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Educação empreendedora faz diferença na formação da nova geração de líderes

Paulo Motta também lidera a holding The Networkers, com centralização em frentes de negócios em agenciamento artístico, inteligência comercial, experiências de alto padrão e networking corporativo
Por Paulo Motta, empresário, investidor e especialista em gestão de ativos com trajetória marcada por visão estratégica e capacidade de execução. Sócio da IMvester, atua na estruturação e operação de investimentos imobiliários com presença no Brasil, Portugal e Estados Unidos

Quem acompanha de perto o ecossistema de negócios no Brasil percebe um padrão que se repete: empreendemos muito, mas com pouco preparo. O país figura entre os líderes globais em intenção de empreender, mas também registra altas taxas de mortalidade de empresas nos primeiros anos de operação. Essa contradição não é casual. Ela começa na forma como educamos nossas crianças e jovens para lidar com o mundo do trabalho e da criação de valor.

O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostra que o Brasil está entre os países com maior taxa de atividade empreendedora do mundo, com mais de 30% da população adulta envolvida em algum tipo de negócio. O dado impressiona, mas esconde um problema estrutural: muitos iniciam negócios sem formação em gestão, sem base financeira e sem visão estratégica de crescimento. Ainda empreendemos muito por necessidade e pouco por oportunidade estruturada, o que impacta diretamente a taxa de sobrevivência das empresas nos primeiros anos de operação, como apontam levantamentos recorrentes do Sebrae.

Na prática, esse desalinhamento começa cedo, no modelo educacional brasileiro, ainda orientado para formar profissionais que buscam vagas em empresas e não para formar pessoas capazes de criar soluções, negócios e projetos próprios. Empreender segue sendo tratado como exceção, quando deveria ser apresentado como uma possibilidade concreta de carreira desde a formação básica.

Quando falo em educação empreendedora, não me refiro apenas a ensinar alguém a abrir uma empresa. Refiro-me ao desenvolvimento de competências que fazem diferença em qualquer ambiente competitivo: capacidade de resolver problemas reais, tomar decisões em contextos de incerteza, lidar com riscos, liderar equipes, aprender continuamente e transformar ideias em projetos viáveis. Vejo, com frequência, jovens com excelente formação técnica, mas inseguros para assumir responsabilidades, tomar decisões e estruturar caminhos próprios.

Experiências internacionais indicam que sistemas educacionais que incorporam o empreendedorismo de forma estruturada tendem a formar cidadãos mais inovadores. Países como Finlândia, Estônia e Israel adotaram, em diferentes níveis, metodologias que estimulam projetos práticos, pensamento crítico e contato precoce com inovação, tecnologia e negócios. Esses ambientes criaram ecossistemas mais dinâmicos de empresas inovadoras e maior densidade de iniciativas escaláveis.

No Brasil, há iniciativas relevantes, como programas voltados para jovens e projetos de educação empreendedora em escolas e universidades, com resultados positivos quando bem implementados. O problema é a falta de crescimento e continuidade. Ainda tratamos o tema como projeto pontual, quando ele deveria ser parte da estratégia de desenvolvimento do país.

Outro desafio recorrente é o distanciamento entre o discurso e a realidade do empreendedorismo. Muitos jovens consomem narrativas de sucesso, mas não têm contato estruturado com o cotidiano real de quem constrói um negócio no Brasil, com suas complexidades tributárias, regulatórias e de acesso a capital. Esse choque de realidade gera frustração e abandono precoce de projetos promissores.

Formar a nova geração de empreendedores exige aproximar escola, mercado e ecossistema de negócios. Empresas, investidores, entidades setoriais e lideranças precisam participar mais ativamente da construção de currículos, da oferta de mentorias e do compartilhamento de experiências reais. Educação empreendedora não se constrói apenas em sala de aula. Ela se consolida no contato com problemas concretos, projetos reais e ambientes de experimentação.

O futuro da competitividade brasileira passa pela capacidade de formar pessoas que saibam criar valor em ambientes complexos e em transformação constante. Investir em educação empreendedora é apostar em crescimento econômico de longo prazo, inovação e desenvolvimento social. A nova geração precisa de visão, repertório e ferramentas para construir o próprio caminho e, com isso, ajudar a construir um Brasil mais competitivo.

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