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Retail Mind Group entra no Brasil e oferece expansão e internacionalização aos pequenos e médios varejistas

A country manager Manoela Whitaker estuda iniciar operações de M&A, real state e franchising no país (Divulgação)
Marca portuguesa atua em 30 países e possui mais de 3 mil lojas mundo afora e escolhe o Brasil como próximo passo para expansão global

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A multinacional portuguesa Retail Mind Group, responsável pela expansão de mais de 150 marcas na Europa e na América Latina, escolheu o Brasil como seu próximo movimento estratégico e confiou a operação a Manoela Whitaker, ex-diretora do Iguatemi. Com a operação recém-iniciada por aqui, a meta é estruturar um portfólio de 15 contratos até o fim de 2026 e alcançar o breakeven já neste primeiro ano, apostando em um momento mais seletivo do varejo brasileiro. “Queremos montar um portfólio estratégico, não uma expansão desenfreada das marcas”, afirmou a executiva em entrevista exclusiva à AGÊNCIA DC NEWS.

No Brasil, o foco inicial está nas pequenas e médias varejistas que querem dar o primeiro passo na expansão estruturada, especialmente aquelas que ainda operam em loja de rua ou no e-commerce e buscam entrada qualificada em shopping centers ou expansão demográfica. “Na expansão nacional, a gente quer empresas e marcas boutique pequenas, começando a se expandir com qualificação”, disse Manoela. A estratégia prioriza segmentos com demanda reprimida nos centros comerciais, como food & beverage  área que enfrenta vacância nos shoppings e necessidade de reinvenção , entretenimento e moda esportiva, segmentos que ainda carecem de mais playeres.

Globalmente, a Retail Mind Group atua em mais de 30 países e soma mais de  3 mil pontos de venda. Entre 2020 e 2025, o grupo registrou crescimento de 250%, apoiado em um ecossistema que reúne diferentes verticais, como gestão e expansão de varejo, real estate, M&A, franchising e desenvolvimento de ativos comerciais. No Brasil, a operação começa pela vertical de gestão, mas o plano é ativar as demais frentes no curto e médio prazo, replicando o modelo integrado que sustenta a atuação internacional da companhia. “As áreas são integradas lá fora, e sabemos que o Brasil tem muito potencial. Então provavelmente a gente avalie antecipar a vinda”, disse a executiva.

Se o mercado doméstico oferece espaço para expansão estruturada, o movimento inverso também parece igualmente promissor para a Retail Mind Group. Segundo Manoela, há crescente interesse de grupos estrangeiros em marcas brasileiras, e a consultoria já foi procurada por operadores internacionais interessados em levar negócios locais para fora. “O Brasil é a bola da vez”, afirmou. A executiva disse que a internacionalização será um dos pilares da atuação no país, tanto para apoiar empresas nacionais na entrada em outros mercados quanto para conectar grifes europeias e latino-americanas interessadas no consumidor brasileiro. Confira  a entrevista completa.

AGÊNCIA DC NEWS – Vocês são uma empresa global, com vários mercados em potencial. Por que vir para o Brasil? Por que agora?
MANOELA WHITAKER – 
O Brasil é a bola da vez. A gente prevê um ciclo de queda de juros logo… O mercado vai melhorar. E esse foi o start. Essa, inclusive, é a visão do Vitor [Rocha], nosso CEO. Quando ele veio ao Brasil, perguntaram a ele o motivo de ter entrado agora, e não antes. E a resposta dele foi a seguinte: “Para entrar de uma forma qualificada”.

AGÊNCIA DC NEWS – Na prática, isso significa o quê?
MANOELA WHITAKER – Que nossas escolhas de portifólio são tão estratégicas quanto nossa entrada. Queremos montar um pool de marcas estratégicas apenas. E estamos nesse caminho. Ainda não posso dizer quais. Mas não queremos marcas desenfreadas e que vão abrindo pontos de venda em todo canto para fechar em um ano. É qualidade e estratégia. E nada melhor que um país desse tamanho pra gente poder fazer isso bem feito.

