Era uma quarta-feira de novembro quando a organização da categoria de corridas Porsche Cup Brasil reuniu a imprensa no autódromo de Interlagos. Ao lado de parceiros estratégicos como Microsoft Brasil, IturanMob e Kumulus, além da própria montadora, a categoria apresentou novidades que prometem não apenas transformar a dinâmica das corridas, mas também abrir caminho para redefinir a própria indústria automobilística.
Para a competição, a categoria anunciou a expansão de seu projeto de inteligência artificial (IA), já utilizado desde 2023 para análise de telemetria em nuvem. A nova fase introduz a ferramenta Crash Analysis, desenvolvida pela Kumulus com suporte da Microsoft e alimentada pela telemetria da IturanMob.
O sistema analisa fotos dos veículos avariados e gera automaticamente uma lista de peças para substituição, com 93% de precisão. Após revisão humana, a ordem de serviço é emitida de forma automática, reduzindo em até 40% o tempo de manutenção.
Segundo Thiago Iacopini, CEO da Kumulus, “projetos como este mostram o verdadeiro papel da IA nas empresas, que é tirar peso das rotinas humanas e devolver valor estratégico. Essa é uma transformação que vai muito além da oficina. Ela muda a relação entre o piloto e a organização, reduz contestação, melhora a transparência e libera tempo para o que realmente importa que é ter o carro pronto para voltar à pista”, destacou.
Telemetria ultrarrápida e segurança dos pilotos
Um dos anúncios mais relevantes foi a atualização da telemetria da IturanMob, que reduziu o intervalo de envio de dados de 3 segundos para apenas 40 milissegundos. Essa evolução permite monitorar não apenas os carros, mas também os pilotos em tempo real, ampliando a segurança da condução.
Já de acordo com Paulo Henrique Andrade, CEO da IturanMob, “na Porsche Cup, cada milissegundo importa e é nesse contexto que nossa tecnologia demonstra sua força, entregando resultados expressivos e ganho real de agilidade e precisão. A telemetria da IturanMob possibilitou a captura de dados vitais de performance dos carros e pilotos, contribuindo diretamente para as estratégias das equipes e para a segurança das provas”.
O executivo ainda destacou que “no último ano, avançamos de forma significativa na estabilidade e precisão dos dados transmitidos em tempo real. Nossa expectativa é que, na próxima temporada, sejam incorporados novos dispositivos e recursos de conectividade ainda mais avançados, elevando a experiência e a performance”.
Impacto direto na competição
Com uma frota de cerca de 80 carros e mais de 200 profissionais atuando em cada fim de semana de corrida, a Porsche Cup Brasil enfrenta desafios operacionais únicos. A automação de inspeções e reparos garante maior disponibilidade da frota e reduz o risco de atrasos que poderiam comprometer treinos e provas.
Para os pilotos, a tecnologia significa maior transparência sobre o status dos veículos, além de mais tempo útil para treinos e preparação.
Inovações das pistas transformam o dia a dia das cidades
O que nasce nas pistas de alta performance, muitas vezes, encontra caminho para os veículos de passeio que circulam nas ruas das cidades. A história da indústria automobilística mostra que tecnologias desenvolvidas para competições acabam se tornando padrão no mercado de consumo.
- Telemetria em tempo real: antes restrita às corridas, hoje já aparece em carros de passeio conectados, permitindo monitoramento remoto de componentes vitais, como pressão dos pneus e consumo de combustível. Essa evolução aumenta a segurança e reduz custos de manutenção.
- Inteligência artificial aplicada à manutenção: sistemas como o Crash Analysis da Porsche Cup Brasil antecipam tendências de oficinas inteligentes, capazes de identificar falhas por meio de imagens e sensores, agilizando reparos em veículos urbanos.
- Sensores de impacto e segurança ativa: tecnologias que analisam aceleração e direção de colisões nas pistas inspiraram sistemas de airbags inteligentes e alertas de colisão em carros de passeio.
- Conectividade IoT: a atualização da telemetria da IturanMob, que reduziu o tempo de resposta para 40 milissegundos, antecipa o futuro dos veículos urbanos conectados a infraestruturas inteligentes, como semáforos e sistemas de tráfego em tempo real.
- Eficiência energética e materiais avançados: componentes leves e resistentes usados em carros de corrida já são aplicados em veículos elétricos e híbridos, contribuindo para maior autonomia e menor emissão de poluentes.
Essas inovações mostram que a fronteira entre pista e cidade está cada vez mais tênue. O que hoje garante competitividade e segurança em corridas pode, em breve, ser parte da rotina de motoristas comuns — transformando a mobilidade urbana em algo mais eficiente, seguro e conectado.
