presença em múltiplos canais e equipes internas preparadas para manter a essência da marca. A valorização da mão de obra também ganha protagonismo, com práticas de gestão de pessoas e adoção genuína de princípios ESG se tornando determinantes para reputação e competitividade.

Cristian aponta ainda a hipersegmentação como estratégia de crescimento em um país diverso, onde marcas generalistas tendem a perder força. Narrativas fortes e bem construídas sobre matéria-prima, tecnologia e propósito podem impulsionar categorias de produto e agregar valor, como já ocorreu com as chamadas “tech t-shirts”. A visão internacional de mercado é outro fator considerado essencial, permitindo às empresas acompanhar tendências globais e adotar melhores práticas de gestão.

Além desses aspectos, o setor terá de lidar com os impactos da Reforma Tributária, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2026. A recomendação é que as empresas acompanhem de perto a regulamentação e as normas complementares, buscando apoio técnico de entidades representativas e consultorias especializadas para garantir adaptação adequada às novas exigências.

Com esse conjunto de desafios e oportunidades, o setor têxtil brasileiro se prepara para um ciclo de mudanças que promete redefinir não apenas a forma de produzir, mas também de se relacionar com o consumidor e com o mercado global.

Panorama Geral do Setor em 2025

Em 2025, o setor têxtil e de confecção brasileiro registrou crescimento moderado, com avanço estimado de 1,2% na produção, faturamento de R$ 221 bilhões e geração de mais de 1,3 milhão de empregos diretos, consolidando-se como a quinta maior indústria têxtil do mundo.

Produção e Crescimento

  • Produção nacional: crescimento de 1,2% em relação a 2024.
  • Segmento têxtil: alta de 1,4%.
  • Segmento de vestuário: expansão de 1%.
  • O desempenho foi impulsionado por investimentos em maquinário, automação e tecnologia, buscando maior eficiência e competitividade.

Estrutura e Emprego

  • Faturamento total: cerca de R$ 221 bilhões.
  • Empresas ativas: aproximadamente 25,5 mil com mais de cinco empregados.
  • Empregos diretos: 1,31 milhão, além de milhões de postos indiretos.
  • Remunerações: R$ 39,1 bilhões pagos em salários.
  • O setor continua sendo um dos maiores empregadores da indústria nacional.

Comércio Exterior

  • Exportações: US$ 908 milhões.
  • Importações: US$ 6,6 bilhões.
  • Saldo da balança comercial: déficit de US$ 5,7 bilhões, refletindo a forte dependência de insumos e produtos importados.
  • Apesar do déficit, houve redução no ritmo de crescimento das importações, que passaram de 20,8% em 2024 para cerca de 5% em 2025.

Competitividade e Estratégias

  • O Brasil se mantém como único país do Ocidente com produção completa em todos os elos da cadeia têxtil, desde fibras até confecção.

  • Principais desafios:
    • Reforma tributária prevista para 2026.
    • Necessidade de maior integração tecnológica e digitalização.
    • Pressão por práticas sustentáveis e alinhamento a princípios ESG.

  • Oportunidades:
    • Expansão de nichos especializados (hipersegmentação).
    • Investimento em storytelling e comunicação transparente.
    • Adoção de omnichannel e estratégias de internacionalização.

Em 2025, o setor têxtil brasileiro mostrou resiliência e crescimento moderado, sustentado por investimentos em automação e pela busca de maior competitividade global. Apesar do déficit comercial e dos desafios estruturais, o setor manteve relevância econômica e social, preparando-se para um ciclo de mudanças mais intensas em 2026, com a entrada em vigor da reforma tributária e a consolidação de novas tendências de consumo.

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