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Como a IA Agêntica está assumindo protagonismo no mundo da tecnololgia empresarial

Como agentes de IA estão saindo do papel de copilotos para se tornar infraestrutura de decisão nas empresas, exigindo novas arquiteturas, governança e uma verdadeira transformação cognitiva dos negócios

A Inteligência Artificial agêntica – aquela que não só responde, mas age – está saindo do laboratório para assumir o centro do palco na tecnologia empresarial. Em vez de apenas gerar textos ou sugerir relatórios, essa nova onda de IA passa a planejar, executar e ajustar processos inteiros, operando como uma espécie de “sistema nervoso digital” das organizações.

De ferramenta de apoio a infraestrutura de decisão

Estudos recentes mostram a velocidade dessa virada. O relatório Digital Trends 2026, da Softtek, indica que a Agentic AI pode responder por até 30% da receita global de software corporativo até 2035, com crescimento médio acima de 40% ao ano na próxima década. Como resume Jose Marcos Brum, vice‑presidente da Softtek, “estamos saindo da era em que a IA era uma ferramenta de consulta para uma era onde ela é uma força de execução operacional real”, em que líderes deixam de ser executores de tarefas para atuar como “curadores de agentes”.

Na prática, isso significa migrar de dashboards e relatórios estáticos para sistemas que tomam decisões continuamente: agentes que definem a próxima melhor oferta para um cliente, priorizam filas complexas de demanda ou reajustam preços e rotas logísticas em tempo real. O gargalo competitivo, como provoca Gustavo Araujo, CIO e um dos cofundadores do Distrito, deixa de estar na execução e passa para a decisão: “Muitas companhias são digitais na infraestrutura, mas analógicas na cognição. Elas executam rápido, mas pensam devagar.” A Agentic AI surge justamente como infraestrutura cognitiva – a camada que ajuda a empresa a interpretar contextos, simular cenários e decidir em escala.

Como isso funciona no dia a dia das empresas

Um jeito simples de entender a IA agêntica é imaginar “funcionários digitais” com mandato claro e acesso controlado aos sistemas da companhia. Em vez de um chatbot que apenas responde dúvidas, um agente pode:

  • ler uma reclamação do cliente,
  • consultar o histórico no CRM,
  • verificar estoque no ERP,
  • aplicar uma política de retenção,
  • registrar a mudança de plano,
  • agendar uma visita técnica –
    tudo em uma única conversa, sem transferências nem filas.

Fabiano Amorim, Gestor da Unidade de Negócios de Customer Experience da Selbetti, descreve esse salto no Customer Experience: bots deixam de ser scripts engessados e passam a ser “arquitetos habilidosos de jornadas altamente personalizadas”, capazes de conduzir a jornada inteira de ponta a ponta. Pesquisas citadas por ele mostram que 70% dos consumidores já veem a IA como parte integrante do atendimento moderno e que, até 2029, 80% dos problemas comuns de suporte poderão ser resolvidos autonomamente, com redução de até 30% nos custos operacionais

Nos bastidores, agentes fazem algo parecido com o que gestores fariam, mas em tempo e escala impossíveis para humanos: monitoram fluxos, cruzam dados, sugerem priorizações, disparam ações e aprendem com os resultados. Araújo sintetiza essa nova fase como a passagem “de sistemas que executam para sistemas que pensam”, em que a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta e passa a operar como camada cognitiva da empresa.

A nova arquitetura: AI‑First, APIs e AgentOps

Para que esses “funcionários digitais” funcionem, a casa precisa estar arrumada. A IA agêntica exige arquiteturas de TI API‑first, com sistemas de CRM, ERP, logística, billing e suporte expostos de forma segura e padronizada, para que os agentes consigam orquestrar dados e ações através de vários sistemas ao mesmo tempo.