AGÊNCIA DC NEWS – Então vamos entrar na empresa em si. Como funciona? Onde estão os pés do projeto?
MANOELA WHITAKER – A Retail Mind Group é 360º. Uma consultoria boutique de gestão e expansão de marcas no varejo. Esse é o nosso primeiro ponto: ela é boutique. Por quê? A gente não vai querer ter 60 milhões de clientes, a gente quer ter poucos e bons, porque a gente trabalha junto com o cliente como se nós fôssemos o departamento de expansão e gestão dele. Hoje no Brasil você tem grandes grupos com departamentos de expansão prontos. Tem brokers, consultores… As funções são fragmentadas e, em geral, muito direcionadas apenas ao varejista de grande porte.

AGÊNCIA DC NEWS – Então o foco de vocês são as pequenas e médias varejistas? Ou as grandes também?
MANOELA WHITAKER – O nosso foco inicial são as pequenas, em especial para expansão nacional. Na expansão nacional, a gente quer empresas e marcas boutique pequenas, que estão começando a expandir e que vão se expandir com qualificação. Esse é o nosso foco. A gente precisa de marcas novas no mercado. Falando de grandes empresas, olhamos para a expansão internacional: elas já estão maduras aqui no [mercado] nacional, provavelmente a maioria já tem um departamento de expansão. Aí a gente faz a parte internacional, porque a gente tem know-how, fazemos as pontes com outros clientes nossos, sabemos o caminho das pedras.

AGÊNCIA DC NEWS – Pode me dar um exemplo prático do tipo de marca que procura vocês?
MANOELA WHITAKER – Marcas que querem começar a expandir e não sabem por onde começar. Elas ainda não existem em shopping, são um e-commerce ou uma loja de rua e estão no momento preparadas para dar esse primeiro passo. Só que essa expansão tem que ser muito bem feita e muito qualificada. Porque o que a gente vê no Brasil são aquelas expansões gigantes: a marca entra no mercado, abre milhões de lojas e, dali a um ano, está fechando tudo. Esse não é o trabalho que a gente vai fazer.

AGÊNCIA DC NEWS – Qual será o trabalho que vocês irão fazer?
MANOELA WHITAKER – Nós somos contratados para fazer toda essa parte estratégica da marca. O empresário senta com a gente e fala: “Olha, é o seguinte: eu tenho essa loja de rua, eu estou preparada para ir para shopping. Por onde eu começo? Que cidade? Que tipo de loja? Qual o tamanho? Como será a arquitetura? Qual o cardápio?” Todo esse trabalho de curadoria e estratégia a gente faz desde o início.

AGÊNCIA DC NEWS – E como vocês definem onde e como abrir?
MANOELA WHITAKER –
 Fazemos estudo da marca, dos centros comerciais que fazem sentido. Se a marca é do interior, para entrar em São Paulo, às vezes shopping não é a melhor opção. Mas se a opção for um shopping, parte de nós a iniciativa de entrar em contato com os shopping centers e fazer a negociação, e essa aproximação se dá forma mais fluída do que seria se a marca fosse direto, sem um planejamento, sem entrada nesses locais. Ela não sabe negociar, não sabe até onde pode ir, não sabe qual ponto faz sentido pra ela. Às vezes o shopping oferece um local que não faz sentido para aquela marca. E o varejista não faz ideia disso. A gente faz toda essa análise  fluxo de corredor, entorno  e começamos a negociação.

AGÊNCIA DC NEWS – E como os shoppings reagem? Vocês são vistos como intermediários “duros” ou como parceiros?
MANOELA WHITAKER –
 Eu acho que o legal  e diferente de tudo que eu já vi no Brasil, porque eu venho de shopping e já negociei com bastante empresa  é que nós somos muito parceiros do shopping. A gente não tá lá para “travar” a operação de ninguém. Tanto que os shoppings também nos chamam pra fazer esse trabalho como parceria. Esta semana, por exemplo, a gente fez uma reunião com grandes grupos de shopping. A gente sentou com diretores e vice-presidentes e falamos: “Do que vocês precisam? O que está faltando de mix no shopping de vocês?” Porque nós temos um portfólio, também podemos ir atrás de clientes, e vamos buscar focando também nas demandas dos shoppings.

