A mineradora ArcelorMittal, em parceria com a empresa Atlas Renewable Energy, anunciaram a finalização, com três meses de antecedência, da implantação do lado B do Parque Solar Luiz Carlos, em Paracatu (MG). O empreendimento, que passa a ser integralmente da ArcelorMittal a partir de dezembro de 2025, marca a primeira operação solar da produtora de aço no país. Com capacidade instalada de 315 MWp e geração estimada de 74 MW médios anuais, o parque integra o plano de expansão da empresa em energia renovável.
O investimento total foi de R$ 895 milhões, direcionado à meta de autossuficiência energética das unidades industriais da companhia. Segundo Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM, toda a energia produzida será destinada às operações da empresa, contribuindo para diversificação da matriz, redução de custos e aumento da competitividade.
A infraestrutura inclui uma linha de transmissão de 65 km, com tensão de 500 kV, conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), além de subestação elevadora e ponto de conexão na subestação Paracatu 4.
Modelo BOT e parceria com a Atlas
O projeto foi desenvolvido no modelo BOT (Build, Operate and Transfer), no qual a Atlas participa da construção e operação inicial, transferindo posteriormente o ativo para a ArcelorMittal. Para Fábio Bortoluzo, presidente da Atlas no Brasil, o projeto reforça a capacidade da empresa de entregar soluções personalizadas e dentro do prazo, além de evidenciar o alinhamento entre as duas companhias em relação a compromissos ambientais.
O parque recebeu 516 mil módulos solares bifaciais e sistemas avançados de trackers, que acompanham o movimento do sol para otimizar a geração. O projeto também é o primeiro da Atlas a utilizar integralmente a tecnologia Trunk Cable, um sistema pré-montado de cabeamento que substitui instalações manuais, reduzindo tempo de montagem, aumentando confiabilidade e melhorando a organização das conexões.
Energia renovável como estratégia industrial
O Parque Solar Luiz Carlos integra o plano de R$ 5,8 bilhões da ArcelorMittal em energias renováveis, que inclui ainda um parque híbrido — eólico e solar — na Bahia. A meta da companhia é atingir 100% de energia elétrica proveniente de fontes renováveis até 2030. Em 2024, a empresa registrou 61% de autogeração e adquiriu 39% de energia de fornecedores com matriz limpa.
A companhia também vem ampliando a eficiência energética em suas unidades, com sistemas de recuperação de calor e reaproveitamento de gases industriais. As usinas de Tubarão (ES) e Pecém (CE) já são autossuficientes em energia elétrica, reduzindo a demanda sobre o sistema nacional.
Mercado de energia solar no Brasil: expansão acelerada e novos perfis de investimento
O avanço do Parque Solar Luiz Carlos ocorre em um momento de forte expansão da energia fotovoltaica no Brasil. O país consolidou-se nos últimos anos como um dos maiores mercados solares do mundo, impulsionado por custos competitivos, disponibilidade de radiação solar e crescente demanda por fontes renováveis.
A geração centralizada — grandes usinas como a de Paracatu — tem ganhado relevância na matriz elétrica, atraindo investimentos de empresas industriais que buscam reduzir exposição ao mercado regulado e garantir previsibilidade de custos. A modalidade de autoprodução, adotada pela ArcelorMittal, tornou-se uma das principais estratégias corporativas, permitindo que grandes consumidores invistam diretamente em ativos de geração.
Além disso, o setor tem registrado avanços tecnológicos, como módulos bifaciais, trackers mais precisos e sistemas de cabeamento pré-montado, que reduzem custos operacionais e aumentam a eficiência energética. A combinação entre inovação, escala e políticas de incentivo tem ampliado a competitividade da energia solar frente a outras fontes.
Com a expansão contínua da capacidade instalada e a entrada de novos players industriais, o mercado brasileiro tende a consolidar um ecossistema mais diversificado, no qual grandes consumidores assumem papel ativo na geração de energia. Projetos como o Parque Solar Luiz Carlos ilustram essa tendência e reforçam a transição para modelos de produção mais sustentáveis e integrados às estratégias corporativas de longo prazo.
