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Cinco tendências que estão moldando a economia prateada

Por Fabio Nogueira, CEO do Observatório da Longevidade e do Movimento Next50+.

A população prateada responde por uma fatia cada vez mais relevante do consumo nos Estados Unidos — e no mundo. O motivo é simples: sua participação no total da população cresce de forma consistente e tende a se intensificar nas próximas décadas. Hoje, os americanos com mais de 65 anos lideram os gastos do consumidor entre todas as faixas etárias, um cenário bem diferente do observado há dez anos, quando grupos entre 35 e 64 anos dominavam esse ranking. Soma-se a isso um fator decisivo: a concentração de riqueza. Nos EUA, pessoas com mais de 55 anos detêm cerca de 73% da riqueza familiar, o equivalente a quase US$ 108 trilhões.

Identificar tendências amplas em um grupo tão numeroso e heterogêneo não é tarefa simples. Ainda assim, alguns padrões recorrentes permitem traçar um panorama consistente. A seguir, cinco tendências que vêm se destacando no mercado prateado. Embora observadas a partir da realidade americana, a experiência do Observatório da Longevidade indica que elas também se aplicam ao contexto brasileiro.

1. Lazer

Com o avanço da idade, cresce o desejo de “recuperar o tempo perdido”. Entre os maduros, viajar e aproveitar a vida aparecem como aspirações centrais. Em determinados segmentos do turismo, esse público já representa a maior parte da clientela. Nos cruzeiros marítimos, por exemplo, o número de passageiros maduros cresce cerca de 6% ao ano. O lazer também inclui clubes sociais, práticas esportivas, restaurantes, bares de bairro, festas públicas e atividades que favoreçam o convívio social. Vale lembrar que as expectativas desse público diferem das dos mais jovens: eles buscam ambientes acolhedores, tranquilos, bem-cuidados, com atendimento atencioso e sem pressa. Não por acaso, cidades como Houston já publicam guias como “Top 10 Best Bars for Older People”. No Brasil, há espaço para que empresários pensem em espaços noturnos voltados especificamente a esse público.

2. Tecnologia

O consumidor prateado não é um novo tipo de consumidor — é o mesmo consumidor de antes, agora alguns anos mais velho, ajustando hábitos e preferências às mudanças da vida. Para as empresas, isso impõe o desafio de superar estereótipos e preconceitos, exigindo mais pesquisa e compreensão real desse público. A indústria de videogames ilustra bem esse movimento. Nos Estados Unidos, o grupo de jogadores que mais cresce não é a geração Z, mas os baby boomers. Segundo a Entertainment Software Association, 29% das pessoas com mais de 64 anos jogavam videogames em 2023. O uso de tecnologia, produtos digitais e serviços de streaming já faz parte do cotidiano da geração prateada.

3. Cuidados pessoais

O conceito de bem-estar engloba uma ampla gama de produtos e serviços, mas alguns segmentos se destacam como verdadeiros campeões de vendas. É o caso dos cuidados pessoais. Suplementos nutricionais, produtos antienvelhecimento, cuidados com a pele e higiene bucal registram forte expansão. O consumidor prateado responde por 48% do consumo desses itens nos EUA, impulsionando um crescimento anual de 7,3% no segmento.

4. Investimento na casa

Nas últimas duas décadas, aumentou a proporção de idosos que optam por permanecer em suas próprias casas, enquanto diminuiu a daqueles que vivem em casas de repouso. Nos EUA, 93% das pessoas com mais de 55 anos consideram essa permanência uma prioridade. As razões vão da sensação de segurança e do apego emocional ao imóvel ao desejo de independência e proximidade da família. Há ainda o fator econômico: reformar e adaptar a residência costuma ser mais barato do que arcar com os custos de condomínios prateados ou casas de repouso — além de ser percebido como investimento. As adaptações incluem melhorias de acessibilidade, mudanças de cômodos para o térreo, troca de pisos escorregadios, instalação de equipamentos de segurança nos banheiros, ar-condicionado e ajustes na decoração para eliminar riscos.

5. Saúde

O crescimento da população madura impulsiona uma nova indústria de assistência e suporte à vida. Tratamentos domiciliares, exames preventivos, orientação nutricional e monitoramento remoto do organismo avançam a taxas próximas de 8% ao ano. Em paralelo, a indústria de alimentos funcionais acompanha esse ritmo. Produtos com maior teor proteico deixaram de ser exclusividade de jovens frequentadores de academia: para os maduros, eles são essenciais para repor perdas naturais associadas ao envelhecimento.

O avanço da economia prateada obriga empresas a repensarem estratégias de inovação, marketing e comunicação. Trata-se de atender a uma população numerosa, com uma renda disponível para consumo de R$ 2,3 trilhões por ano e cada vez mais comprometida com um estilo de vida ativo, saudável e socialmente conectado.

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