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Geração distribuída avança no Brasil e projeção para 2026 aponta mais crescimento

Segundo ABGD, números de 2025 confirmam que a geração distribuída deixou de ser apenas tendência para se tornar parte estrutural do setor elétrico brasileiro

A geração distribuída (GD) fechou 2025 com a marca de 43,5 gigawatts (GW) de potência instalada no Brasil e deve seguir em trajetória de expansão neste ano. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), Carlos Evangelista, a projeção é de crescimento em torno de 15% em 2026, o que levaria o segmento a atingir cerca de 50 GW de potência instalada até o fim do ano.

De acordo com dados da ANEEL compilados pela ABGD, o país chega a 2026 com 3,87 milhões de sistemas de geração distribuída conectados à rede, espalhados por 5.565 municípios. Ao todo, são quase 7 milhões de unidades consumidoras que recebem créditos de energia, beneficiando aproximadamente 21 milhões de pessoas. “Em 2026, a projeção é que a GD alcance a marca de 50 GW de potência instalada”, avalia Evangelista.

A fonte solar fotovoltaica responde por cerca de 99% da potência instalada da geração distribuída no Brasil, consolidando‑se como principal porta de entrada para a expansão da energia limpa no país. A GD, porém, começa a incorporar de forma complementar outras fontes, como biogás de resíduos agroindustriais, pequenas centrais e sistemas de microgeração hídrica e biogás oriundo de resíduos urbanos, o que contribui para diversificar a matriz e aproveitar melhor o potencial energético regional.

Residências na liderança e interiorização

Do total de sistemas instalados, a classe residencial lidera com mais de 3 milhões de conexões, seguida pelos segmentos comercial e rural, o que evidencia a popularização do modelo tanto entre famílias quanto empresas e produtores do agronegócio. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul concentram parcela relevante da potência instalada, mas a expansão se dá de forma capilar, alcançando pequenas e médias cidades em todas as regiões.

“Apenas em 2024 e 2025, o país registrou mais de 1,5 milhão de novas conexões”, destaca o presidente da ABGD. Para 2026, a expectativa é de que, além do aumento de potência, haja avanço tecnológico, com maior integração a sistemas de armazenamento na ponta (baterias junto aos consumidores) e expansão de modelos coletivos, como condomínios solares, em que diferentes consumidores compartilham a energia gerada em uma mesma planta.

Benefícios econômicos e sistêmicos

Na avaliação da ABGD, a geração distribuída não traz apenas ganhos ambientais, mas também benefícios econômicos e operacionais para o sistema elétrico. “Além de ampliar o acesso à energia renovável, a geração distribuída traz benefícios econômicos e sistêmicos relevantes, como a redução de perdas na rede elétrica, a postergação de investimentos em transmissão e distribuição, a geração de empregos locais e qualificados e a atração de capital privado, sem onerar o Estado”, afirma Evangelista.

Segundo ele, esses efeitos positivos para a modicidade tarifária no médio e longo prazo foram demonstrados em um estudo aprofundado desenvolvido em 2025, coordenado por consultores especialistas da USP. Na prática, ao produzir energia perto do ponto de consumo, a GD ajuda a aliviar a rede, diminuir a necessidade de grandes obras de infraestrutura e estimular cadeias produtivas regionais ligadas à instalação, operação e manutenção dos sistemas.

Perspectivas e desafios para 2026

Para a ABGD, os números de 2025 confirmam que a geração distribuída deixou de ser apenas tendência para se tornar parte estrutural do setor elétrico brasileiro. “Estamos falando de um modelo que combina energia limpa, desenvolvimento econômico e benefícios diretos à população”, resume o presidente da entidade.

As perspectivas para 2026 são consideradas positivas, mas condicionadas a alguns fatores. Evangelista destaca a necessidade de previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investidores e consumidores, além de investimentos na infraestrutura de distribuição, de forma a acomodar o crescimento da geração distribuída sem comprometer a qualidade do fornecimento. Em um cenário de crescente demanda por energia e de pressão por descarbonização, o avanço da GD aparece como um dos pilares da transição energética brasileira — e os próximos meses serão decisivos para definir a velocidade dessa expansão.

Para saber mais detalhes, confira na íntegra a entrevista do Presidente da ABGD, Carlos Evangelista, ao podcast GZM Talks, da Gazeta Mercantil.

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