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Contratação de estagiários negros dispara 15 vezes em sete anos e revela nova fase da diversidade nas empresas

Levantamento da Companhia de Estágios mostra recorde histórico em 2025, mudança no perfil dos contratados e avanço de áreas como TI, finanças e indústria na inclusão de jovens negros

A presença de jovens negros em programas de estágio no Brasil vive uma expansão sem precedentes. Um levantamento da Companhia de Estágios, referência nacional em recrutamento de estudantes, aponta que a contratação desse público cresceu 15,6 vezes desde 2018. A projeção é que 2025 encerre com 7.946 estagiários negros contratados, alta de 12,5% em relação ao ano anterior — o maior número já registrado pela empresa.

Os dados fazem parte da 6ª edição do Mapeamento dos Estagiários Negros no Brasil, estudo que acompanha desde 2020 a evolução da diversidade racial no mercado de estágio. A análise considera informações de mais de 2 milhões de estudantes cadastrados e de mil empresas clientes em todas as regiões do país.

“Ao longo dos anos, fica clara a mudança nos requisitos, na forma de selecionar e nas metas de diversidade das empresas”, afirma Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios.

Sudeste concentra maioria das contratações — e mulheres lideram presença

O levantamento mostra que 79% dos estagiários negros estão na região Sudeste. Entre eles, 59% são mulheres, com idade média de 23 anos — um ano acima da média dos estagiários brancos. O dado acompanha o avanço da presença feminina negra no ensino superior, tendência também observada pelo IBGE.

Crescimento segue forte, mas ritmo desacelera

O salto mais expressivo ocorreu em 2019, com aumento de 130% nas contratações. Em 2021, o avanço voltou a acelerar, chegando a 106%. Esses picos refletem o impacto das políticas de diversidade implementadas durante a pandemia e nos anos seguintes.

A partir de 2022, o crescimento se estabilizou, mas continua positivo:

  • 26,6% em 2023
  • 30% em 2024

Para Mavichian, essa desaceleração marca uma nova etapa: “As empresas já conseguiram atingir quadros equilibrados de estagiários pretos e pardos. Desde 2024, o foco tem sido no desenvolvimento, retenção e crescimento de carreira”.

O movimento acompanha dados do IBGE, que mostram avanço no ensino superior entre pessoas negras, mas ainda com desigualdade: 25% dos brancos têm diploma universitário, contra 12% dos negros.

TI lidera contratações; finanças e indústria ganham força

Entre as áreas que mais contratam estagiários negros, Tecnologia da Informação aparece no topo, com:

  • 8,2% das contratações de pardos
  • 7,4% das de pretos

Também se destacam as áreas Financeira, Administrativa e Industrial, que vêm se consolidando como importantes portas de entrada para diversidade.

Nos cursos mais representativos, Administração lidera entre pretos (12,85%) e pardos (11,43%). Engenharia Civil, Direito, Psicologia e Análise e Desenvolvimento de Sistemas também aparecem com força. “Os jovens estão atentos ao mercado. Áreas como administração, engenharia, TI e finanças têm mais vagas, o que aumenta a empregabilidade”, explica Mavichian.

Empresas reduzem exigências técnicas e priorizam competências comportamentais

O estudo revela uma mudança significativa no perfil buscado pelas empresas. Em 2018, 77% dos estagiários negros tinham experiência prévia. Em 2025, esse número caiu para 45%, indicando maior abertura para quem está ingressando no mercado.

Além disso:

  • 38% das vagas não exigem Excel
  • 42% não pedem inglês

A tendência é priorizar soft skills e potencial de desenvolvimento, em vez de requisitos técnicos que historicamente excluem jovens de grupos minorizados.

“A função do estágio é formar, não exigir experiência. Essa mudança é um avanço em equidade”, afirma o CEO.

A Companhia de Estágios destaca que o crescimento das contratações é resultado de programas estruturados, com treinamentos e avaliações contínuas. O objetivo é aumentar a efetivação desses jovens.

Mavichian reforça que o protagonismo também precisa vir dos estudantes: “A carreira pertence ao jovem. É essencial buscar cursos, pedir feedback e participar de projetos. Isso acelera o desenvolvimento técnico e comportamental e abre portas para novas oportunidades”.

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