A trajetória de Ana e Eduardo Macedo, casal curitibano que uniu experiências distintas para criar um novo modelo de assessoria editorial no Brasil, vem ganhando força no mercado literário. Eles são os fundadores da VC.autor, rede que nasceu com a proposta de democratizar o acesso à escrita e mostrar que qualquer pessoa — independentemente de formação ou experiência — pode transformar sua história em um livro.
A ideia surgiu quando Ana, então professora infantil concursada, ajudou uma amiga a escrever um livro. A experiência revelou um padrão: muitas pessoas tinham boas histórias, mas não sabiam por onde começar. Ao lado de Eduardo, gestor premiado e especialista em pessoas e negócios, ela estruturou o que viria a ser o Método LEVE, base da empresa.
O sistema combina mentoria, planejamento de escrita, suporte emocional e acompanhamento personalizado, permitindo que novos autores organizem ideias e concluam seus projetos com segurança. O método se tornou o diferencial da marca e impulsionou sua expansão.
De uma conversa casual à criação de uma rede
A semente da VC.autor foi plantada em uma conversa com o dono de uma gráfica, quando Eduardo percebeu que autores independentes precisavam de mais do que serviços editoriais: buscavam orientação estratégica. O primeiro livro produzido pela empresa foi feito gratuitamente, como teste, e confirmou o potencial do modelo.
A entrada do especialista em franquias André Ribeiro acelerou o crescimento. Hoje, a rede conta com quatro unidades — entre São Paulo e Curitiba — e planeja chegar a dez até o fim do ano. O Nordeste é prioridade na expansão, devido à forte tradição literária e ao aumento da procura por formação de novos autores.
Com faturamento de R$ 400 mil em 2024 e projeções de R$ 750 mil para 2025 e R$ 1,2 milhão para 2026, a empresa já acompanhou mais de 300 autores. Entre as histórias marcantes está a de Dona Lídia do Prado, agricultora que, mesmo com limitações motoras e linguísticas, escreveu seu livro digitando com os ossos dos dedos, apoiada pelo método LEVE.
Novidades e fortalecimento da comunidade de autores
A VC.autor prepara uma série de iniciativas para ampliar sua atuação. Entre elas está a IA Let’s Literária, ferramenta criada para apoiar o processo criativo sem substituir o autor. A empresa também organiza o primeiro VC.autor Summit, evento que reunirá autores, franqueados e parceiros.
Cursos e workshops também fazem parte da estratégia, com destaque para o “Colocando no Papel”, formação inspirada no manual que deu origem ao método LEVE e que ensina o passo a passo da escrita, da organização das ideias à finalização do livro.
Para saber mais detalhes sobre a empresa, a GZM conversou com Ana Macedo, co-fundadora da Vc.autor. Confira:
GZM: O que mais impede as pessoas de escreverem um livro e como o Método LEVE atua para superar essas barreiras?
Ana Macedo: Muitas pessoas não sabem como começar a escrever. Algumas até começam, mas por falta de um planejamento de escrita acabam travando e atribuem ao bloqueio criativo, quando na verdade só precisam organizar as ideias e deixar de forma clara do começo ao fim. O Método LEVE ajuda os escritores exatamente nessa etapa: organizar as ideias de forma lógica e atraente, mesmo que na cabeça tudo pareça uma grande bagunça. Com a técnica, o escritor terá um roteiro organizado pra sentar e escrever sem sofrimento.
GZM: Como a VC.autor identifica o perfil de cada autor e personaliza o acompanhamento durante o processo de escrita?
Ana Macedo: Cada pessoa tem seu jeito próprio de se comunicar. Quando estamos na reunião de orientação de escrita e roteirização, alguns falam muito, dando muito conteúdo para o roteiro, e outros falam pouco (só o básico ou até menos que isso). Nesses casos, precisamos buscar extrair dele as informações necessárias pra criar o roteiro, com perguntas direcionadas ao objetivo do livro e ao público com quem ele quer se conectar.
Essa percepção (do tipo da entrega que o autor fará nessa reunião) é essencial para que possamos extrair de forma objetiva o conteúdo. Dessa forma, cada reunião é única e totalmente personalizada.
GZM: Quais fatores explicam o crescimento da rede e o interesse crescente por franquias de assessoria editorial?
Ana Macedo: Apesar do que muitos dizem, o livro não está morrendo e não vai desaparecer nos próximos anos. Notamos que grandes redes de livrarias fecharam, mas o fato é que as pessoas não pararam de ler, e sim mudaram a maneira de adquirir os livros. Há também outro ponto importante a se considerar: muitos estão se interessando pelo que é analógico.
O digital tomou conta de todas as esferas da nossa vida e, quando se trata de lazer, a população tem buscado cada vez mais coisas analógicas. A prova disso é o retorno de videocassetes, discos de vinil e celulares sem acesso à internet. O livro é uma maneira analógica de ler e nunca será substituída pela leitura digital, pois a experiência é completamente diferente. O livro tem cheiro, som, textura e traz um senso de pertencimento que nenhum livro digital terá.
Porém, o interesse na franquia está ligado a oportunidade de gerar legado. Porque livro é legado. Deixar registrado seu conhecimento, sua experiência, seu método ou qualquer fator que se queira deixar para as próximas gerações tem despertado muito interesse. Por isso, é um mercado que ainda permite ser explorado por muitos anos.
GZM: Por que o Nordeste foi escolhido como foco principal da expansão em 2026?
Ana Macedo: O Nordeste tem uma cultura leitora muito forte. O que comprova são as notas no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (IDEB), em que a região se mostra à frente do Sul, e a leitura é, com certeza, ponto determinante para esse sucesso. Se tem leitor, tem escritor. E, se tem escritor, queremos estar por lá.
GZM: De que forma a IA Let’s Literária contribui para o processo criativo sem comprometer a autenticidade do autor?
Ana Macedo: A IA Let’s é uma assistente treinada para organizar e oferecer o roteiro de escrita para o escritor. Em nenhum momento, ela vai criar algo da “própria cabeça”, mas vai ajudar quem está escrevendo a extrair o conteúdo para o seu livro. A IA não vai escrever o livro, mas sim contribuir na organização, enquanto o trabalho de escrever fica a cargo do autor. Assim, a autenticidade fica garantida, principalmente porque cada roteiro é único, com histórias ímpares.
GZM: Entre os mais de 300 autores atendidos, quais transformações pessoais ou profissionais mais chamaram a atenção da equipe?
Ana Macedo: Temos autores que relataram retornos indiretos na casa de 300 mil reais com seus livros. Isso aconteceu porque usaram a obra como estratégia de venda da sua consultoria. Quando o cliente, que ainda estava em dúvida sobre fechar o serviço, leu o livro, tomou sua decisão e a autoridade em mente era nosso cliente. Temos um outro autor, que percebeu clientes grandes, que ele estava prospectando sem muito sucesso, abrirem as portas depois de verem postagens do lançamento do seu livro. Logo após, conseguiu reuniões e fechamentos de negócios. Além de autores que fizeram mais de 100 mil reais em vendas de seus livros.
GZM: Como a empresa enxerga o futuro do mercado editorial independente no Brasil e qual papel pretende ocupar nesse cenário?
Ana Macedo: O futuro do mercado editorial é promissor. O livro não está morrendo, muito pelo contrário: a cada dia as pessoas têm encontrado a necessidade de registrar suas histórias com a ideia de deixar um legado e ajudar o próximo. A VC.autor tem o papel de facilitar o acesso de qualquer pessoa que queira escrever, tornando esse processo mais leve.