O Brasil voltou a ocupar posição de liderança no debate global sobre segurança alimentar. O Laboratório de Políticas Públicas Alimentares Urbanas (LUPPA), iniciativa criada pelo Instituto Comida do Amanhã em parceria com o ICLEI Brasil, foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) como uma das soluções sistêmicas mais relevantes para enfrentar os desafios alimentares contemporâneos.
O reconhecimento veio por meio do relatório “Transforming Food and Agriculture through a Systems Approach”, lançado dias antes da publicação do SOFI 2025 – o principal diagnóstico global sobre segurança alimentar. O Brasil, segundo o SOFI, está fora do Mapa da Fome, com menos de 2,5% da população em situação de insegurança alimentar grave, resultado de políticas públicas estruturadas e integradas.
Abordagem sistêmica e impacto local
O LUPPA é citado pela FAO como exemplo de abordagem colaborativa e sistêmica, capaz de transformar os sistemas alimentares urbanos por meio da aprendizagem coletiva entre cidades. Desde sua criação em 2021, o programa já envolveu 59 municípios brasileiros, promovendo mentorias, encontros presenciais e ferramentas como a matriz de diagnóstico alimentar.
“O LUPPA está entre os caminhos possíveis para superar a insegurança alimentar, ao promover políticas públicas integradas e sustentáveis”, afirma Juliana Tângari, diretora do Comida do Amanhã e coordenadora geral do laboratório.
Brasil fora do Mapa da Fome
O relatório SOFI 2025, lançado durante a Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares (UNFSS+4), em Adis Abeba, confirma que o Brasil saiu do Mapa da Fome. A conquista é atribuída a políticas que priorizaram a redução da pobreza, o fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação do acesso a alimentos saudáveis.
Segundo dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), cerca de 24 milhões de brasileiros deixaram de enfrentar insegurança alimentar grave até o fim de 2023.
Governança alimentar como referência internacional
Além do LUPPA, o relatório da FAO também destaca o SISAN (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) como modelo de governança sistêmica. A valorização de abordagens integradas reflete uma mudança de paradigma nas recomendações internacionais, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 2: Fome Zero.
“A FAO está cada vez mais valorizando abordagens sistêmicas, porque elas são essenciais para garantir os ODS”, reforça Juliana Tângari.
Destaques do Relatório da FAO: Caminhos Sistêmicos para a Segurança Alimentar
O relatório “Transforming Food and Agriculture through a Systems Approach”, publicado pela FAO em julho de 2025 [1], propõe uma mudança de paradigma na formulação de políticas alimentares, defendendo uma abordagem sistêmica e integrada para enfrentar os desafios globais da fome, nutrição inadequada e degradação ambiental.
Entre os principais destaques:
- Abordagem Sistêmica: O relatório enfatiza que ações isoladas em sistemas alimentares podem gerar efeitos colaterais indesejados. Por isso, propõe a articulação entre políticas públicas, práticas agrícolas, saúde e meio ambiente.
- Valorização de Soluções Locais: Experiências como o LUPPA são reconhecidas por sua capacidade de promover mudanças estruturais a partir das cidades, com base em conhecimento local e inovação colaborativa.
- Aprendizagem Coletiva: O LUPPA é citado como exemplo de transição estratégica, ao substituir a aprendizagem isolada por processos coletivos entre municípios, fortalecendo políticas alimentares urbanas.
- Ferramentas Práticas: A FAO destaca o uso de metodologias como a matriz de diagnóstico alimentar, mentorias e encontros presenciais (LUPPA LAB), que ajudam gestores públicos a identificar gargalos e construir estratégias de longo prazo.
- Governança Sistêmica: Além do LUPPA, o relatório menciona o SISAN (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) como modelo brasileiro de governança integrada, reforçando o papel do país como referência internacional.
O relatório da FAO serve como complemento ao SOFI 2025, oferecendo caminhos concretos para superar os desafios evidenciados no diagnóstico global da fome. A publicação completa está disponível no site da FAO.