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Egressos de POLI e ITA se unem para lançar InovaSenior, rede de engenheiros experientes voltada à inovação corporativa

Iniciativa reúne comunidade de engenheiros sêniores que disponibilizam sua vivência profissional como recurso para inovação, gestão e desenvolvimento de projetos

Durante décadas, a Escola Politécnica da USP (POLI) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) protagonizaram uma saudável disputa pela liderança na formação de engenheiros no Brasil. Agora, ex-alunos dessas duas instituições de excelência se unem em um novo projeto que transforma conhecimento acumulado em ativo estratégico para empresas: nasce a InovaSenior.

A iniciativa reúne profissionais formados pela POLI e pelo ITA que, ao longo de suas carreiras, lideraram obras tangíveis e intangíveis — de aviões e edifícios a softwares, bancos e até políticas públicas. Entre os nomes que passaram por essas instituições estão figuras como Jânio Quadros, Pedro Malan, Ozires Silva, Demi Getschko, José Roberto Mendonça de Barros, Marcos Pontes e Conrado Engel.

Agora, esse capital humano se organiza em rede para oferecer às empresas uma nova forma de acesso à inteligência técnica e estratégica: a experiência.

InovaSenior

A iniciativa InovaSenior é uma comunidade de engenheiros sêniores que disponibilizam sua vivência profissional como recurso para inovação, gestão e desenvolvimento de projetos. A proposta é conectar empresas que valorizam o conhecimento que vem do tempo com profissionais que acumulam décadas de atuação.

O grupo atuará em setores diversos como indústria, tecnologia, infraestrutura, energia, finanças, mobilidade e defesa.

União de legados

A união entre POLI e ITA representa mais do que uma parceria institucional — é a convergência de dois legados que moldaram o Brasil moderno. Com a InovaSenior, esses profissionais passam a atuar como mentores, conselheiros e solucionadores de problemas complexos, contribuindo para acelerar decisões e fortalecer a inovação corporativa.

Ricardo Mucci, head de editoria da GZM, conversou com dois fundadores do grupo, Ricardo Pessoa e Dário Gramorelli, sobre o projeto e as perspectivas para o futuro.

Ricardo Mucci: O que motivou a criação do InovaSenior?

R: A ideia inicial, surgida dentro do grupo dos alumni da POLI, era a atualização e inclusão digital de engenheiros seniores. Posteriormente, através dos contatos pessoais entre colegas da POLI e do ITA, a ideia evoluiu. A carência de engenheiros no país, com suas consequências na produtividade e competitividade nacionais, era clara para este nosso grupo, formado majoritariamente por engenheiros seniores e empresários, a maioria com mais de 50, 60 e 70 anos e ainda trabalhando, ativos e produtivos. 

Olhando em torno, vimos que nosso grupo não era uma exceção. E nos perguntamos: por que não utilizar essa mão de obra para suprir a carência de engenheiros? Por que essa capacidade técnica é retirada do mercado, se a longevidade nos permite continuar ativos e produtivos aos 70, 80 anos? A partir de então, a ideia do InovaSenior prosperou para ser mais do que uma plataforma de treinamento ou atualização profissional. 

Passou a ser uma proposta para disponibilizar a experiência sênior para a um mercado sabidamente carente de profissionais capacitados. Um ponto importante: a POLI/USP e o ITA, como instituições, não participam desta iniciativa. Ela é o resultado das suas associações alumni, respectivamente Poli Alumni e AEITA.

Ricardo Mucci: Qual o propósito do InovaSenior? Há um foco de atuação específico ou é diversificado, por conta das múltiplas competências dos integrantes?

R: O principal propósito é a reinserção dos profissionais sêniores no mercado de trabalho, provendo sua atualização e adequação à forma e ao ambiente de trabalho atual e, de outro lado, identificando onde são necessários. O “matchmaking” de capacidades e necessidades será feito via ferramentas de inteligência artificial. Um segundo objetivo, de caráter estratégico para o país, é resgatar a experiência desses profissionais. 

Sabidamente o Brasil é carente de engenheiros experientes, e todas as projeções apontam para o aumento dessa deficiência nos próximos anos. Estudos que realizamos, tendo por base dados atuais, mostram que seriam necessários 14 anos de formação de engenheiros para suprir as necessidades projetadas para o Brasil até 2030! Meta impossível de atingir – 14 anos em 5 – a não ser recorrendo aos sêniores. 

