A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou em maio de 2025 a Sondagem Especial nº 96 – Economia Circular: Barreiras, Oportunidades e Práticas na Indústria. O documento reúne dados inéditos sobre como empresas brasileiras estão lidando com a transição de um modelo linear de produção e consumo para práticas circulares, que buscam reduzir desperdícios, reaproveitar recursos e regenerar sistemas naturais.
Principais pontos do relatório
- Adoção crescente: 6 em cada 10 indústrias já aplicam práticas de economia circular, seja por exigências regulatórias, como a logística reversa, ou por iniciativas próprias de inovação.
- Benefícios percebidos: 58% das empresas acreditam que ações circulares contribuem para reduzir emissões de gases de efeito estufa, reforçando o papel da indústria na agenda climática.
- Barreiras identificadas:
- Regulatórias: escassez de incentivos para uso de recursos secundários.
- Econômicas: altas taxas de juros e falta de demanda para produtos circulares.
- Tecnológicas: ausência de mão de obra qualificada e baixa colaboração com centros de pesquisa.
- Culturais: percepção negativa dos consumidores sobre produtos reciclados ou recondicionados.
- Diferenças por porte: pequenas e médias empresas enfrentam mais dificuldades com mão de obra e desconhecimento tecnológico, enquanto grandes indústrias apontam custos elevados como principal obstáculo.
- Sugestões ao governo: ampliar incentivos econômicos para infraestrutura de reciclagem e inovação, garantir isonomia tributária entre materiais reciclados e virgens e facilitar acesso ao crédito.
Contexto global
O relatório destaca que o consumo mundial de materiais deve dobrar nos próximos 40 anos, e que sem ações urgentes a extração de recursos pode crescer 60% até 2060. Nesse cenário, a economia circular surge como alternativa estratégica para enfrentar crises interligadas como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e uso insustentável de recursos.
Conclusão
O estudo da CNI funciona como um diagnóstico essencial para orientar políticas públicas e estratégias empresariais. Ele mostra que, apesar dos desafios, há um movimento consistente da indústria brasileira em direção à circularidade, com potencial de colocar o país em posição de liderança na transição para um modelo econômico mais sustentável.
O relatório completo está disponível neste link