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Brasil de olho no brilho do cobre: por que a alta dos metais não deve esfriar tão cedo

Mina de cobre em Curionópolis, no Pará, operado pela australiana Avanco. Potencial do país é de crescimento da produção
Estudo da Coface aponta que, mesmo com correções pontuais, fatores estruturais sustentam preços elevados das commodities metálicas em 2026 — cenário que fortalece a América Latina e abre espaço para o Brasil ampliar sua presença no mercado global

Os preços elevados das commodities metálicas industriais, com o cobre atingindo recordes históricos,  vêm fortalecendo de forma significativa os países produtores da América Latina. A valorização amplia receitas externas, eleva a arrecadação de royalties e impulsiona um novo ciclo de investimentos na mineração, com reflexos relevantes para crescimento e contas públicas na região.

O Chile, maior produtor mundial de cobre, com cerca de 24% da oferta global, é um dos principais beneficiados. Apesar de desafios recentes ligados a dificuldades operacionais e à redução do teor de minério em grandes minas, a agência técnica Cochilco projeta crescimento de 4% na produção em 2026, alcançando 5,6 milhões de toneladas, à medida que operações de grande porte retomam sua normalização. No terceiro trimestre de 2025, a carteira de projetos previstos para os cinco anos seguintes somava quase US$ 79 bilhões,  aproximadamente 23% do PIB chileno — reforçando a atratividade do país para investimentos de longo prazo.

O Peru, que alterna entre a segunda e a terceira posição no ranking global de produção, também apresenta perspectiva positiva. Para 2026, a expectativa é de expansão moderada de 3% na produção. No campo dos investimentos, o Ministério de Energia e Minas (MINEM) estima aportes superiores a US$ 7 bilhões no próximo ano, um patamar histórico impulsionado principalmente pelo cobre.

O Brasil, ainda que responda por cerca de 1% da produção mundial, possui potencial de crescimento relevante, especialmente em estados como Pará, Bahia e Goiás. Projetos em andamento indicam aumento gradual da produção no médio prazo, ampliando a diversificação da oferta regional.

Já a Argentina atravessa um momento de transição estratégica. Embora não produza cobre em escala industrial desde 2018, o país dispõe de reservas estimadas entre 90 e 116 milhões de toneladas e uma carteira robusta de projetos. Investimentos superiores a US$ 35 bilhões estão projetados para os próximos anos, apoiados pelo novo regime de incentivos RIGI, o que pode recolocar o país no mapa global da produção de cobre.

O cenário reforça a relevância da mineração para as economias latino-americanas em um contexto de transição energética e demanda crescente por metais industriais, oferecendo subsídios para pautas sobre investimentos, crescimento regional, contas públicas e perspectivas para 2026.

OBS: Os dados foram apresentados no estudo Full metal markets, da COFACE, seguradora especializada em gestão de risco de crédito B2B, ao qual a GZM teve acesso.

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