O planeta dá sinais cada vez mais claros de esgotamento. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, segundo dados internacionais, e o Brasil está entre os países mais vulneráveis a eventos extremos, das enchentes no Sul às secas prolongadas no Nordeste, fazendo com que a emergência climática deixe de ser previsão científica para se tornar uma experiência cotidiana.
Se o desafio é global, a resposta também precisa ser. É necessário repensar o modo como formamos as próximas gerações. A transição ecológica não depende apenas de políticas públicas ou tecnologia, ela exige uma transformação profunda na educação e é na escola que se aprendem os valores que moldam o comportamento coletivo como consumo, responsabilidade, solidariedade e cuidado com o outro e com o planeta.
O tema é tão relevante que em 2015 o Papa Francisco lançou a encíclica Laudato Si’, com um chamado para a educação ecológica integral, que visa formar pessoas conscientes e responsáveis pelo cuidado com a “Casa Comum”. Em sintonia, o Papa Leão XIV recorda que educar é um ato de esperança, renovado pela promessa que se vê no futuro da humanidade. Essa visão inspira também a Campanha da Fraternidade 2025, cujo tema “Fraternidade e Ecologia Integral” reforça que cuidar do planeta é, antes de tudo, um gesto de fraternidade e responsabilidade coletiva.
Incluir a sustentabilidade no currículo não é mais um diferencial, mas uma necessidade civilizatória. Isso significa ir além da teoria e transformar o aprendizado em prática. Projetos de economia circular, hortas escolares, monitoramento da biodiversidade local e debates sobre consumo responsável são caminhos concretos para formar cidadãos conscientes do impacto de suas escolhas.
A chamada “geração climática”, formada por jovens que já cresceram sob alertas ambientais, mostra disposição para mudar hábitos, cobrar governos e reinventar modos de vida. O que falta é uma educação que canalize essa energia em ação e que ofereça ferramentas para transformar engajamento em resultado.
O Brasil tem todas as condições de liderar essa virada. Um país que reúne a maior floresta tropical do planeta, uma das matrizes energéticas mais limpas e um sistema educacional em expansão pode se tornar referência mundial na formação de cidadãos ecológicos. Basta que a política educacional enxergue a sustentabilidade como núcleo estruturante do aprendizado.
A crise climática é, antes de tudo, uma crise de cultura. E a cultura muda pela educação. Se quisermos garantir um futuro habitável, é nas salas de aula que a mudança precisa começar.