Ego, burnout e feedback: lições atemporais para o mundo do trabalho

Carlos Legal, autor de Competências atemporais: 35 lições para o desenvolvimento pessoal e profissional
Novo livro da Editora Senac São Paulo reúne 35 reflexões práticas sobre liderança, saúde emocional e tomada de decisão, celebrando os 25 anos de carreira de Carlos Legal na educação corporativa

A Editora Senac São Paulo lança Competências atemporais: 35 lições para o desenvolvimento pessoal e profissional, obra de Carlos Legal, especialista em desenvolvimento humano e educação corporativa. O livro sistematiza artigos publicados entre 2013 e 2023, revisados e ampliados, e propõe uma análise prática de competências que permanecem essenciais em cenários de instabilidade e alta complexidade.

Temas que dialogam com os desafios atuais

  • Ego na liderança: No capítulo “Liderança: quando o ego é o problema”, Legal alerta para os riscos do excesso de ego nas relações e defende a humildade como fundamento da liderança ética.
  • Burnout e engajamento: Em “Engajamento ou burnout: qual a sua escolha?”, o autor discute os limites entre desempenho e exaustão, chamando atenção para o papel das lideranças na construção de ambientes saudáveis.
  • Feedback construtivo: Apresentado como ferramenta essencial para o desenvolvimento contínuo, desde que baseado em fatos, diálogo e responsabilidade compartilhada.
  • Tomada de decisão consciente: Reflexões sobre modelos mentais e a necessidade de rever conceitos cristalizados no ambiente corporativo.

Estrutura e proposta

Organizado em seções independentes, o livro permite leitura flexível. Cada lição é acompanhada de exercícios e propostas de reflexão, estimulando o leitor a transformar aprendizados em ações concretas.

Indicado para profissionais de diferentes áreas, educadores, estudantes e lideranças, Competências Atemporais reforça a importância de equilibrar resultados com valores e bem-estar. O lançamento também marca os 25 anos de atuação de Carlos Legal na educação corporativa, consolidando sua trajetória como referência na área.

E para saber mais sobre a obra, a GZM conversou com o autor, que contou mais detalhes do trabalho. Confira:

GZM: O livro reúne reflexões de uma década de produção intelectual. Como foi o processo de revisitar e ampliar esses textos para esta edição? 

Carlos Legal: Revisitar meus textos confirmou que certas competências e habilidades nunca saem de moda. Naturalmente que os textos passaram por ajustes finos para torná-los atemporais, alinhados ao contexto da vida prática para oferecer uma mensagem atualizada, que espero sejam úteis daqui mais 10 anos. Foi muito reflexivo e divertido.

GZM: Você defende que certas competências permanecem relevantes mesmo em cenários instáveis. Qual delas considera mais urgente para os profissionais de hoje?

Carlos Legal: Não acho que exista uma única competência mais urgente, mas um bloco delas. Defendo que as competências emocionais são extremamente relevantes para lidar com cenários de mudanças aceleradas e ambientes de instabilidade. Entre elas, destacaria a inteligência e o manejo das emoções, a resiliência, a antifragilidade e a atenção/prontidão cognitiva. 

São competências que permitem ao profissional navegar pelos desafios da vida com mais fluidez, reflexão, lucidez e ética. E se esse profissional exerce função de liderança, essas competências merecem ainda mais destaque, pois sua efetividade como líder dependerá da forma como maneja tais competências. Não é apenas saber “o que” fazer, mas “como” fazer.  
 

GZM: No capítulo sobre liderança e ego, você aponta a humildade como fundamento ético. Que sinais indicam que o ego está comprometendo a liderança? 

Carlos Legal: O problema do ego é que ele vem, quase sempre, acompanhado por disfunções comportamentais que impactam negativamente a qualidade da liderança. Entre elas: arrogância, rigidez, controle excessivo, agressividade na comunicação, não acolher ideias da equipe, entre outros. 

O egocentrismo é consequência de um senso de individualismo que não combina com a liderança moderna, tornando o líder uma “liderança tóxica” ou como se diz na gíria – “um(a) mala”, que pode levar ao adoecimento das pessoas, a falta de confiança e até consequências negativas para o próprio líder como prejuízos reputacionais e até a própria demissão. A ética da humildade propõe a constatação de que não se realiza nada sozinho e por isso, o líder deveria reconhecer o valor da equipe, cuidar efetivamente das pessoas e se pautar por virtudes como flexibilidade, confiança, generosidade, assertividade na comunicação e cooperação. Isso não significa ser fraco, mas justo e íntegro. 

O desafio do líder é ter consciência que suas ações impactam negativamente ou positivamente a relação com seu time e os resultados organizacionais e ser coerente com valores éticos que todos nós apreciamos quando nos relacionamos. 

GZM: O tema do burnout aparece como contraponto ao engajamento. Que papel as lideranças devem assumir para evitar ambientes de exaustão? 

Carlos Legal: Este é um assunto complexo, pois não depende apenas das lideranças. Na minha visão, há três perspectivas de responsabilidade em relação ao burnout. A primeira é o ambiente e a natureza do trabalho que pode ser mais ou menos estressante. A segunda é a liderança, que quando tóxica e desatenta com o seu papel e responsabilidades em relação às pessoas pode contribuir para o adoecimento. 

