Em 2026, a parcela mais antiga da geração Baby Boomer, nascidos entre 1946 e 1964, completa 80 anos. É um marco simbólico. Não apenas biográfico, mas econômico e civilizacional, reforçando a premissa de que a longevidade é um processo de alto impacto para os países.
Nos Estados Unidos, segundo estudos da Pew Research Center, os Boomers formaram a geração que mais acumulou riqueza na história moderna. Estimativas apontam que detêm algo próximo de US$ 85 trilhões em ativos. Em 2022, o patrimônio líquido mediano de uma família chefiada por um Baby Boomer era de US$ 432.200 (valores ajustados para 2024). Para efeito de comparação, adultos mais velhos da Geração Silenciosa (1928-1945), na mesma faixa etária em 2001, tinham patrimônio mediano de US$ 335.900. Em 1983, membros da chamada Grande Geração (1901-1927) possuíam US$ 185.300.
Os números não contam toda a história
A riqueza dos Boomers não é homogênea. Em 2022, as famílias dessa geração somavam US$ 77 trilhões em patrimônio e os 10% mais ricos concentravam 71% desse total. Educação é fator decisivo. Famílias chefiadas por Boomers com diploma universitário tinham patrimônio mediano superior a US$ 1 milhão. Já aqueles sem formação superior não apresentam vantagem significativa em relação às gerações anteriores com escolaridade semelhante.
Ou seja: a prosperidade da geração Baby Boomer reflete tanto o contexto macroeconômico favorável do pós-guerra quanto o acesso ampliado ao ensino superior, à expansão imobiliária, ao crédito e ao mercado de capitais.
Demograficamente, o impacto foi igualmente notável. Em 1964, auge da geração, os Boomers representavam 37% da população americana: 72,5 milhões de pessoas. O número absoluto chegou a 79 milhões em 1999, impulsionado pela imigração. Em 2024, eram cerca de 67 milhões, correspondendo a 20% da população total.
Estamos, portanto, diante da geração que moldou o consumo de massa, consolidou o capitalismo financeiro, expandiu o crédito imobiliário, redefiniu padrões culturais e elevou o padrão de vida médio de forma significativa.
Mas a relevância dos Boomers não pode ser reduzida à acumulação de riqueza. Ela precisa ser compreendida dentro de um contexto maior: o de uma sociedade que hoje convive, simultaneamente, com cinco gerações ativas.
Geração X, Millennials e Gen Z enfrentam desafios distintos: mercado de trabalho mais volátil, habitação mais cara, endividamento estudantil elevado, transformações tecnológicas aceleradas. Ainda assim, a trajetória econômica das nações foi construída sobre bases consolidadas por essa geração que agora chega aos 80.
Os Baby Boomers no Brasil
No Brasil, infelizmente, não temos estudos que dimensionem com precisão a contribuição dos Boomers, mas é fato que essa geração exerceu – e exerce – um papel hegemônico no desenvolvimento socioeconômico do país. A população 60+, por sua vez, já é superior a 35 milhões. Desse total, segundo dados do Sebrae, 4,3 milhões são empreendedores, que correspondem a 14,3% do total. Um crescimento de 53%, a partir de 2012. Recortando o universo dos 80+, o número de longevos cai para 4,6 milhões, mas representa uma evolução percentual superior a 150%, registrada no período entre 2000 e 2022.
A questão central não é comparar, mas integrar.
Vivemos a primeira era verdadeiramente intergeracional da história. Experiência e ousadia precisam coexistir. A maturidade acumulada ao longo de oito décadas é um ativo estratégico. A energia transformadora das gerações mais jovens é o complemento qualificado.
Se quisermos enfrentar os desafios do século XXI, leia-se transição demográfica, revolução tecnológica, mudanças climáticas, reorganização do trabalho, precisamos promover a convergência desses dois vetores.
Respeitar a contribuição dos Baby Boomers não significa ignorar desigualdades ou tensões geracionais. Significa reconhecer que o futuro será mais sólido quando construído a partir do diálogo entre quem acumulou experiência e quem carrega a inquietação pela inovação.
A economia pode ser mensurada em trilhões. Mas a verdadeira riqueza está no fator humano e na nossa capacidade de aprender entre gerações.