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COP30 e as agendas da gestão e sustentabilidade no agro brasileiro

Conferência em Belém reforça papel estratégico do agronegócio na agenda ambiental e na economia de baixo carbono

A realização da COP30 em Belém (PA), em 2025, coloca o Brasil no centro das discussões globais sobre sustentabilidade e transição ecológica. Nesse contexto, o agronegócio brasileiro assume papel relevante, tanto pelas oportunidades quanto pelas responsabilidades associadas à produção de alimentos em um cenário de mudanças climáticas.

Eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas e ondas de calor, já impactam diretamente a produção agrícola. Em 2025, culturas como soja e milho no Sul e o café no Sudeste — especialmente em Minas Gerais e São Paulo — registraram perdas significativas. Para André Paranhos, vice-presidente de Agronegócios da consultoria Falconi, esse cenário reforça a importância de integrar planejamento e sustentabilidade. “Não dá para falar de sustentabilidade sem mencionar planejamento. Quem trabalha no campo sabe que cada decisão tem um impacto enorme, e uma gestão bem-feita pode ser crucial para definir um negócio próspero ou um ano difícil”, afirma.

Gestão e tecnologia como resposta à instabilidade

A adoção de ferramentas como inteligência climática, seguros rurais e planejamento financeiro estruturado tem se tornado essencial para mitigar riscos e antecipar cenários. “Planejar não elimina os imprevistos, mas prepara o produtor para enfrentá-los com mais segurança e estabilidade”, destaca Paranhos.

Segundo estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, divulgado em 2024, os impactos climáticos causaram perdas de aproximadamente R$ 280 bilhões na última década no Brasil. O aumento de 0,1°C na temperatura média global entre 1991 e 2023 resultou em mais de 360 novos registros de desastres climáticos no país.

Além da mitigação de riscos, práticas sustentáveis também abrem portas para novos mercados. A rastreabilidade, a transparência e o compromisso socioambiental são cada vez mais valorizados por compradores e instituições financeiras. Produtores que se adaptam a essas exigências tendem a acessar melhores condições de crédito e agregar valor à produção.

COP30 e o agro na economia verde

A COP30 deve reforçar compromissos internacionais com a redução de emissões e a preservação de florestas tropicais. A conferência também destaca oportunidades de negócios verdes e a valorização de cadeias produtivas sustentáveis. “Será o momento de mostrar ao mundo que o agro brasileiro pode evoluir com base em compromissos reais de sustentabilidade e gestão eficiente. É preciso ir além do discurso: transformar boas práticas em resultados mensuráveis e de impacto positivo”, afirma Paranhos.

No Brasil, a regulamentação do mercado de carbono por meio da Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, sinaliza um ambiente mais estruturado para produtores comprometidos com a redução de impactos ambientais.

Paranhos destaca que a consolidação de políticas públicas e incentivos alinhados às metas climáticas é fundamental para a transição verde. “A sustentabilidade precisa estar no centro da estratégia do produtor e das cadeias produtivas. Sem gestão, não há como medir, comparar e melhorar. A COP30 traz justamente essa oportunidade de repensar o modelo de desenvolvimento do agro brasileiro”, complementa.

Sustentabilidade como estratégia de longo prazo

Ao alinhar-se às metas da COP30, o agronegócio brasileiro pode reafirmar sua posição como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo, agora sob a lógica da economia de baixo carbono. “O Agro vive a ‘era da gestão’, marcada por um planejamento mais estratégico e pela inovação conectada à sustentabilidade. O setor já superou muitas crises e provou sua força inúmeras vezes. Produzir com responsabilidade é o melhor caminho para o futuro”, conclui Paranhos.

André Paranhos, vice-presidente de Agronegócios da consultoria Falconi: “Será o momento de mostrar ao mundo que o agro brasileiro pode evoluir com base em compromissos reais de sustentabilidade e gestão eficiente”. 

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