Amorim destaca que, em uma jornada de atendimento, um único agente pode consumir múltiplas APIs e disparar transações em diferentes módulos, algo impossível em ambientes fragmentados ou com integrações frágeis. Do lado da Softtek, o relatório aponta o conceito de “AI‑First by Design”: em vez de adicionar IA depois, produtos e processos passam a ser desenhados desde a origem com inteligência embutida, permitindo aprendizado 

Essa autonomia, porém, exige uma disciplina nova: o AgentOps. Brum defende métricas como “Taxa de Sucesso Autônomo” e “Explicabilidade das Decisões” e alerta que, sem governança robusta, a autonomia pode ampliar riscos regulatórios. Na prática, isso significa tratar agentes como “usuários digitais”:

  • criar identidades e credenciais específicas,
  • aplicar princípio do menor privilégio,
  • registrar tudo o que o agente faz,
  • manter inventário atualizado de agentes em operação e respectivos responsáveis humanos,
  • auditar periodicamente permissões e comportamentos.

Empresas começam a adaptar práticas de DevOps e observabilidade: logs detalhados, rastreabilidade de decisões, monitoria em tempo real de fluxos e alarmes para comportamentos inesperados. Em ambientes regulados, isso não é opcional – é condição para escalar automação sem abrir brechas de segurança ou compliance.

Da transformação digital à transformação cognitiva

A ascensão da IA agêntica também marca o fim de uma era em que “ser digital” era suficiente para competir. Araújo argumenta que a transformação digital resolveu o problema da eficiência – fazer melhor, mais rápido, com menos custo – mas não responde ao novo desafio: decidir melhor, em menos tempo, em contextos mais complexos. “A transformação digital foi sobre fazer melhor. A transformação cognitiva é sobre pensar melhor”, escreve o executivo.

Nessa visão, empresas líderes serão as que conseguirem desenvolver capacidade cognitiva organizacional: entender o que está acontecendo, por que está acontecendo, quais opções existem, que decisão tomar e o que aprender com o resultado, em ciclos contínuos, distribuídos e apoiados por sistemas inteligentes. Isso implica revisar modelos de governança, arquiteturas de decisão, papéis de liderança e, sobretudo, a forma como o trabalho é organizado – humanos e agentes atuando em complementaridade, e não em competição.

O que muda para líderes e equipes

Se a IA generativa colocou todos para testar copilotos e assistentes de texto, a IA agêntica coloca CEOs, CIOs e heads de negócio diante de perguntas mais incômodas:

  • que parte da decisão estou disposto a delegar a sistemas?
  • com quais limites, métricas e salvaguardas?
  • que decisões precisam continuar 100% humanas – e por quê?

Brum resume esse ponto ao afirmar que 2026 marca o momento em que “a IA deixa de ser uma ferramenta de apoio para se tornar a infraestrutura de decisão empresarial”, e que a questão central deixa de ser se a empresa vai adotar IA, para se tornar “qual nível de autonomia está preparada para delegar e sob quais critérios de controle”.

Do lado das equipes, a tendência é clara: tarefas repetitivas e altamente estruturadas migram para agentes; humanos se concentram em casos complexos, situações que exigem empatia e decisões com alto grau de ambiguidade ou impacto estratégico. Em vez de disputar espaço com máquinas, profissionais passam a desenhar, supervisionar e melhorar os agentes que executam boa parte do trabalho operacional.

No limite, como aponta relatório recente da Gartner, caminhamos para um cenário em que 40% das aplicações empresariais terão agentes de IA focados em tarefas específicas até 2026, e em que agentes serão responsáveis por cerca de 30% da receita de software corporativo em 2035. 

Em outras palavras, a próxima década de tecnologia empresarial poderá ser menos sobre telas e cliques – e mais sobre orquestrar ecossistemas de agentes que pensam, decidem e agem em nome das organizações.

Para saber mais sobre o mundo da IA agêntica e outras novidades do mundo da tecnologia, confira a entrevista com o CIO do Distrito, Gustavo Araujo, que está organizando uma expedição para dois dos maiores eventos de tecnologia do mundo, o SXSW e o GTC, ambos nos EUA. A entrevista está disponível no podcast GZM Talks nas plataformas Spotify, YouTube e também no quadro abaixo. Vale conferir!

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