Para Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, “este é um exemplo que reforça a visão estratégica da Microsoft de aplicar inteligência artificial para ampliar a capacidade humana e empresarial, permitindo que todos criem soluções antes impossíveis sem a IA. Com essas inovações, entregamos mais intensidade e emoção à experiência do piloto, ao mesmo tempo em que aprimoramos a eficiência operacional”.
Laham complementou afirmando que “por meio da tecnologia, estamos construindo um ecossistema que conecta eficiência, insights e experiência, possibilitando que a Porsche Cup eleve sua competitividade e mantenha a emoção como protagonista”.
Exemplos globais de inovação automotiva
As novidades da Porsche Cup Brasil dialogam com tendências globais da indústria automotiva. Em 2025, muitas empresas apresentaram no evento CES em Las Vegas inovações como veículos voadores (eVTOLs), sistemas avançados de direção autônoma e integração de inteligência artificial para personalização da experiência do motorista.
Outras tendências incluem:
- Eletrificação e baterias de lítio produzidas em larga escala
- Conectividade inteligente entre veículos e infraestrutura urbana
- Propulsão sustentável e redução de emissões
- Entretenimento imersivo a bordo, com realidade aumentada e integração de dispositivos pessoais
Esses avanços mostram que o setor automotivo caminha para unir sustentabilidade, segurança e experiência digital, em linha com o que a Porsche Cup Brasil já começa a aplicar nas pistas.
O futuro
Os próximos passos do projeto incluem análises preditivas, alertas automáticos e chatbots inteligentes para apoiar equipes e pilotos. Além disso, há planos para aplicar IA na análise de desempenho dos competidores e até no entretenimento dos telespectadores, ampliando o alcance da inovação para além das oficinas e pistas.
No evento em Interlagos, Dener Pires, CEO da Porsche Cup Brasil, destacou que “a inteligência artificial representa um passo estratégico na evolução da Porsche Cup Brasil. Ao tornar as rotinas de preparação mais ágeis e precisas, garantimos disponibilidade total da frota, diminuímos riscos e ampliamos o suporte aos pilotos. Essa transformação eleva nossa credibilidade e a experiência dos competidores, fortalecendo ainda mais a categoria”.
Com tudo isso, a Porsche Cup Brasil quer não apenas acelerar na transformação tecnológica do automobilismo nacional, mas também se posicionar como uma vitrine de tendências que podem redefinir toda a indústria automobilística.
Checklist de como empresas podem usar campos de provas para melhorar seus produtos
As pistas de corrida, arenas esportivas e até festivais culturais funcionam como laboratórios vivos para inovação. Empresas de qualquer segmento podem aproveitar esses ambientes controlados para testar soluções, validar hipóteses e ao mesmo tempo gerar visibilidade de marca. Eis um checklist prático:
- Definir objetivos claros de teste: o que precisa ser validado: desempenho técnico, usabilidade, segurança ou experiência do consumidor.
- Escolher o campo de provas adequado: as corridas automobilísticas servem para testar resistência e performance, enquanto eventos culturais, por exemplo, podem ser úteis para avaliar interação com público e engajamento.
- Criar parcerias estratégicas: trabalhar com organizadores de eventos esportivos ou culturais pode garantir acesso e credibilidade. Por outro lado, associar-se a empresas fornecedoras, como as de tecnologia, pode servir para ampliar capacidade de coleta e análise de dados.
- Usar tecnologia para monitoramento em tempo real: A telemetria, sensores IoT e inteligência artificial podem fornecer insights instantâneos sobre desempenho e comportamento de produtos. Mesmo em testes rápidos e pequenos, os insights podem surgir.
- Transformar testes em experiências promocionais: ações de demonstração durante eventos podem ser ao mesmo tempo validação técnica e campanha de marketing. Um exemplo são as marcas de bebidas, que testam embalagens resistentes em festivais, enquanto promovem degustações.
- Documentar e padronizar resultados: relatórios estruturados ajudam a transformar aprendizados em melhorias concretas para produtos e serviços.
- Planejar evolução contínua: usar os dados coletados para alimentar ciclos de inovação, ajustando produtos antes de lançamentos em larga escala.
Essa abordagem mostra que campos de provas não são exclusivos do automobilismo: qualquer empresa pode criar ou aproveitar ambientes controlados para testar soluções, ganhar eficiência e ainda fortalecer sua marca junto ao público.
Cobriram o evento pela GZM os enviados Erick Osório e Raphael Alcântara, especialistas do setor automobilístico. Ambos são capitães de equipes de Fórmula Baja.