PPPs no Brasil ganham fôlego no primeiro semestre de 2025, apesar de desafios regulatórios e macroeconômicos

Apesar de oscilações entre março e maio, o semestre mostrou resiliência e diversificação setorial. Atuação de entidades estruturadoras e avanços regulatórios têm sido decisivos para viabilizar projetos complexos.

O mercado brasileiro de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões encerrou o primeiro semestre de 2025 com sinais mistos, mas promissores. Segundo o relatório iRadarPPP, elaborado pela consultoria Radar PPP, o índice que mede a atividade do setor registrou alta de 7,9% no semestre, alcançando 177,4 pontos, com um estoque de investimentos estimado em R$ 1,862 trilhão.

Apesar de uma retração entre março e maio — período em que o índice caiu cerca de 13,4% — o mês de junho trouxe recuperação, impulsionada por 39 novas iniciativas e 24 licitações publicadas, o segundo maior número do ano.

Foram assinados 66 contratos no semestre, totalizando mais de R$ 82 bilhões em investimentos, com destaque para projetos como as Linhas 11, 12 e 13 da CPTM e concessões rodoviárias em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Diversificação e expansão setorial

O relatório aponta uma diversificação crescente dos setores atendidos pelas PPPs. Além das tradicionais áreas de transporte e logística, ganham espaço projetos em saúde, educação, meio ambiente e ativos imobiliários. O setor de saúde, por exemplo, teve destaque em abril, mesmo com a retração do índice, enquanto a educação viu avanços com os contratos das “Novas Escolas” em São Paulo.

Segundo Guilherme Naves, sócio da Radar PPP, “o amadurecimento institucional dos entes federativos e o apoio de entidades estruturadoras têm sido decisivos para a expansão das PPPs, especialmente em setores sociais”.

Financiamento e apoio institucional

A expansão das PPPs no Brasil está diretamente ligada à restrição fiscal dos governos e à busca por alternativas de financiamento. Frederico Ribeiro, também da Radar PPP, destaca que “as crises fiscais levaram os governos a enxergar nas PPPs uma forma de viabilizar investimentos que o setor público não consegue realizar sozinho” [1].

Além disso, o marco legal das PPPs (Lei nº 11.079/2004), que completou 20 anos em 2024, e o novo marco do saneamento (Lei nº 14.026/2020) têm sido fundamentais para atrair capital privado e estruturar projetos com maior segurança jurídica.

Tendências para o segundo semestre

O relatório da Radar PPP aponta três grandes tendências para o restante de 2025:

  • Consolidação do pipeline de projetos, com destaque para os meses de março e maio, que registraram os maiores volumes de novas iniciativas.
  • Diversificação setorial, com crescimento em áreas como florestas públicas, cidades inteligentes e energia sustentável.
  • Foco em robustez técnica, com maior exigência por estudos consistentes e alinhamento estratégico com investidores.

A expectativa é que o segundo semestre seja marcado por maior seletividade do mercado, com pressão por resultados em projetos apoiados por entidades estruturadoras e maior atenção à viabilidade técnica.

Panorama histórico e perspectivas

Comparando com os anos anteriores, o primeiro semestre de 2025 mostra uma leve queda no número de novas iniciativas (232), mas mantém um patamar elevado de licitações (104) e contratos assinados (66). Isso indica uma maturação do mercado, com menos anúncios e mais entregas concretas.

O Brasil vive atualmente um boom de licitações, especialmente em PPPs sociais, como educação e saúde, que têm potencial transformador para a infraestrutura pública. Segundo especialistas, esse modelo representa uma alternativa eficiente e colaborativa entre Estado e iniciativa privada, com ganhos de escala e impacto social.

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