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Conscientização digital é o novo firewall na Black Friday

Por Glauco Sampaio, CEO e cofundador da BeePhish, empresa brasileira especializada em conscientização em segurança da informação

A Black Friday chega à sua 15ª edição no Brasil e, junto com as promoções e o entusiasmo pelas compras, traz também um aumento expressivo nos golpes virtuais. Segundo dados publicados em 2024 pela Visa, empresa multinacional de tecnologia de pagamentos, o phishing segue como uma das principais ameaças desse período, impulsionado pela combinação entre engenharia social e o uso de inteligência artificial. 

Essa técnica, usada de forma consistente por cibercriminosos em todo o mundo, tem se tornado cada vez mais sofisticada. O golpe se disfarça em mensagens que imitam comunicações legítimas de lojas conhecidas, levando o usuário a clicar em links falsos e compartilhar informações pessoais. Com isso, criminosos conseguem capturar dados bancários e aplicar fraudes, como clonagem de cartões ou falsidade ideológica.

Entre os golpes mais comuns estão os falsos avisos de pedido, em que o consumidor recebe e-mails ou mensagens sobre supostos problemas em compras que muitas vezes nem realizou. O usuário é orientado a clicar em um link para “corrigir” ou “cancelar” a transação, e, ao fazer isso, suas informações confidenciais são coletadas por golpistas. Em alguns casos, há ainda o envio de anexos maliciosos que instalam malwares no dispositivo.

Outra ameaça crescente é o spoofing, que envolve a criação de sites falsos quase idênticos aos originais. Pequenas alterações em logos, cores ou endereços de URL passam despercebidas na correria das promoções, resultando em perdas financeiras e roubo de dados. 

Os números reforçam o alerta. De acordo com levantamento da Branddi, empresa especializada em proteção de marcas no ambiente digital, 82% dos consumidores já se depararam com tentativas de golpe online. Entre eles, 25% identificaram campanhas falsas que imitavam lojas oficiais, e 37,4% afirmaram ter caído em algum tipo de fraude.

Durante a Black Friday de 2024, a Branddi registrou 105.567 novas ameaças digitais — uma média de 1,7 mil por dia ou 72 por hora —, com destaque para os setores de Varejo, Moda, Cosméticos e Pet. A tendência se manteve no Dia do Consumidor de 2025, que contabilizou 100.518 novas ameaças no mesmo período. O alerta também vem da Visa. Em 2023, a empresa de tecnologias de pagamento afirma ter bloqueado cerca de US$ 40 bilhões em tentativas de fraude.

Durante períodos de alto volume de transações online, como a Black Friday, os fraudadores intensificam o uso de phishing para fraudar autenticações, enviando mensagens de texto, e-mails ou ligações cada vez mais convincentes.

Somando-se a isso, a pesquisa do Reclame Aqui sobre a Black Friday 2025 revela que 63% dos consumidores não conseguem identificar um golpe feito com Inteligência Artificial, e 20% já foram vítimas de algum tipo de fraude na data. O receio de cair em golpes é, inclusive, uma das razões pelas quais parte dos brasileiros opta por não participar das promoções.

Essas informações deixam claro que a conscientização é a linha de defesa mais eficaz. Entender como funcionam os golpes, desconfiar de mensagens suspeitas e adotar hábitos de verificação — como checar o endereço do site e evitar clicar em links desconhecidos — são atitudes simples que fazem a diferença.A tecnologia pode ajudar, mas é o comportamento humano — mais crítico e informado — que determina o verdadeiro nível de segurança. Num cenário em que o phishing evolui e a IA amplia o alcance das fraudes, a consciência digital se torna o novo firewall.

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