A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e o Cenp (Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário) firmaram nesta semana um acordo de cooperação mútua voltado ao fortalecimento da autorregulação como instrumento de desenvolvimento econômico. A iniciativa une dois dos setores mais relevantes do país — o mercado financeiro e o mercado publicitário — em torno de uma agenda comum de governança, qualificação técnica e boas práticas.
O acordo prevê troca de expertise, compartilhamento de metodologias e a construção de uma agenda conjunta para 2026, com foco em transparência, ética e condições justas de concorrência. A assinatura ocorreu em Brasília e reuniu as lideranças das duas entidades. O documento foi assinado pelos presidentes Carlos André, da Anbima, e Luiz Lara, do Cenp.
Ambos destacaram que a parceria reforça o papel da autorregulação como mecanismo de confiança e estabilidade para setores estratégicos da economia.
Declarações sobre o acordo
Durante o evento, Carlos André afirmou que a cooperação entre as entidades amplia a capacidade de aprimorar a comunicação e a relação das instituições financeiras com o público. “Um exemplo é de como o mercado financeiro se relaciona com seu público-alvo e como a gente pode evoluir para ter uma relação mais sustentável, mais limpa, mais inteligente, com os nossos clientes do mercado financeiro. Isso tem tudo a ver com publicidade, comunicação, com marketing”.
O presidente do Cenp, Luiz Lara, reforçou que os dois setores compartilham valores essenciais para o ambiente econômico. Segundo ele, publicidade e mercado financeiro são “pilares da economia brasileira e referências globais em suas áreas”, e ambos têm na autorregulação a base para assegurar ética, transparência e livre concorrência.
A Anbima também destacou que a parceria demonstra a relevância do modelo de autorregulação para diferentes segmentos da economia. “A parceria entre Anbima e o Cenp comprova que o modelo de autorregulação oferece uma contribuição de grande relevância para a sociedade brasileira, independentemente da atividade econômica”, afirmou Carlos André em comunicado oficial.
Objetivos e próximos passos
A agenda conjunta para 2026 deve incluir:
- desenvolvimento de padrões técnicos e operacionais;
- ações de qualificação profissional;
- iniciativas de governança e compliance;
- estudos e recomendações sobre comunicação responsável em produtos financeiros;
- integração de boas práticas entre os dois setores.
A cooperação também busca ampliar o diálogo com o poder público e com o ecossistema jurídico, fortalecendo a credibilidade das entidades e a segurança das relações de mercado.
Importância estratégica
A aproximação entre Anbima e Cenp ocorre em um momento de crescente complexidade regulatória e de transformação digital nos dois setores. A publicidade de produtos financeiros, por exemplo, tem sido alvo de debates sobre clareza, responsabilidade e proteção ao consumidor — temas que exigem alinhamento entre comunicação, governança e práticas de mercado.
Para as entidades, a autorregulação se apresenta como um mecanismo ágil e complementar ao arcabouço regulatório estatal, capaz de responder rapidamente às mudanças tecnológicas e às novas dinâmicas de consumo.