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Curtailment escancara gargalos na conectividade das usinas renováveis

Especialistas apontam que falhas na comunicação comprometem a eficiência e atrasam a transição energética no Brasil

O Brasil vive um paradoxo energético: enquanto bate recordes na geração de energia limpa, também acumula perdas bilionárias por não conseguir escoar tudo o que produz. O fenômeno conhecido como curtailment — corte forçado na geração devido a limitações da rede elétrica — já causou prejuízos de R$ 5,4 bilhões entre janeiro e outubro de 2025, segundo levantamento da Volt Robotics com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Apenas em agosto, as perdas somaram R$ 881 milhões, com destaque para a geração solar centralizada, que teve 27,8% do potencial de injeção desperdiçado em junho, segundo a Megawhat. A média de energia solar cortada nos primeiros oito meses do ano foi de 13,7%, bem acima dos 9,7% registrados entre abril e dezembro de 2024. O problema afeta diretamente a previsibilidade financeira das geradoras e compromete o avanço da transição energética no país.

Conectividade: o elo perdido da eficiência

Além da infraestrutura de transmissão insuficiente, outro gargalo crítico é a conectividade das usinas, especialmente em áreas remotas. “Temos clientes com parques eólicos e solares localizados a centenas de quilômetros de centros urbanos, onde a comunicação é instável. Quando a supervisão de dados e alertas ocorre com atraso, o operador perde a capacidade de reagir rapidamente e minimizar perdas. É nesse ponto que a conectividade de alta disponibilidade se torna decisiva”, afirma Cláudio Calonge, CEO da Briskcom, empresa especializada em soluções via satélite para operações de missão crítica.

Segundo Calonge, a comunicação deixou de ser um diferencial tecnológico e passou a ser uma condição básica para a eficiência das usinas. “Não adianta termos parques solares altamente produtivos se a informação não chega com a mesma velocidade da geração. A comunicação é o elo que garante que toda a inteligência do sistema, como sensores, algoritmos e centros de controle, funcione de forma integrada. Sem isso, a inovação fica pela metade”, alerta.

Soluções híbridas para um futuro digital

Para enfrentar o curtailment, especialistas defendem o uso de redes híbridas e comunicação via satélite como alternativas viáveis para garantir operação contínua e reduzir perdas. Essas tecnologias permitem o monitoramento em tempo real e a tomada de decisão baseada em dados, mesmo em locais de difícil acesso.

“A comunicação confiável é o que transforma dados em ação. É ela que permite reagir a tempo, evitar desperdícios e manter a eficiência mesmo em condições adversas”, conclui Calonge.

Com o crescimento acelerado das fontes renováveis na matriz energética brasileira, o desafio agora é garantir que toda essa energia chegue ao consumidor — e isso passa, inevitavelmente, por uma revolução na conectividade do setor.

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