A construção civil entra em 2026 sob um novo regime de exigência: produtividade, previsibilidade e controle de custos deixaram de ser diferenciais para se tornarem condição básica de permanência no mercado. O custo nacional da construção atingiu 1.872,24 reais por metro quadrado em setembro de 2025, segundo o SINAPI/IBGE, alta de 5,58% em 12 meses, o que expõe o impacto de desperdícios, atrasos e falhas de coordenação entre projeto, orçamento e execução.
Para a AltoQi, desenvolvedora brasileira de soluções para projetos e Gestão Digital da Construção, 2025 marcou uma virada definitiva. “A discussão deixou de ser se a tecnologia é necessária e passou a ser como aplicá-la de forma técnica, integrada e mensurável. Quem não se organizou, sentiu no prazo, no orçamento e na previsibilidade da obra”, afirma Felipe Althoff, CEO da empresa, com sede em Florianópolis.
Crescimento existe, mas será seletivo
No front macroeconômico, 2026 tende a ser um ano de crescimento moderado, porém seletivo. Projeções do SindusCon‑SP em parceria com o FGV Ibre apontam alta em torno de 2,7% para o PIB da construção, com retomada gradual após a desaceleração de 2025, mas ainda condicionada à trajetória de juros, à capacidade de investimento público e à confiança do setor privado.
Esse ritmo não será homogêneo. “O crescimento existe, mas não será distribuído igualmente. Vai crescer quem trabalha com método, dados e integração entre projeto, obra e gestão. A era do improviso ficou para trás”, reforça Althoff, ao interpretar os dados coletados no estudo da AltoQi sobre desempenho e práticas de gestão em 2025. Empresas que seguirem tratando planejamento e controle como temas acessórios tendem a ficar na parte frágil da curva: com margens comprimidas, baixa previsibilidade de caixa e maior dificuldade de acessar crédito.
BIM, gestão digital e industrialização saem do discurso e vão ao canteiro
Um dos movimentos mais nítidos em 2025 foi a transição de conceito para prática em relação ao BIM (Building Information Modeling) e à gestão digital da construção. O BIM, antes confinado a apresentações institucionais, passou a orientar decisões reais de projeto e de obra, com uso mais frequente de modelos integrados para compatibilização de disciplinas, extração de quantitativos e suporte ao orçamento.
Ainda assim, o ritmo de adoção segue desigual. Levantamento do BIM Fórum Brasil mostra que cerca de 70% das construtoras e incorporadoras avançam de forma lenta na digitalização, mantendo fluxos fragmentados entre projeto, orçamento e planejamento. Segundo Althoff, os dados do estudo da AltoQi confirmam essa divisão: “Vemos um grupo que já trata o BIM como base da engenharia — integrando estrutura, instalações e orçamento em um modelo único — e outro que ainda opera com arquivos soltos, planilhas isoladas e decisões feitas ‘no olho”.
Off-site, IA e integração como novos vetores de competitividade
A leitura da AltoQi é de que 2026 tende a consolidar a industrialização e os métodos off‑site como eixo de competitividade. Painéis pré-fabricados, estruturas metálicas, kits hidráulicos e outros componentes produzidos fora do canteiro permitem que etapas avancem em paralelo, reduzam variabilidade e diminuam a dependência de mão de obra em campo. “A industrialização da construção passa, necessariamente, pela digitalização dos projetos. Sem informação confiável em ambiente digital, não há como viabilizar componentes industrializados em escala, com qualidade repetível”, resume Rui Gonçalves, fundador da AltoQi, ecoando o conteúdo técnico desenvolvido pela empresa.
A inteligência artificial começa a ocupar um papel complementar, mas decisivo. Em vez de substituir engenheiros, a tecnologia passa a apoiar tarefas como verificação de parâmetros, simulações de carga, análises de desempenho e previsões orçamentárias, conectada a plataformas de gestão digital. “Quando usamos IA para automatizar o que é repetitivo, o engenheiro ganha tempo para o que é essencial: decidir tecnicamente. O ganho de produtividade aparece no prazo da obra e na segurança do orçamento”, diz Althoff, com base nos testes de recursos de IA integrados ao portfólio de softwares da empresa.
Conteúdo técnico e lançamento como preparação para o ciclo 2026–2027
Para antecipar o novo ciclo, a AltoQi organizou, no fim de 2025, uma jornada de conteúdos técnicos sobre temas que apareceram como principais “dores” do setor no estudo da empresa: industrialização de instalações prediais, aumento de produtividade em projetos estruturais e integração entre projetos e orçamento em ambiente BIM. Esses encontros desembocam no Lançamento AltoQi 2026, evento digital gratuito marcado para 10 de março, que apresentará as inovações previstas para o ano em três frentes: instalações prediais, gestão digital da construção e projetos estruturais.
O destaque ficará por conta do recurso Nodes, no software Eberick, criado para dar ao projetista maior poder de customização e automação no desenvolvimento de estruturas. “O Nodes coloca na mão do projetista a capacidade de construir exatamente o que precisa dentro do software, com lógica e automação, em vez de depender apenas de recursos pré-configurados. Isso muda o patamar de produtividade e precisão dos projetos estruturais no Brasil”, afirma Althoff. Para a empresa, a mensagem que sai do balanço de 2025 é direta: o futuro da construção já começou — e ele exige menos improviso e mais engenharia apoiada em dados, tecnologia e processo, sob pena de ver o crescimento de 2026 passar ao largo.
