Ribeirão das Neves, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, acaba de alcançar um marco raro entre os municípios brasileiros: 100% de cobertura LED em sua iluminação pública. A conquista é resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP) com o Consórcio IP Minas, que modernizou 27.789 pontos de luz — número superior ao previsto inicialmente no cadastro municipal.
A iniciativa representa uma virada na gestão urbana da cidade, que por anos conviveu com apagões crônicos e infraestrutura precária. Hoje, Ribeirão das Neves colhe os frutos de uma política pública orientada à eficiência energética, sustentabilidade e responsabilidade fiscal.
Economia de energia e ganhos ambientais
A substituição das luminárias convencionais por tecnologia LED reduziu a carga instalada em mais de 2 mil kW, gerando uma economia anual de 8,4 milhões de kWh. Isso equivale à redução de mais de 840 toneladas de CO₂ lançadas na atmosfera — um impacto ambiental significativo para uma cidade de médio porte.
Além disso, cerca de 50 toneladas de resíduos sólidos provenientes das antigas luminárias foram corretamente destinados, reforçando o compromisso com a gestão ambiental.
Modelo financeiro sustentável
O projeto é financiado integralmente pela COSIP (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública), tributo já presente em cerca de 70% dos municípios brasileiros. A COSIP garante previsibilidade financeira e não compromete recursos de áreas essenciais como saúde ou educação.
Segundo especialistas do setor energético, esse modelo é considerado uma das formas mais eficazes de viabilizar a modernização da infraestrutura urbana sem pressionar os cofres públicos.
Tecnologia e controle em tempo real
Todos os pontos de luz contam com sistemas de telegestão, sensores de telemetria, fotocélulas e dispositivos de dimerização — permitindo o controle remoto da intensidade luminosa conforme o horário. A prefeitura tem acesso direto à plataforma de monitoramento, o que garante transparência e agilidade na operação.
A média de atendimentos mensais caiu de 1.592 para apenas 288 em 2024, uma redução superior a 80%, com menos falhas e maior estabilidade.
Um dos símbolos da nova fase da cidade é o Viaduto Theóphilo Alves da Silva, agora iluminado com LEDs RGB programáveis. A estrutura permite campanhas temáticas e datas comemorativas, como Outubro Rosa e Novembro Azul, transformando o espaço em um ponto de referência urbana.
Com nove metros de altura e 72 metros de extensão, o viaduto conecta dois eixos estratégicos da cidade e foi 100% construído com recursos municipais. A obra atende desde pedestres até carretas bitrem, com segurança e eficiência.
Um modelo replicável para o Brasil
“Ganhamos em economia, eficiência, sustentabilidade e, principalmente, em qualidade de vida para nossa população. É a prova de que é possível modernizar com responsabilidade, transparência e visão de futuro”, afirma o prefeito Túlio Raposo.
Para Jociane Almeida, gerente do Consórcio IP Minas, o projeto vai além da substituição de lâmpadas: “Nossa missão é promover tecnologia, sustentabilidade e um novo padrão de serviço público com impacto direto no cotidiano das pessoas.”
A experiência de Ribeirão das Neves mostra que, com planejamento técnico, controle social e modelos de concessão bem estruturados, é possível transformar a infraestrutura urbana brasileira — sem comprometer o orçamento e com ganhos imediatos para a população e o meio ambiente.
Com base em dados públicos recentes, aqui está uma análise comparativa entre o projeto de iluminação pública de Ribeirão das Neves e iniciativas semelhantes em outros municípios brasileiros:
Avanço de cidades brasileiras rumo à eficiência urbana
A modernização da iluminação pública com tecnologia LED tem se tornado uma prioridade em diversos municípios brasileiros, impulsionada por políticas de eficiência energética, sustentabilidade e gestão fiscal responsável. Ribeirão das Neves é um dos casos mais emblemáticos, mas como esse modelo se compara a outras cidades? A GZM fez um comparativo usando alguns dados de cidades que publicaram suas informações, confira:
1. Ribeirão das Neves (MG)
- Modelo: PPP com financiamento via COSIP
- Pontos modernizados: 27.789
- Economia anual de energia: 8,4 milhões de kWh
- Redução de CO₂: +840 toneladas/ano
- Tecnologia: Telegestão em 100% dos pontos, LEDs RGB em áreas simbólicas
- Destaque: Viaduto iluminado com LEDs programáveis e plataforma de monitoramento em tempo real
2. Campina Grande (PB)
- Modelo: Programa Procel Reluz (MME)
- Pontos modernizados: Parte dos 104 mil pontos contemplados nacionalmente
- Tecnologia: LED com foco em eficiência e durabilidade
- Destaque: Redução de criminalidade após modernização, segundo a Polícia Militar
3. Bicas (MG)
- Modelo: Procel Reluz
- Impacto: Melhoria na segurança pública e qualidade de vida
- Destaque: Projeto com apoio técnico e financeiro federal, voltado à eficiência energética
4. Municípios contemplados pelo Procel Reluz
- Abrangência: +150 municípios até 2025
- Economia estimada: 22,9 GWh/ano nas primeiras fases
- Custo médio por ponto: R$ 1.220 — abaixo do mercado
- Destaque: Escolha dos projetos por chamadas públicas, com foco em eficiência e sustentabilidade
Comparativo: PPP x Programas Federais
| Critério | Ribeirão das Neves (PPP) | Procel Reluz (Federal) |
| Financiamento | COSIP (tributo local) | Recursos federais |
| Controle operacional | Municipal, com telegestão | Federal, com apoio técnico |
| Escopo tecnológico | LEDs + sensores + RGB | LEDs convencionais |
| Agilidade de execução | Alta (contrato direto) | Moderada (chamada pública) |
| Replicabilidade | Alta, com modelo de concessão | Alta, com adesão ao programa |
Análise GZM
Ribeirão das Neves se destaca por ter adotado um modelo de PPP com alto grau de inovação tecnológica e impacto ambiental mensurável. A iniciativa mostra que, mesmo sem apoio direto de programas federais, é possível alcançar resultados expressivos com planejamento, financiamento via COSIP e gestão orientada a desempenho.
Por outro lado, programas como o Procel Reluz, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, têm sido fundamentais para municípios com menor capacidade de investimento direto, oferecendo suporte técnico e financeiro para a transição ao LED.
Ambos os modelos são complementares e mostram que a modernização da infraestrutura urbana no Brasil pode seguir caminhos diversos — desde que haja visão estratégica, controle social e compromisso com a sustentabilidade.