Durante o Encontro Anual do Mercado Livre de Energia (EAML 2025), realizado em parceria entre a Informa Markets e a Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (ABRACEEL), o Ministério de Minas e Energia anunciou que o Brasil está na fase final de negociação para estabelecer uma nova interconexão elétrica com a Bolívia. O projeto prevê capacidade de 420 MW, investimentos próximos de R$ 7 bilhões e tem leilão estimado para o segundo semestre de 2026.
Segurança e eficiência como prioridades
O anúncio foi feito por Cristiano Augusto Trein, diretor do Departamento de Políticas para o Mercado do MME, que destacou que a expansão das interconexões internacionais só ocorre quando os benefícios são comprovados. “Em alguns cenários, importar energia pode ser mais eficiente do que transportá-la internamente”, afirmou.
Trein ressaltou que os projetos precisam atender requisitos essenciais de segurança energética, eficiência operacional e qualidade tarifária, além de contar com remuneração adequada para atrair capital privado. Ele citou portarias que tratam da exportação e importação de energia e defendeu maior harmonização das regras internas para viabilizar a integração.
Integração como estratégia regional
Segundo o diretor, a integração energética deve ser entendida como um processo de cooperação regional. “Integração significa caminhar junto, apoiar e perseguir objetivos comuns. Esse alinhamento precisa refletir no bem-estar da sociedade e considerar a dimensão e o papel do Brasil na América Latina”, disse.
Trein lembrou que o Brasil possui 250 GW de potência instalada, com uma matriz majoritariamente renovável sustentada por 110 GW de hidrelétricas, que funcionam como “bateria” do sistema. O Sistema Interligado Nacional, com 190 mil km de linhas de transmissão, já permite integração com países vizinhos e gera benefícios tarifários.
Experiência recente com a Venezuela
O diretor citou como exemplo o retorno da conexão com a Venezuela, que abasteceu Roraima até setembro e reduziu gastos com combustíveis em cerca de R$ 25 milhões na Conta de Desenvolvimento Energético. Para Trein, interconexões internacionais têm papel estratégico ao reforçar segurança, soberania e estabilidade para a sociedade.
Com a negociação avançada da interconexão com a Bolívia e a previsão de leilão em 2026, o Brasil sinaliza que a integração energética regional será um dos pilares de sua política de infraestrutura nos próximos anos. A iniciativa reforça o papel do país como líder latino-americano em energia renovável e abre caminho para novos projetos de cooperação internacional.