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ESG Now quer acelerar expansão com Brasil entrando na era da padronização ESG

sócios da ESG Now: Rafael Corrêa (CTO), Elias Neto (CEO) e Othavio Laube (COO). Foto: Felipe Rick.
Nova regulamentação exige dados estruturados, integração interna e governança robusta para atender padrões internacionais

O mercado brasileiro de capitais se prepara para uma das maiores transformações regulatórias das últimas décadas. A partir de 2026, todas as companhias de capital aberto serão obrigadas a reportar inventários de emissões e publicar relatórios de sustentabilidade alinhados a padrões internacionais, inaugurando uma fase de maior rigor, transparência e comparabilidade nas informações ESG.

A exigência marca a consolidação de um movimento global de padronização, que agora chega ao Brasil com impacto direto na governança corporativa. A primeira rodada de relatórios oficiais será divulgada em 2027, com dados referentes ao exercício de 2026.

Governança de dados ganha protagonismo

Para cumprir as novas regras, as empresas terão de estruturar rotinas contínuas de coleta de dados, integrar áreas internas, fortalecer controles e estabelecer processos permanentes de validação e asseguração. A mudança exige uma reorganização profunda da gestão de informações ambientais, sociais e de governança.

Segundo a ESG Now — startup especializada em gestão e monitoramento de estratégias ESG — o novo cenário altera completamente a dinâmica de reporte no país. “Na prática, muda tudo no ritmo e na exigência de governança das informações relacionadas à ESG. A obrigatoriedade traz uma disciplina inédita ao mercado e demanda integração entre áreas como finanças, riscos, operações, jurídico, RH e cadeia de fornecedores”, afirma Elias Neto, CEO da empresa.

Padronização internacional como divisor de águas

O alinhamento do Brasil aos padrões globais é visto como um marco regulatório que deve elevar a competitividade do mercado nacional. Com métricas comparáveis e maior transparência, investidores passam a ter mais clareza sobre riscos climáticos e socioambientais.

“Estamos vivendo um movimento de profissionalização acelerada. A padronização reduz ruídos, eleva o nível mínimo de exigência e abre portas para maior participação de investidores internacionais. É um marco regulatório que fortalece governança, competitividade e credibilidade do mercado brasileiro”, reforça Elias.

Desafios técnicos e culturais

A adequação, porém, não será simples. Entre os principais obstáculos apontados pela ESG Now estão:

  • dados ainda descentralizados e pouco confiáveis;
  • necessidade de integração sistêmica e conexão com sistemas operacionais;
  • convergência metodológica para traduzir operações locais aos padrões internacionais;
  • definição clara de governança e responsáveis pelos fluxos de dados;
  • capacitação de equipes para coleta e interpretação técnica das informações.

A startup destaca que a obrigatoriedade coloca o ESG definitivamente no centro da estratégia corporativa. A tendência é de fortalecimento das áreas de sustentabilidade, aproximação entre finanças e ESG, investimentos em sistemas e controles e aceleração de iniciativas de mitigação de riscos climáticos e socioambientais.

“Estamos entrando em uma era em que ESG não é mais discurso, é gestão. Quem estiver preparado terá ganhos de eficiência, reputação e acesso a capital”, conclui o CEO.

Para saber mais sobre o novo cenário no Brasil, a GZM conversou com Elias Neto, CEO da ESG Now. Confira:

GZM: Quais são as principais mudanças que entram em vigor a partir de 2026 para as empresas brasileiras de capital aberto no que diz respeito ao reporte ESG?

Elias Neto: A partir de 2026, as empresas de capital aberto no Brasil passam a lidar com uma mudança em relação ao reporte ESG. Até final de 2025, o tema era voluntário, as empresas que realizavam os relatórios de sustentabilidade recebiam maior visibilidade e afirmação, mas, com o início do novo ano, os relatórios passam a ser obrigatórios, padronizados e em conformidade com as normas internacionais adotadas pela CVM (Comissão de Valor Mobiliários).

Isso significa que será obrigatório reportar informações ambientais, sociais e de governança com critérios claros, com rastreabilidade dos dados e maior cuidado com as informações, principalmente quando o assunto diz respeito a riscos, impactos e métricas financeiras. E tudo isso seguindo as normas internacionais IFRS S1 e IFRS S2, com informações relevantes para investidores e dados de risco.

GZM: Por que a padronização internacional dos relatórios de sustentabilidade é considerada um marco para o mercado brasileiro, segundo a ESG Now?

Elias Neto: A padronização internacional dos relatórios de sustentabilidade é considerada um marco porque insere o mercado brasileiro na mesma régua de análise utilizada por investidores globais. Ao adotar referências internacionais, o Brasil reduz informações assimétricas, aumenta a comparabilidade entre as companhias e fortalece a confiança do mercado.

Ao nosso ver, esse movimento transforma o relatório de sustentabilidade em um instrumento/documento estratégico, que deixa de ser comunicação institucional e se torna importante para apoiar decisões de investimento, crédito e gestão de riscos.

GZM: Quais são os principais desafios operacionais e culturais que as empresas enfrentarão para se adequar às novas exigências de reporte?

Elias Neto: O principal desafio é sair de uma lógica de esforço pontual, sem muitas definições, para uma lógica de processo contínuo, com processos bem estabelecidos. Operacionalmente, muitas empresas ainda lidam com dados dispersos, planilhas descentralizadas e baixa integração entre sistemas e áreas.

Culturalmente, há o desafio de internalizar que ESG não é responsabilidade de um único departamento, mas uma agenda que impacta e envolve diversas áreas, como de finanças, jurídico, operações, RH, suprimentos e alta liderança. A adequação exige governança clara, definição de responsabilidades e, principalmente, o que mais é difícil: o amadurecimento da cultura de dados dentro das organizações.

GZM: De que forma a obrigatoriedade de reportar emissões e dados ESG altera a dinâmica interna das organizações e a integração entre diferentes áreas?

Elias Neto: A obrigatoriedade contribui com a integração de áreas que até então poderiam operar de forma isolada. Dados de emissões, cadeia de valor, riscos sociais e práticas de governança passam a exigir colaboração e, na prática, isso muda a dinâmica interna ao colocar o ESG no centro da gestão, exigindo fluxos mais estruturados e validação dos dados. O reporte deixa de ser um exercício de fim de ano e passa a fazer parte da rotina decisória da empresa.

GZM: Como a profissionalização e a melhoria da qualidade dos dados ESG podem impactar a competitividade, o acesso a capital e a credibilidade das empresas no mercado?

Elias Neto: Empresas que depositam foco e energia na gestão de dados ESG ganham vantagem competitiva porque conseguem demonstrar, com clareza e consistência, como gerenciam riscos e oportunidades associados à sustentabilidade.

Dados confiáveis podem ampliar o acesso a capital, reduzir custos de financiamento e fortalecer a relação com investidores, clientes e parceiros. Além disso, a qualidade da informação se torna um grande diferencial decisório.

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