Em tempos voláteis, complexos e cada mais incertos, a vantagem competitiva das empresas é cada vez mais transitória e efêmera, ou seja, difícil de sustentar no longo prazo. Isso não chega a ser grande novidade, afinal cada vez esse conceito tem sido entendido e difundido no mundo empresarial.
Mas a questão fundamental continua sendo: como se reinventar, se adaptar e construir essa vantagem? A inovação é sempre o caminho.
Vejo muita inovação no empreendedorismo, na pesquisa acadêmica e ecossistema de venture capital, onde a invenção aplicada e adaptada aos negócios vira inovação através de valor criado para clientes.
Mas e o conselho de administração ou consultivo fala sobre nova economia e venture capital? Como tem acesso a novas tecnologias para o seu negócio? Como monitora concorrentes e novos entrantes?
Nos dias de hoje não tem como um time de conselho eficiente não ter conselheiros que conheçam essa indústria de financiamento a inovação e que sejam conhecedores do ecossistema.
E como seria o papel destes conselheiros?
O conselho deixou de ser apenas um órgão de controle para se tornar um espaço de estratégia, inovação e transformação. O conhecimento sobre venture capital ajuda o conselheiro a compreender como investidores de risco:
- Avaliam negócios e riscos,
- Estruturam participações,
- E impulsionam o crescimento exponencial das empresas.
Mesmo empresas familiares e tradicionais estão sendo desafiadas a pensar como startups — adotando práticas ágeis e novas formas de capitalizar o crescimento.
E nos conselhos consultivos?
Empresas em fase de expansão costumam criar conselhos consultivos para buscar orientação estratégica e conexões com investidores.
Um conselheiro que entende venture capital pode ser fundamental no apoio para:
- Preparar a empresa para captar investimentos;
- Negociar com fundos e interpretar cláusulas contratuais (valuation, diluição, preferência de liquidez);
- Apoiar a estruturação de governança e captable;
- Conectar o negócio a potenciais investidores e parceiros estratégicos.
Ele não precisa ser um investidor profissional — mas precisa “falar a língua do capital”.
E quando a atuação for nos conselhos de administração?
Em empresas com conselho de administração, especialmente quando há fundos no capital, esse conhecimento é essencial. Esses conselhos lidam com temas como: Estrutura de governança e direitos de voto; Cláusulas contratuais típicas de VC (drag along, tag along, liquidation preference); métricas financeiras típicas de startups (burn rate, runway, valuation); Relações com investidores institucionais e stakeholders.
Um conselheiro que compreende o ecossistema de venture capital consegue equilibrar interesses entre fundadores, investidores e executivos, fortalecendo a visão de longo prazo.
Entender venture capital não é só uma questão técnica — é uma vantagem competitiva. Esse conhecimento amplia a capacidade de tomar decisões com base em dados e métricas de crescimento, avaliar riscos e oportunidades de forma mais precisa, entender o novo fluxo global de capital e inovação e construir uma governança moderna e atrativa para investidores.
A fronteira entre empresas tradicionais e empresas de alto crescimento está desaparecendo.
Na minha visão, os conselheiros que entendem o mundo do venture capital estão mais bem preparados para conectar inovação, estratégia e governança e guiar as empresas no próximo ciclo de transformação. Ou seja, esse conhecimento em startups e da nova economia é muito importante para os conselhos das empresas do futuro, sejam elas de capital fechado, de origem familiar ou até as de capital aberto.
Conselheiros que já investiram, empreenderam e já correram risco com o próprio capital falam de igual para igual com os melhores empreendedores do mercado. Pense nisso!