Em 2025, as relações entre Brasil e Alemanha ganharam novo impulso com a visita oficial do chanceler Friedrich Merz a Brasília em junho, seguida por uma série de acordos de cooperação em infraestrutura, energia renovável e defesa. O Brasil, com sua estabilidade política e potencial de crescimento, tornou-se um destino estratégico para empresas alemãs que buscam diversificar seus mercados diante da estagnação doméstica.
Empresas como Siemens, BASF e Volkswagen anunciaram novos investimentos em território brasileiro, com destaque para projetos em mobilidade elétrica, digitalização industrial e produção sustentável. A Câmara de Comércio Brasil-Alemanha estima que os investimentos diretos alemães no Brasil devem ultrapassar €6 bilhões em 2025, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior.
Investimentos alemães no Brasil: destaques de 2025
- Volkswagen: expansão da fábrica em São Bernardo do Campo com foco em veículos híbridos
- Siemens Energy: parceria com empresas brasileiras para projetos de hidrogênio verde no Nordeste
- BASF: nova planta de insumos agrícolas em Goiás com tecnologia de baixo carbono
- SAP: centro de inovação em São Paulo voltado para soluções em IA e big data
Cooperação política e estratégica
Além dos investimentos privados, os governos de Brasil e Alemanha firmaram acordos em áreas como defesa, educação técnica e transição energética. A Alemanha se comprometeu a apoiar o Brasil em fóruns multilaterais, incluindo a COP30, e a ampliar o financiamento para projetos de infraestrutura sustentável por meio do KfW (banco de desenvolvimento alemão).
Economia alemã em números: recuperação lenta e desafios internos
Apesar das promessas de reformas e investimentos, a economia alemã segue em ritmo lento, como aponta o relatório da consultoria global Coface, que também possui escritório no Brasil, de novembro de 2025 que a GZM teve acesso:
- Crescimento do PIB: 0,3% em 2025, com projeção de 1,0% em 2026
- Investimentos públicos: €115 bilhões em 2025, com foco em infraestrutura e defesa
- Desempenho industrial: produção manufatureira em queda, com pedidos no menor nível em 15 anos (exceto pandemia)
- Emprego militar: abaixo da meta oficial, dificultando o uso pleno do orçamento de defesa
- Sentimento empresarial: melhora nas expectativas, mas sem reflexo na atividade atual
A recuperação esperada para 2026 depende, em parte, de fatores técnicos como o efeito calendário — mais dias úteis devido ao posicionamento dos feriados — que deve adicionar 0,3 ponto percentual ao PIB.
Perspectivas
Enquanto a Alemanha enfrenta obstáculos internos para retomar o crescimento, o Brasil surge como parceiro estratégico para empresas e políticas alemãs. A complementaridade entre os dois países — tecnologia e capital alemão, recursos e mercado brasileiro — pode ser a chave para uma nova fase de cooperação econômica e política.