Um terceiro propósito, explicitamente pactuado entre os fundadores, é retornar à POLI/USP e ao ITA, por meio de suas associações alumni, os recursos excedentes da atividade, com foco no apoio a alunos vulneráveis e no incentivo das atividades estudantis. É a operacionalização da cultura de “give-back” tão praticada no exterior, mas pouco aplicada no Brasil. 

Outro ponto importante: muitas empresas, tanto consolidadas quanto startups, têm suas operações e inovações impactadas negativamente pela falta de experiência e capacidade técnica. Faltam profissionais para avaliar projetos básicos e executivos antes de levá-los ao campo. Startups não conseguem participar de financiamentos ou programas de incentivo por não terem em seus quadros profissionais e pesquisadores experientes. 

Através do InovaSenior, poderão contar com profissionais capacitados, experientes e com conhecimento de mercado. Vamos incentivar e apoiar as iniciativas de empreendedorismo e inovação, oferecendo consultoria, mentoria orientação para profissionais e equipes juniores, assim como vamos participar de startups e hubs de inovação. Os egressos de ambas as escolas, pela qualidade de sua formação, são muito procurados por todos os segmentos de mercado, inclusive fora da Engenharia. 

Por outro lado, a rede formada pelos egressos se estende, de fato, por um grande número de atividades e, sem exagero, pelo mundo todo. Estas redes constituem um canal disponível que está praticamente pronto para ser utilizado. Além disto, o sênior, pela experiência acumulada, se habilita em muitas atividades transversais, que além de englobarem a Engenharia, se estendem também para a gestão e governança empresarial.

Ricardo Mucci: É fato que o etarismo ainda está presente em nossa sociedade. Antes de lançar o InovaSenior foi feita alguma pesquisa para saber se o mercado estaria receptivo para uma iniciativa com tais características?

R: Diversos fundadores do InovaSenior já trazem experiência na atuação do mercado de longevidade, inclusive alguns pioneiros no combate ao etarismo no país. Contudo, não estamos falando de combate ao preconceito ou de integração de seniores ao mercado de trabalho como objetivo. 

Não somos uma iniciativa DEI (diversidade e inclusão); somos uma resposta a demandas concretas de muitas empresas; uma resposta a desafios estratégicos para o país. A assertividade de nossa proposta foi tanta que, em menos de 2 meses de operação, estamos sendo obrigados a priorizar as demandas e pedir paciência a quem busca nossos serviços

Ricardo Mucci: Tendo em vista o perfil multidisciplinar dos profissionais, quais são as principais competências que vocês classificam como um diferencial do projeto?

R: A abordagem estratégica é o nosso grande diferencial. Não estamos trabalhando pela inclusão de seniores, e não vamos competir com os jovens profissionais. Pelo contrário, nossa intenção é complementar a atuação dos mais jovens e das equipes das empresas, adicionando experiência, maturidade, conhecimento de mercado, network e a capacidade de fazer uma curadoria do conhecimento, principalmente neste momento de intenso uso de Inteligência Artificial.

Ricardo Mucci:: Olhando para o cenário da longevidade no Brasil, com o envelhecimento acelerado da população e a elevação da expectativa de vida, quais são os principais desafios que o país tem pela frente, para enfrentar esse desafio? E como o InovaSenior pode contribuir para enfrentá-los?

R: Sem dúvida, com o envelhecimento de nossa população, a questão da longevidade produtiva será cada vez mais relevante, tanto por necessidades econômicas, quanto pela própria saúde dos seniores. O trabalho nos traz socialização compulsória, autoestima e propósito, fundamentais para combater um dos principais problemas que impactam negativamente o envelhecimento saudável: a solidão, mãe da depressão e suas consequências, já comparada em pesquisas médicas a fumar 15 cigarros por dia. 

Nós perdemos o bônus demográfico e não conseguimos enriquecer o país de forma suficiente para sustentar nossas necessidades. O InovaSenior traz a proposta de compensarmos e até revertermos essa perda, utilizando o bônus da longevidade como recurso para crescimento econômico e bem-estar social. 

E, nesse sentido, o InovaSenior é de fato uma inovação e pode ter impacto extremamente positivo, propiciando uma conexão que ainda não existe de forma adequada entre o mercado e os profissionais seniores.

Ricardo Pessoa e Dário Gramorelli afirmam que a receptividade do projeto supera qualquer expectativa. Várias empresas manifestaram interesse pela proposta de trabalho e, em breve, os “polivalentes” estarão em campo, novamente, contribuído para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. 

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