Começo este artigo afirmando que sou a favor do banco central independente e escrevo isso desde o final dos anos 80, quando houve a extinção do orçamento monetário e a separação institucional entre o Banco Central – BC e o Tesouro Nacional.
Mas ser independente não quer dizer que sua atuação tem de ser aceita como dogma de fé. Nosso Banco Central está parecendo um “price taker” e não um “price maker”, ou seja, está a reboque do mercado. Como o mercado especula e erra, o Banco Central também acaba errando.
Vamos relembrar o que aconteceu há um ano, no último trimestre de 2024. O câmbio (R$/US$) saiu de R$ 5,45 em outubro para R$ 6,30 em dezembro, um aumento de 16% em apenas 3 meses. Os Faria Limers culparam o risco fiscal e as expectativas negativas com a eminente nomeação do novo presidente do Banco Central. Mas, na verdade, a elevada desvalorização do Real foi motivada pelo aumento da demanda por remessa de dividendos e pelo fortalecimento do dólar no exterior.
E o que o Banco Central fez naquele período? Pouco. Demorou para intervir e deixou o dólar disparar, só atuando em dezembro. E o que aconteceu? O câmbio elevado alimentou a inflação, tirando-a do limite superior da meta. E o que fez, na esteira das expectativas do mercado? Elevou as taxas de juros, até atingir os atuais 15%a.a.
E o que aconteceu desde então no “fiscal”? Só piorou com o aumento da dívida pública em decorrência da elevação dos juros. Mesmo assim, o Real praticamente recuperou aqueles 16% em função do enfraquecimento do dólar lá fora.
Então, fica a pergunta: Se o Banco Central tivesse agido a tempo para conter a desvalorização do Real e não tivesse alimentado as expectativas negativas na “vibe” dos Faria Limers, estaríamos hoje com menos inflação e juros mais baixos? Provavelmente sim. A questão é que o custo desse erro para a sociedade ficou muito elevado.