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Concreto com disrupção é a receita da FG Empreendimentos para redefinir a engenharia no Brasil

De uma barbearia a arranha‑céus de padrão global, empresa catarinense transforma visão familiar em laboratório brasileiro de inovação estrutural e verticalização extrema

A trajetória da FG Empreendimentos ajuda a explicar por que Balneário Camboriú deixou de ser apenas um destino turístico para se tornar vitrine mundial de engenharia e arquitetura de alto padrão. A empresa nasce da história de Francisco Graciola, que saiu da roça na cidade de Gaspar, virou barbeiro, dono de lanchonetes e, brick a brick, migrou todo o capital do comércio para a construção civil, começando por pequenos prédios em Blumenau nos anos 1980, até fincar de vez o pé em Balneário. “Comecei para não mais parar”, lembra Francisco em uma entrevista exclusiva para o projeto Brasil Produtivo, uma parceria editorial da Gazeta Mercantil com o think tank Mercado & Opinião.

Na conversa com o fundador e presidente do Mercado & Opinião, o empresário Marcos Koeningkan, Jean lembrou que viu na cidade litorânea catarinense um cenário para “romper barreiras” e ousar em prédios cada vez mais altos, muito antes de o município se consolidar como um dos metros quadrados mais valorizados do Brasil.

A virada estrutural veio em 2003 com a fundação formal da FG por Francisco e seu filho Jean Graciola, que hoje lidera a companhia como presidente. “A história da FG Empreendimentos é, antes de tudo, uma história de família, trabalho e visão”, define Jean, que cresceu nas viagens de Fiat 147 entre Blumenau e Balneário, acompanhando o pai na visita de obras e moldando ali sua conexão com o território. Aos 19 anos, ele entra definitivamente na construção civil, passa por obras em Blumenau e Jaraguá do Sul e, a partir da criação da FG, assume progressivamente a liderança do negócio: “Lidero hoje a FG porque acredito profundamente no propósito que construímos: transformar Balneário Camboriú em um dos ecossistemas urbanos mais sofisticados do mundo e mostrar que o Brasil pode liderar tendências globais em engenharia, arquitetura e verticalização de alto padrão”.

Desde o início, a disrupção concreta foi mais do que metáfora. Em vez de replicar modelos tradicionais, a FG apostou em edifícios residenciais verticais de altíssimo padrão quando ainda era “cedo demais” para muitos acreditarem que Balneário poderia disputar espaço com ícones internacionais de skyline. Um marco dessa estratégia foi o Infinity Coast, primeiro edifício do país a superar a barreira dos 200 metros: são 66 pavimentos habitáveis, equivalentes a 76 andares, e 234 metros de altura, resultado de um terreno que, em vez de abrigar três torres médias, foi usado para erguer uma única torre e liberar área generosa para lazer em padrão resort home club. “Chamei minha equipe e disse: se nesse terreno cabem três torres de 20 andares, vamos construir uma de 60”, recorda Francisco, explicando a lógica de usar menos área para o bloco vertical e mais para áreas de convivência.

A sofisticação técnica exigida por esse salto levou a FG a se conectar com alguns dos principais players globais em cálculo estrutural e engenharia de vento. Empresas como RWDI (Canadá), BRE e WSP (Inglaterra) — responsáveis por estudos de arranha‑céus como as Petronas Towers, na Malásia, e a Central Park Tower, em Nova York — passaram a integrar a rede de parceiros da construtora, consolidando Balneário Camboriú como campo de provas de soluções de alto desempenho. Ao mesmo tempo, a empresa avançou na governança: a partir de 2010, estruturou um processo robusto de gestão corporativa e, desde 2013, é auditada pela EY, uma das big four globais de auditoria, numa escolha que projeta padrões de companhia aberta para um grupo ainda de controle familiar.

Na visão de Jean Graciola, alguns pontos de virada foram determinantes para colocar a FG nesse novo patamar. “O primeiro foi a decisão de apostar em edifícios residenciais verticais de alto padrão”, afirma. O segundo, diz ele, foi a profissionalização: “Criamos processos, adotamos governança robusta, atraímos talentos e investimos em tecnologia e engenharia de ponta. Isso transformou a FG em uma empresa altamente eficiente, reconhecida por operar com uma das melhores margens do setor”. O landbank também conta essa história: hoje são 4,5 milhões de m² em estoque futuro, com VGV potencial de R$ 130 bilhões, dando previsibilidade e protagonismo de longo prazo.

