Carregando...

Arquitetura com propósito: como a Saint Paul usou o design para materializar seus valores

Imagem do projeto da nova sede da Saint Paul, adquirida pelo BTG em 2024 e que se prepara para mudanças. Arquitetura busca inspirar a educação dos alunos
Escritório do projeto do novo empreendimento busca dar suporte aos valores institucionais e propostas pedagógicas inovadoras

A arquitetura de uma empresa vai muito além de paredes e janelas; ela pode ser uma poderosa ferramenta para expressar propósito e fortalecer a cultura. É o que a Pitá Arquitetura demonstrou no projeto da nova sede da Saint Paul Escola de Negócios em São Paulo, ainda sem data confirmada de abertura. 

O novo novo espaço vai ocupar uma área total de 8.050 m², distribuída em três amplos pavimentos, incluindo uma área externa de 1.456 m² no último andar.e foi pensada, segundo os arquitetos, para “não apenas ser um lugar para abrigar aulas, mas uma extensão física da própria identidade da marca, traduzindo conceitos de inovação, excelência e foco em negócios em cada detalhe”.


A filosofia por trás da estrutura

Para criar um espaço que refletisse a essência da Saint Paul, o escritório informou que o projeto foi guiado por três pilares conceituais:

  1. Princípios da Gestalt: Esse conceito, vindo da psicologia da forma, foca em como o cérebro humano organiza e interpreta padrões visuais. Elementos como simetria (equilíbrio visual), proximidade (itens agrupados criam uma percepção de unidade) e continuidade (linhas e formas que guiam o olhar) foram usados para criar uma percepção espacial intuitiva e fluida. O resultado é um ambiente que, sem a necessidade de placas, orienta a circulação e facilita a interação.
  2. Usabilidade com Propósito: Cada componente do projeto, do mobiliário à iluminação, foi pensado para ter uma função clara. Isso garante que a arquitetura não seja apenas bonita, mas funcional, favorecendo a eficiência e a experiência do aluno.
  3. Estética Essencial: A escolha de materiais, cores e texturas não foi aleatória. O uso de formas geométricas e materiais contemporâneos, como o aço inox, reforça a imagem de inovação e sofisticação minimalista. Essa estética reflete a seriedade e o foco em negócios da instituição de forma elegante.


A arquitetura do prédio foi desenhada para promover tanto a colaboração quanto a concentração. Os espaços são versáteis, com áreas de networking formais e informais que incentivam trocas profissionais. A permeabilidade visual – ou seja, a capacidade de enxergar de um ambiente para outro – é um recurso-chave para estimular a conexão entre alunos e professores.

Um dos elementos centrais do projeto é o conjunto de átrios, que funcionam como pontos de convergência. Esses espaços abertos não são apenas áreas de passagem, mas locais de convivência, estudo e encontros informais. É nesse ponto que a arquitetura cumpre seu propósito de ser um facilitador de comunidade e conhecimento.

A distribuição dos andares também acompanha a jornada do aluno: o primeiro pavimento abriga áreas administrativas e de estudo individual, enquanto o segundo é inteiramente dedicado às salas de aula. Já o último andar foi projetado para grandes eventos, com uma área externa que pode servir como sala de aula ao ar livre, integrando o espaço físico com a experiência de aprendizado.

Em suma, o projeto da Saint Paul demonstra que a arquitetura pode ser uma ferramenta estratégica. Mais do que um simples edifício, a nova sede é uma manifestação física da marca, um espaço que atua ativamente para moldar a experiência educacional, reforçando os valores de inovação e comunidade da escola.

Para saber mais sobre o projeto e o uso do conceito no uso da arquitetura, a GZM com versou com Rafael Urbonas, sócio e diretor de projetos da Pitá Arquitetura. Confira:  


GZM: Considerando a importância da “usabilidade com propósito”, qual foi o maior desafio em traduzir as necessidades da Saint Paul em soluções arquitetônicas tangíveis, como o uso de materiais e o design dos espaços?

Rafael: Usabilidade é essencial em qualquer projeto, mas ganha ainda mais importância em um espaço destinado a um público tão diverso, que vai de jovens de 17 anos recém-saídos do ensino médio a CEOs de grandes empresas. São fases da vida e repertórios muito diferentes, com formas de aprender e se conectar que variam do geracional ao contexto social. 

Criar um ambiente em que o design seja flexível o suficiente para atender a essa diversidade certamente foi um dos maiores desafios. Um exemplo disso está na escolha dos materiais: eles precisavam ser extremamente duráveis para o público jovem, mas também sofisticados e agradáveis ao olhar atento de profissionais experientes. 

Acredito que conseguimos encontrar um bom equilíbrio, criando sobretudo um espaço que estimula a conexão entre todos esses perfis.


GZM: O projeto destaca o uso de tecnologia e flexibilidade, como estúdios de gravação para alunos e infraestrutura para ensino híbrido. Como a arquitetura foi pensada para se adaptar a futuras mudanças tecnológicas e pedagógicas?