AGÊNCIA DC NEWS – E a aceitação com potenciais clientes? Para muitos, ainda mais os pequenos, o que vocês oferecem parece algo inédito.
MANOELA WHITAKER – Tem sido ótima. A gente mal fincou o pé aqui e já tem alguns clientes contratados. E temos outros tantos já em fase de assinatura. A aceitação tem sido muito boa. Os próprios shoppings indicam clientes, justamente por ser um serviço bastante único. Hoje o varejo tradicional, quando tem, possui um departamento de expansão e, geralmente, esses departamentos não se aprofundam na estratégia de modo amplo. O que ofereço é que o cliente siga focando na qualidade, no produto, no consumidor, nas vendas, e deixa que a gente faz a parte de expansão.

AGÊNCIA DC NEWS – Tem alguma marca que você já pode contar?
MANOELA WHITAKER – 
Temos algumas, mas ainda não posso revelar.

AGÊNCIA DC NEWS – Pode dizer ao menos os setores?
MANOELA WHITAKER – 
Claro, mas primeiro preciso explicar que nosso passo inicial foi fazer um estudo de contexto. Fomos descobrir quais segmentos havia demanda reprimida no mercado. Chegamos em duas categorias, e nelas estamos performando muito bem. Entretenimento: os shoppings pediram muito, então fomos atrás de bons players de entretenimento. Food and beverage também foi uma demanda dos shoppings. Antes você não falava “vou jantar num shopping” e hoje todos os shoppings estão atrás de marcas mais qualificadas. Restaurantes que possuam essa cara de “único”, um local especial para um jantar, não só uma refeição de passagem. Moda também está nos nossos contratos. Muito focada em esportiva. Os shoppings ainda possuem marcas muito associada ao esporte em si, e hoje os consumidores buscam moda esporte quase como moda casual. Um exemplo são calçados. Eu sou executiva, e não uso mais salto. O sneaker é uma tendência e estamos com marcas muito legais em que vamos fazer a expansão nacional e começar com o internacional também.

AGÊNCIA DC NEWS – Vocês sugerem parcerias entre clientes?
MANOELA WHITAKER – Muito. Hoje eu tenho um cliente e um potencial cliente — separados — mas a gente acha que os dois juntos dariam muito certo em alguns pontos. Esse é um caso real aqui. Nós temos um cliente que funcionaria muito bem com outro que estamos prospectando. Pensamos em modelos de store in store, de gôndola promocional, desenvolvemos essa ponte.

AGÊNCIA DC NEWS – Em média, quanto tempo um cliente fica com vocês? É um contrato de anos?
MANOELA WHITAKER – É um processo extenso. Hoje uma negociação com um shopping: no mínimo, um contrato de cinco anos. E o nosso trabalho não é só a expansão. Eu não vou colocar a sua loja no shopping hoje e dar tchau. Eu acompanho esse cliente durante esses cinco anos, passo a renovação por mais cinco. Então, no mínimo, o cliente fica com a gente o período de duração de um contrato de centro comercial.

AGÊNCIA DC NEWS – A internacionalização também está no foco dessa consultoria 360º?
MANOELA WHITAKER – Com certeza. O fato é que o Brasil está na moda. Tem várias marcas bacanas que possuem grande busca e demanda fora do Brasil. E nós sentimos isso muito justamente por termos esse forte trânsito internacional. Somos uma empresa europeia, sendo a sede no Porto, em Portugal, mas a gente tem escritório em Lisboa, em Madri (Espanha), além de Medellín (Colômbia), que atende todos os países hispanohablantes.

AGÊNCIA DC NEWS – Por que o Brasil?
MANOELA WHITAKER –
Pela nossa língua mãe ser o português, estar aqui era imprescindível. Então a parte de expansão internacional também é um braço superforte nosso. E foi quase automático. Anunciamos aos outros clientes a entrada no Brasil e muitos grupos internacionais vieram atrás da gente com uma lista de marcas brasileiras: “A gente quer essa marca no nosso país”. Então a gente também tá fazendo esse trabalho de levar um pouco de brasilidade pro mundo.

AGÊNCIA DC NEWS – Hoje, na operação global, são quantas marcas com vocês?
MANOELA WHITAKER – São mais de 150 marcas e mais de 3 mil pontos de venda diferentes.