Sob sua gestão, a empresa entrou em um ciclo de capitalização e produtividade que a posiciona como referência nacional. “Transformamos a FG em uma empresa altamente capitalizada, com um modelo de negócios resiliente, previsível e orientado a resultados”, resume Jean. Em 2025, a companhia alcançou um VGV histórico de R$ 2,1 bilhões, com margem líquida de 35%, índice raro no setor, sustentado por operação eficiente, excelência construtiva e um modelo que privilegia segurança, governança e sustentabilidade financeira. Um indicador dessa confiança é que mais de 90% das transações imobiliárias da empresa são feitas com financiamento direto com a própria FG, reforçando o vínculo de longo prazo com o cliente.

A cultura que amarra essa performance se ancora em três valores centrais. “A FG é guiada por três pilares que atravessam gerações: fé, família e foco”, explica Jean. Fé como base para decisões e para lembrar que o negócio constrói impacto e transforma cidades; família como ligação entre a trajetória que começou com Francisco e segue com a esposa e os filhos de Jean, e na forma como a empresa trata colaboradores, parceiros e clientes; e foco, entendido como disciplina, excelência e visão de longo prazo, independentemente do ciclo econômico. “Eles formam o DNA da FG e orientam nossas decisões técnicas, humanas e estratégicas desde o primeiro dia”, acrescenta.

Francisco e Jean Graciola, pai e filho e co-fundadores da FG Empreendimentos: visão de disrupção levou empresa às alturas, assinando 8 dos 10 prédios mais altos do Brasil.

No front da inovação, a FG se posiciona como plataforma de industrialização e tecnologia aplicada à construção. “A inovação é uma política estruturante na FG”, afirma Jean. A empresa investe em sistemas construtivos mais eficientes, sustentáveis e industrializados, mantém um departamento dedicado ao desenvolvimento de inovações e acelera a digitalização de processos, com uso de BIM integrado, engenharia preditiva, automação e dados para tomar decisões e personalizar a experiência do cliente. “Isso tudo nos permite construir mais rápido, com mais eficiência, mais segurança, mais precisão e com produtos que redefinem o conceito de moradia de alto padrão no Brasil”, completa.

A leitura de futuro que orienta o grupo é clara: cidades mais densas, eficientes e tecnológicas. “Três movimentos são inevitáveis: verticalização qualificada, industrialização da construção e edifícios tecnologicamente avançados, integrando automação, energia limpa, segurança inteligente, conforto e bem‑estar como pilares de valor”, projeta o executivo. Ele aponta ainda uma integração crescente entre urbanismo, mobilidade, hospitalidade e experiências, com um consumidor que exigirá produtos alinhados a um estilo de vida globalizado — cenário para o qual a empresa se prepara com projetos ícones como o Senna Tower, citado por Jean como “uma obra que nasce global, símbolo de coragem, excelência e inovação brasileira”.

Liderar um grande grupo no Brasil, na visão do presidente da FG, significa operar em alta complexidade sem perder o horizonte de longo prazo. “Significa ter clareza de propósito, disciplina na execução e sensibilidade para gerir pessoas em um país de enorme complexidade econômica”, resume. Ele define o papel do dirigente como um exercício diário de equilíbrio entre inovação, responsabilidade social e visão de futuro, em um setor que vive expansão, mas demanda ganhos de produtividade, previsibilidade regulatória e modernização das cadeias de suprimentos.

Jean Graciola, co-fundador e presidente da FG Empreendimentos. Ao olhar para o país, ele faz um diagnóstico que dialoga diretamente com a proposta da série “Brasil Produtivo”: “O Brasil faz engenharia de altíssimo nível. Executamos obras complexas, com qualidade técnica comparável aos melhores mercados do mundo”.

Para Jean, o ecossistema imobiliário brasileiro é sólido, competitivo e seguro, com mão de obra extremamente qualificada e empresas que investem pesado em inovação — um patrimônio que ainda recebe pouco reconhecimento na agenda pública, mas que começa a chamar a atenção global.

Seu projeto pessoal de legado ajuda a explicar o porquê da FG se apresentar, hoje, como símbolo de disrupção concreta a serviço de um novo padrão de engenharia nacional. “Meu legado é simples: mostrar que é possível construir uma empresa globalmente relevante mantendo ética, excelência e compromisso social”, afirma Jean. Ao lado do pai, Francisco, ele conduz uma empresa que honra origens humildes, opera com padrões globais e aposta que o Brasil não apenas sabe erguer grandes torres — sabe, sobretudo, usar o concreto para desenhar um futuro mais ambicioso para suas cidades e para sua própria engenharia.

A reportagem especial da FG Empreendimentos e a conversa na íntegra de Jean Graciola e Marcos Koenigkan estarão disponíveis em breve no site especial do projeto em formato de e-book e em pdf.

Esta reportagem faz parte da série Brasil Produtivo, uma colaboração da Gazeta Mercantil com o Mercado & Opinião para registrar a memória empresarial brasileira.

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