Rafael: O mundo muda com uma velocidade impressionante, e a arquitetura precisa acompanhar essa flexibilidade. Mas as incertezas sempre serão grandes. Pensamos em um espaço com o mínimo possível de “travas”, soluções simples e capazes de se adaptar ao longo dos anos. 

Nosso foco foi reduzir ao máximo áreas técnicas extensas ou tecnologias que ocupassem espaço de forma desproporcional, concentrando esforços no que realmente importa: a troca entre as pessoas. Um exemplo disso foi criar ambientes com o mínimo de paredes, permitindo a livre apropriação conforme as pessoas desejarem. 

As salas se voltam para pátios abertos, onde diferentes atividades podem acontecer simultaneamente, favorecendo encontros espontâneos e a visibilidade do que está em movimento. Todos esses espaços contam com tecnologia que garante sua adaptação, funcionando também como estúdios fora dos estúdios, sem nunca limitar o uso a uma função única. 

A tecnologia está ali de forma invisível e prática, sempre pronta para ser atualizada, enquanto a qualidade do espaço se revela na interação humana, no posicionamento dos cafés, nos espaços de estudo individual, no conforto, na ergonomia e na mensagem transmitida por cada escolha de material.


GZM: Como vocês equilibraram a necessidade de criar um ambiente sofisticado e minimalista, com o uso de materiais como aço inox, sem que o espaço se tornasse frio ou impessoal para os alunos e colaboradores?

Rafael: Um ambiente impessoal é aquele que não revela quem o usará nem qual será sua verdadeira função, um espaço que acaba afastando as pessoas. Aqui acontece o contrário. Desde o início, a St. Paul tinha o propósito de criar um lugar vivo, que estimulasse encontros e trocas reais entre alunos, professores e toda a comunidade em torno deles. 

Não se trata apenas de quem usa o espaço, mas também de quem ele é, como quando entramos na casa de alguém e imediatamente sentimos que aquele lugar tem identidade e pertence a uma pessoa. Cada escolha de material foi pensada junto com o layout e a função, resultando em um espaço claro e iluminado, que conversa com a tecnologia, mas também acolhe com texturas, formas arredondadas e iluminação quente. 

A diversidade de mobiliários e maneiras de sentar traduz diferentes jeitos de aprender e se conectar, tornando o ambiente próximo, humano e inspirador.


GZM: O projeto faz uso de conceitos da Gestalt para guiar a percepção espacial. Qual foi o principal desafio em aplicar esses princípios de forma que o público leigo, sem conhecimento de arquitetura, pudesse se beneficiar intuitivamente do design?

Rafael: A Gestalt é um princípio que estuda como o cérebro percebe e interpreta informações em sua totalidade. No projeto, isso se refletiu especialmente nos círculos e nas curvas que se complementam dando a sensação de circularidade no espaço. Elas estão presentes nas paredes, nos forros, em mobiliários, elementos de convivência e layouts de espaços. 

Essas formas não são apenas estéticas: elas estimulam um fluxo intuitivo e orgânico de trânsito entre ambientes. Eles por consequência convergem em ambientes convidativos para encontros orgânicos e trocas de ideias. Acreditamos que o círculo transmite abertura e colaboração, quebrando hierarquias tradicionais e reforçando o modelo educacional da Saint Paul, que valoriza novas formas de aprender e se conectar. 

Assim, a arquitetura se torna uma ferramenta que convida todos os usuários a se engajar, participar e construir conhecimento coletivamente, de maneira intuitiva e envolvente.


GZM: A sede está localizada na Rua da Consolação, uma área de grande fluxo em São Paulo. Como o projeto buscou criar um refúgio de concentração e aprendizado dentro desse ambiente urbano intenso, ao mesmo tempo em que se conecta com a cidade ao redor?

Rafael: Em qualquer projeto educacional, o grande desafio é encontrar o equilíbrio entre espaços de troca e conexão e aqueles voltados à concentração e ao foco. Nesse caso, a própria arquitetura do edifício trouxe a resposta: uma varanda generosa, em uma altura que mantém o vínculo com a cidade sem perder a intimidade necessária para a reflexão individual. 

A escolha do posicionamento no centro da cidade foi especialmente feliz: trata-se de uma área pulsante de ideias, com infraestrutura urbana completa e a oportunidade de aprender não apenas dentro da universidade, mas também no entorno urbano. Assim, a cidade se torna espectadora ativa da universidade, e a universidade, da cidade. 

No pavimento da varanda, reunimos os ambientes mais públicos, destinados a eventos, palestras e aulas abertas. Já nos outros dois andares, concentramos as áreas de maior foco, sempre entremeadas por espaços de convivência que incentivam a interação entre os alunos.

Compartilhe nas redes:

Boletim por E-mail

GZM NEWS

Cadastre seu e-mail e receba nossos informativos e promoções.

publicidade

Recentes da GZM

Mais sessões