Entendo que a liderança deveria ser o(a) embaixador(a) das políticas e das boas práticas da empresa que representa. Mas, infelizmente, já vi muitas empresas ótimas para se trabalhar com políticas, programas e cultura aparentemente saudáveis, com lideranças ruins. E a última perspectiva é a do indivíduo, pois cada um de nós deve assumir o protagonismo e autorresponsabilização em relação à própria saúde e estilo de vida. Não seria justo depositar o adoecimento exclusivamente nos ombros do líder ou da organização, pois cada pessoa deve fazer a sua parte, ter um padrão elevado de autocuidado em relação a si, adotando práticas para cuidar do próprio corpo, da própria mente e das emoções. Por isso, considero o burnout como antagônico ao engajamento, pois não é apenas paixão pelo que se faz que sustenta o ato de engajar, mas a cultura de autocuidado. 

A saúde é infraestrutura para toda e qualquer realização humana. Agora, respondendo objetivamente a sua questão sobre o papel das lideranças, penso que o líder é exemplo e deve adotar padrões de conduta elevados como ser humano, encorajando seu time a ter uma cultura de autocuidado e ter atenção com as pessoas. No ambiente e trabalho que estou acostumado a atuar, o mantra “foco em resultados” deveria evoluir para “foco nas pessoas que entregam resultados” e acredito que assim, poderíamos mitigar alguns riscos para pessoas, lideranças e organizações.

GZM: Feedback é tratado como ferramenta essencial no livro. Quais são os erros mais comuns que você observa na prática corporativa ao dar ou receber feedback?

Carlos Legal: Há um paradigma equivocado em relação ao feedback, ainda entendido por boa parte das pessoas como crítica. Se carrego comigo essa crença, naturalmente não quero ser criticado e também não quero criticar os outros. Há um aspecto cultural sobre o tema que ainda nos limita. Entendo o feedback como uma ferramenta de desenvolvimento e um ato de generosidade de quem oferece suas percepções para a melhoria do desempenho do outro. No entanto, há erros tanto de quem recebe quanto de quem oferece. 

Os erros mais comuns de quem recebe ainda são: encarar o feedback como uma avaliação negativa, reagir emocionalmente de forma exagerada, parar de escutar e tentar desqualificar a percepção de quem oferece. E, por outro lado, os erros mais comuns de quem oferece são: não ser descritivo, confundir opiniões com fatos o que se traduz por julgamento, desconsiderar o estado emocional de ambos no momento do feedback (nunca dê um feedback na presença de irritação de ambos os lados), o que leva a um discurso agressivo e reatividade. 

Aliás, o discurso de feedback deve seguir um método, que ensino no livro como SAIA (Situação, Ação, Impacto e Acordo). Se o discurso seguir esse esquema simples, as chances de oferecer um feedback mais assertivo e que permita a reflexão e desenvolvimento de quem recebe, aumentam significativamente.   

GZM: A obra traz exercícios e propostas de reflexão. Que tipo de transformação prática você espera que os leitores vivenciem ao aplicar essas atividades? 

Carlos Legal: Essa, talvez, seja a grande novidade do livro. Na minha opinião, fazer apenas a leitura de um texto sem fazer uma reflexão sobre a própria condição me parece um exercício vazio. Perdemos esse hábito de anotar, de fazer apontamentos. E a ideia de incluir uma parte interativa ao final de cada texto surgiu justamente para encorajar o leitor a ponderar sobre sua própria vida, seus planos, dificuldades, desafios e se comprometer com mudanças construtivas que a leitura certamente vai provocar. Eu espero que os leitores possam, de fato, aplicar o conhecimento em suas vidas.  

GZM: O lançamento coincide com seus 25 anos de atuação em educação corporativa. Que aprendizados pessoais mais marcaram sua trajetória e se refletem neste livro?

Carlos Legal:  Em 1995, com apenas 25 anos, fiz um exercício de projeção de futuro num treinamento e me vi fazendo o que faço hoje. Ali, tomei a decisão de trabalhar com desenvolvimento de pessoas. A empresa onde eu trabalhava – uma grande multinacional – oferecia muitos treinamentos e aproveitei todas as oportunidades que tive para aprender, me envolvendo com projetos além das minhas atividades profissionais. E acabei me apaixonando pela área. Em 2000 fiz a transição. 

Me desliguei da empresa que me dava uma certa estabilidade e alguma perspectiva de carreira para empreender no mercado de consultoria de T&D e Saúde Corporativa. Na época, com 29 anos, pouquíssima experiência e pai de uma menina de 4 anos, naturalmente que fui considerado maluco e irresponsável. Passei dificuldades, como qualquer um que toma uma decisão como essa. Mas, quando olho para minha jornada 25 anos depois, me sinto feliz e realizado, pois aprendi que a decisão me trouxe para um lugar de potência, onde consigo utilizar meus talentos, competências e liberdade para apoiar outras pessoas e organizações em suas demandas por desenvolvimento pessoal e profissional. 

Por onde passei, consegui fazer amizades que se tornaram parceiros e seguem comigo até os dias de hoje. Aprendi também a ser resiliente em momentos críticos da vida e que a realização dos nossos sonhos demandam esforço, inteligência e competência. Hoje, a menina de 4 anos se tornou médica e seu pai celebra a plenitude da vida, como ela é.   

Ficha Técnica
Competências atemporais: 35 lições para o desenvolvimento pessoal e profissional
Autor: Carlos Legal
Páginas: 376
Preço: 
R$ 74

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