No início de 2025, as decisões de gigantes como Meta, Google e Walmart de reduzir ou descontinuar seus programas de Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento (DEIP) acendiam um sinal de alerta global para um cenário de incertezas. Na época, questionamos se estaríamos diante de um retrocesso ou de um ponto de inflexão capaz de gerar uma nova e mais consciente fase desses programas.
Ao longo do ano, parte dos temores se confirmou. Sob o impacto de fatores políticos e econômicos, especialmente nos Estados Unidos, muitas corporações recuaram em suas agendas de diversidade e de ESG. Os investimentos diminuíram, as metas foram diluídas, e a pauta deixou de ocupar o espaço estratégico que conquistara nos últimos anos. Em paralelo, observamos que organizações com uma cultura mais sólida e convicções enraizadas mantiveram o curso, enxergando neste momento não uma ameaça, mas uma oportunidade de aprimorar suas práticas e critérios.
Do ponto de vista da criatividade e da inovação, ainda é cedo para conclusões definitivas. Existem vários estudos que apontam que a diversidade funcional e cognitiva, aquela que reúne experiências, perspectivas e contextos diferentes, está diretamente associada à qualidade das decisões e à amplitude das soluções geradas. Quando a diversidade se reduz, tende a diminuir também a exposição a visões alternativas, o que pode gerar decisões mais rápidas, porém menos originais.
Por outro lado, há empresas que, mesmo com a desaceleração de programas formais de DEI, continuaram a investir em práticas que estimulam a colaboração interdisciplinar, a escuta ativa e o aprendizado em rede, mecanismos que também sustentam a inovação. Ou seja, o impacto não decorre apenas da presença ou ausência de políticas de diversidade, mas da maturidade com que cada organização integra essa dimensão à sua estratégia de negócio.
Apesar do aparente retrocesso, 2025 também foi um ano de depuração. A retração expôs práticas superficiais, o chamado diversity washing, e abriu espaço para uma nova fase, mais intencional e conectada à estratégia corporativa.
O próximo ciclo, que começa a se desenhar para 2026 e além, tende a ser menos performático e mais estrutural. As maioria das empresas que permanecem comprometidas com a pauta de diversidade e ESG estão:
- Reintegrando métricas de diversidade a indicadores de performance, inovação e ESG,
- Reformulando programas de liderança com foco em construção de equipes efetivas, empatia, segurança psicológica e colaboração
- Revendo processos e políticas de atração e recrutamento, retenção e promoção com base em necessidades estratégicas do negócio,
- E posicionando o tema como parte do capital humano estratégico e cultura organizacional, não como uma agenda paralela.
Em outras palavras, o discurso de pertencimento poderá estar sendo substituído por uma estratégia de inovação e sustentação de negócio inclusiva, mais pragmática e mais sustentável.
O balanço de 2025 não é apenas sobre avanços ou retrocessos, mas sobre maturidade organizacional. O que se observou foi uma separação entre empresas que tratam a DEIP como um programa de marketing institucional e as que a reconhecem como alavanca estratégica.