A abertura de capital da Figma, realizada na última quinta-feira de julho (31), marcou um dos momentos mais expressivos do mercado de tecnologia nos últimos anos. A empresa encerrou seu primeiro dia de negociação com uma capitalização de mercado de quase US$ 68 bilhões, mais que o triplo do valor estimado na tentativa frustrada de aquisição pela Adobe em 2022.
As ações da Figma dispararam 250%, fechando a US$ 115,50, após o IPO ter sido precificado a US$ 33 por ação. Segundo a Renaissance Capital, esse foi o maior salto para uma oferta pública inicial acima de US$ 1 bilhão em pelo menos três décadas — superando até mesmo a Circle (168%) e a Palm (150%), em momentos distintos da história do mercado.
O que explica esse desempenho?
A magnitude da valorização surpreendeu até mesmo os analistas mais otimistas. Em geral, os bancos subscritores buscam um ganho inicial em torno de 15% para equilibrar atratividade e estabilidade. No caso da Figma, o pico de valorização indica que o IPO poderia ter sido precificado de forma mais agressiva — o que teria elevado a captação de US$ 1,2 bilhão para algo próximo de US$ 4,3 bilhões.
Apesar disso, a empresa sai fortalecida. Com ações listadas e valorizadas, a Figma ganha poder de fogo para realizar aquisições estratégicas e acelerar sua expansão.
Quem é a Figma?
Fundada em 2012 por Dylan Field e Evan Wallace, a Figma é uma plataforma de design e desenvolvimento colaborativo baseada na nuvem. Seu diferencial está na proposta de permitir que designers, desenvolvedores e gestores de produto trabalhem simultaneamente em projetos digitais — uma espécie de “Google Docs do design”.
A empresa tem sede em São Francisco e, em 2025, inaugurou seu primeiro hub na América Latina, localizado em São Paulo. O Brasil representa cerca de 50% da base regional de usuários, com mais de 5,5 milhões de arquivos criados no último ano e uma média de 85 mil edições por dia. Entre os clientes locais estão Nubank, Mercado Livre, Itaú Unibanco, BTG Pactual e Totvs [1].
Próximos passos: IA e aquisições
Em entrevista, Dylan Field afirmou que a empresa pretende investir fortemente em inteligência artificial e novas tecnologias. A abertura de capital amplia a capacidade da Figma de financiar aquisições e acelerar o desenvolvimento de produtos.
“Os investidores sabem que planejamos fazer grandes mudanças”, afirmou Field.
A Figma já vinha se posicionando como uma das empresas mais inovadoras do setor, e agora, com capital aberto e uma base global consolidada, entra em uma nova fase — com ambições ainda maiores.