A COP30, realizada em Belém, coração pulsante da Amazônia veio carregada de expectativas! Não seria apenas mais uma conferência do clima, mas a COP da floresta, dos povos originários do Sul do nosso Planeta. A 30ª. Reunião que marca dez anos do Acordo de Paris. Um marco histórico que também poderia ter sido o ponto da virada.
Mas o que se viu, foi o retrato fiel das tensões que hoje definem a agenda climática global: discursos fortes, negociações intensas… mas sem coragem coletiva como sinal de maturidade.
A imprensa internacional foi unânime: O TEXTO FINAL NÃO NOMEIA DIRETAMENTE A TRANSIÇÃO PARA FORA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS. Petróleo, gás e carvão — os maiores responsáveis pela crise climática — seguem protegidos por camadas políticas que impedem avanços objetivos e reais.
E um fato decisivo que não pode ser ignorado: A COP aconteceu em um mundo em guerra.
Conflitos simultâneos, instabilidade geopolítica, aumento com gastos militares e a disputa global por energia e minerais em terras raras, criaram um ambiente onde muitos países operam em “modo sobrevivência”, não em “modo transição”. Isso explica, embora não justifique, por que:
- a linguagem sobre abandono dos fósseis não avançou
- acordos foram suavizados
- ambição foi trocada por pragmatismo
E há uma verdade incômoda que raramente entra na conta: guerra também é crise climática.
Conflitos armados destroem ecossistemas, aumentam emissões, contaminam rios e solos, ampliam vulnerabilidades e aprofundam desigualdades. Mesmo assim, suas emissões seguem invisíveis nas negociações.
No financiamento climático, o movimento foi semelhante. Houve promessa de triplicar recursos até 2035 — algo positivo, mas utilizado como instrumento de barganha. Uma reedição do impasse eterno entre países ricos e países em desenvolvimento.
A escolha de Belém entregou ao mundo um simbolismo poderoso — e também expôs fragilidades históricas.
Infraestrutura insuficiente, preços elevados, impacto ambiental de obras e dificuldades de acesso foram largamente destacados pela imprensa internacional.
E o Brasil enfrentou sua própria contradição: como sediar a COP da Amazônia enquanto se discute exploração de petróleo em áreas sensíveis dessa mesma região?
Sim, os povos indígenas tiveram mais visibilidade, mas ainda muito longe de qualquer poder decisório real, quando suas pautas deveriam ser determinantes. Representação simbólica não substitui governança.
Então, a COP30 foi um fracasso? Eu não diria isso, mas não foi a inflexão que o planeta precisa.
Ela foi:
✔ um marco simbólico
✔ um palco global para a Amazônia
✔ um alerta importante
✔ um espelho das tensões do nosso tempo
Mas também foi:
✘ um acordo fraco
✘ uma ambição diluída
✘ uma conferência ainda refém dos fósseis
Se tudo isso pudesse ser resumido em uma frase, seria esta:
O mundo já sabe o que precisa fazer, mas falta coragem.
E é justamente aqui que reside o pós-COP:
O futuro da ação climática não está apenas nas plenárias da ONU, mas nas decisões que cada governo, empresa, investidor, comunidade e profissionais tomam todos os dias.
Hoje podemos dizer que a incoerência é a pior forma de greenwashing. A COP30 deixou um recado claro: Não falta ciência, tecnologia ou recursos. Faltam decisões. E sabemos que ela não virá de um documento, mas virá da prática.