O setor elétrico brasileiro atravessa um período de profundas transformações, marcado pela incorporação de novas tecnologias, pela evolução dos modelos de negócio e pelo aumento da complexidade na operação dos sistemas de energia. Para o presidente do CIGRE-Brasil, João Carlos Mello, o cenário que se projeta para 2026 evidencia mudanças estruturais em todos os elos da cadeia – geração, transmissão, distribuição e comercialização -, exigindo planejamento integrado, inovação e coordenação entre os agentes do setor.
“É um novo mundo para a distribuição. Tenho certeza de que, daqui a 10 anos, a distribuição já não será a mesma”, afirma Mello. Segundo ele, a abertura do mercado para todos os consumidores, o avanço de novas tecnologias, a descentralização da geração e a maior digitalização das redes exigirão um novo olhar sobre o papel das distribuidoras e sobre a forma como a energia chega ao consumidor final.
Na transmissão, o movimento também é de transformação estrutural. “É fundamental discutir novos modelos de transmissão, como os links em corrente contínua (DC) e a incorporação de novas tecnologias”, destaca. Para Mello, a adoção de novas arquiteturas de rede e soluções tecnológicas será determinante para garantir robustez, confiabilidade e eficiência ao sistema elétrico em um contexto de expansão e maior interconexão.
Já na geração, as mudanças são ainda mais evidentes. A ampliação das fontes renováveis, aliada ao avanço de soluções de armazenamento e à diversificação da matriz, reforça a necessidade de uma operação cada vez mais coordenada entre geração, transmissão e distribuição. “A geração passa por uma revolução, e isso exige planejamento, flexibilidade operacional e integração em toda a cadeia”, pontua.
Outro ponto de atenção é a comercialização, especialmente no ambiente varejista, que deve ganhar protagonismo com a ampliação do mercado livre. A possibilidade de escolha tende a levar empresas de diferentes portes e setores a buscar condições mais competitivas de fornecimento de energia, o que amplia a dinâmica do mercado e eleva o nível de exigência sobre os agentes. Para o presidente do CIGRE-Brasil, esse movimento reforça a complexidade do varejo de energia. “Com a ampliação do mercado livre, a busca por preços mais competitivos tende a se intensificar nos próximos anos, mas o varejo de energia continuará sendo um ambiente complexo. Será cada vez mais necessário maturidade, leitura de risco e decisões bem estruturadas”, destaca Mello.
Diante desse cenário, o CIGRE-Brasil reforça seu papel estratégico como fórum técnico e institucional para o debate qualificado sobre o futuro do setor elétrico. Em 2026, a entidade seguirá fomentando discussões sobre distribuição, transmissão, geração e mercados de energia por meio de webinars, eventos técnicos, grupos de estudo, publicações especializadas e iniciativas de compartilhamento de conhecimento.
“O CIGRE-Brasil existe justamente para antecipar tendências, promover a troca de experiências e apoiar o desenvolvimento técnico do setor. Nosso compromisso é contribuir para que essas transformações aconteçam de forma segura, eficiente e sustentável”, conclui o presidente da entidade.
As informações foram enviadas pela assessoria da CIGRE-Brasil
Sobre a instituição: O CIGRE é uma comunidade global colaborativa com mais de um século de existência, dedicada à criação e ao compartilhamento de conhecimento e experiências sobre sistemas de energia. Reconhecido como uma das maiores e mais influentes organizações sem fins lucrativos do setor elétrico mundial, suas recomendações técnicas frequentemente se convertem em normas internacionais.
O CIGRE-Brasil é membro desde 1971.