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Quando o papel segura o país: uma fábrica centenária revela a economia que funciona em silêncio

Nova reportagem da série Brasil Produtivo traz o perfil de uma indústria centenária e essencial ao país, fabricando papéis especiais para os mais diversos fins, como o que imprime a moeda brasileira

Em Salto, no interior de São Paulo, uma fábrica de 136 anos ajuda a sustentar, de forma discreta, o funcionamento da economia brasileira. É a Blendpaper, herdeira direta da primeira produtora de papel do Brasil e da América Latina, hoje referência em papéis de segurança – usados em cédulas de dinheiro, documentos oficiais e evidências físicas de autenticidade – e em papéis especiais para rótulos, embalagens de luxo e impressão de alta performance.

A grande reportagem da série Brasil Produtivo, um projeto em colaboração entre a GZM e o grupo Mercado&Opinião, deu origem a um eBook exclusivo que reconstrói a trajetória da empresa desde a antiga Papel de Salto, idealizada no século XIX, passando por ciclos de controle inglês, italiano, grupos nacionais como Papel Simão e Votorantim, multinacionais como Arjo Wiggins e Fedrigoni, até a compra por investidores brasileiros em 2020 e o reposicionamento como Blendpaper. 

A narrativa mostra como uma ex‑filial de multinacional, altamente dependente de um único cliente, se transformou em protagonista global em papéis de alta segurança e em solução estratégica para a economia real.

Entre os destaques do ebook estão:

  • a virada de gestão que substituiu uma cultura de acomodação por meritocracia, senso de dono e participação ativa dos times em decisões e melhorias;
  • o “choque de fábrica”, com investimentos em segurança operacional, reorganização de fluxos, redução de desperdícios e implantação de uma caldeira de biomassa para reduzir custos e emissões;
  • a mudança de perfil comercial, que derrubou a dependência da Casa da Moeda de cerca de 90% do faturamento para patamar inferior a 30%, abrindo espaço para exportações e novos nichos de alto valor agregado;
  • o impacto econômico em Salto, onde a empresa é um dos principais empregadores privados, anunciou investimentos da ordem de R$ 20 milhões e coloca a cidade no mapa global de papéis especiais e de segurança.

A reportagem também discute o futuro de um setor considerado maduro, mas estratégico: em um mundo cada vez mais digital, cresce a demanda por papéis de segurança e evidências físicas de legitimidade, impulsionada por insegurança, inflação, demografia e avanço do crime organizado. 

E é nesse cruzamento entre história industrial, tecnologia, governança e soberania econômica que a Blendpaper aparece como um retrato preciso do Brasil produtivo que a série quer revelar: empresas que não ocupam o noticiário diário, mas que, folha a folha, ajudam a segurar – literalmente – a confiança que move o país.

Gian Filli, CEO da Blendpaper

A reportagem disponível no site do projeto Brasil Produtivo traz uma entrevista completa realizada por Marcos Koenigkan, presidente do Mercado&Opinião, com Gian Filli, CEO da Blendpaper. Veja a seguir alguns trechos da conversa:

Marcos Koenigkan: Na sua visão, o que significa liderar um grande grupo empresarial no Brasil de hoje?

Gian Filli: Liderar uma empresa no Brasil de hoje significa, no âmbito coletivo, melhorar vidas através da criação de empregos, da produção de bens e serviços essenciais para a sociedade e da geração de receita para o Estado. No âmbito individual, significa tocar vidas — e ser tocado pelas histórias de cada pessoa.

Marcos Koenigkan: Quais são os maiores desafios e oportunidades do seu setor no ambiente econômico brasileiro?

Gian Filli: Os maiores desafios são os mesmos que todos os empresários brasileiros enfrentam e que se resumem no chamado Custo Brasil: arcabouço fiscal complexo, infraestrutura deficiente, insegurança jurídica, problemas de segurança pública, entre outros. Já as oportunidades surgem justamente na busca por formas de contornar esses obstáculos ou, no mínimo, mitigar os riscos que eles geram.

Marcos Koenigkan: O que o Brasil faz bem na economia produtiva, mas ainda recebe pouco reconhecimento?

Gian Filli: O Brasil tem desenvolvido uma boa capacidade de adaptação tecnológica e eficiência operacional na indústria de transformação — algo que nem sempre recebe a devida atenção, mas que contribui para nossa competitividade. No setor de papel e celulose, por exemplo, operamos com padrões sólidos de qualidade, sustentabilidade e produtividade. Temos plantas industriais modernas, processos certificados internacionalmente e uma prática consistente de melhoria incremental que mantém nossa indústria competitiva.

Outro ponto importante: ao longo de décadas navegando um ambiente econômico volátil, desenvolvemos uma resiliência operacional robusta. Aprendemos a manter as operações funcionando mesmo diante de incertezas macroeconômicas, jurídicas e fiscais. Essa capacidade de entregar resultados consistentes em cenários adversos é uma competência valiosa que nos diferencia.

Marcos Koenigkan: Que movimentos de futuro você considera inevitáveis para o seu setor nos próximos anos?

Gian Filli: É muito difícil falar em movimentos inevitáveis, pois essas previsões partem sempre de uma premissa falsa: ceteris paribus. Entretanto, olhando pra frente vejo que o consumo de papel moeda continuará a crescer no mundo todo, motivado pela sensação generalizada de insegurança, aumento demográfico e pressão inflacionária, dentre outros; que haverá um aumento de demanda por evidências físicas de legitimidade, portanto fazendo crescer a demanda por papéis de segurança, motivado pelo avanço de organizações criminosas na sociedade economicamente organizada.

A série Brasil Produtivo tem uma página especial que você pode acessar neste link: https://www.gazetamercantil.digital/brasil-produtivo/

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