AGÊNCIA DC NEWS – Na operação global da Retail Midia Group são muitos braços além da consultoria. Todos eles estão previstos para o Brasil?
MANOELA WHITAKER – Somos um grupo grande, consolidado. São vários braços. real estate, M&A, franchising… Esses braços a gente ainda não iniciou no Brasil. Mas o plano é começar a caminhar com eles ainda no primeiro semestre. O plano é estar com a área de real estate e M&A no médio prazo. Todas funcionam superbem lá fora e a gente sabe que o Brasil é um país mega potencial. Então provavelmente a gente debata até antecipar a vinda dessas áreas pra cá. Mas hoje o foco é gestão e expansão de marcas.

AGÊNCIA DC NEWS – Com relação a franquias, vocês vão ter conversas com a ABF, como tiveram com a Abrasce?
MANOELA WHITAKER – Sim. A Abrasce a gente já é afiliado. A ABF a gente já está se associando. A gente já tá nesses fóruns, vai pros congressos… A gente é bem parceiro, e isso não só no Brasil. Quando a gente fincou o pé no Brasil, a primeira coisa foi ir atrás dessas associações, que são nossas parceiras. A gente já é associado na Europa em associações iguais à ABF e Abrasce, e na América Latina por conta do escritório na Colômbia.

AGÊNCIA DC NEWS – Sendo uma empresa europeia, com sede em Portugal, com acordo Mercosul–União Europeia em vias de se concretizar… você acha que o cenário internacional favorece?
MANOELA WHITAKER –
 Totalmente. A gente vê um cenário muito bom pro Brasil. O Brasil é um mercado super-resiliente. E o negócio da empresa ser europeia e ter base portuguesa é muito propício. Uma porta de entrada importante, até pela língua. O tanto de brasileiro que tem Portugal, de português aqui, é gigantesco. A gente tá em toda a Europa, e o acordo facilita o uso comercial disso.

AGÊNCIA DC NEWS – Nesse cenário, o que você espera da empresa para o Brasil esse ano?
MANOELA WHITAKER – 
A gente tem uma meta agressiva, mas não impossível: até o final de 2026, a gente precisa ter no mínimo 15 marcas assinadas, trabalhando, de diferentes segmentos. Esse é o número: até dezembro de 26 teremos o portfólio brasileiro  15 marcas  tanto pra expansão nacional como para expansão internacional.

AGÊNCIA DC NEWS – E breakeven? Tem projeção?
MANOELA WHITAKER – 
Eu não consigo falar de números, tá? Mas o nosso plano foi feito pra ter breakeven esse ano.

AGÊNCIA DC NEWS – Na Europa vocês atuam com retails parks, em que consiste isso?
MANOELA WHITAKER –
 Pensa como strip malls, como galerias. São centros de conveniência. Eles são longe de grandes centros comerciais, grandes shoppings  geralmente perto de bairros que não têm essa estrutura. Você coloca uma grande âncora, um supermercado, uma farmácia, uma loja de móveis, uma padaria… Algo bem de conveniência, pra população daquele bairro utilizar.

AGÊNCIA DC NEWS – Há planos de trazer o conceito para o Brasil?
MANOELA WHITAKER – Na verdade, esse é nosso braço de real estate, que a gente vai lançar provavelmente daqui um mês, um mês e meio. A gente ainda não lançou no Brasil, mas é algo muito forte dentro da empresa.

AGÊNCIA DC NEWS – Onde está o potencial desse perfil de negócio no Brasil?
MANOELA WHITAKER – Muito, muito, muito forte no interior.

AGÊNCIA DC NEWS – Como especialista: quando você olha o varejo (ou retalho, como dizem os portugueses), qual a principal diferença e a principal semelhança com o Brasil?
MANOELA WHITAKER – 
Eu adoro o termo retalho. A diferença — não Portugal em si, mas Europa: o luxo no Brasil é prioritariamente dentro de shopping. O varejo de luxo da Europa é prioritariamente em ruas. Na Europa, loja de luxo não opera em shopping. É interessante. A semelhança, sem dúvida, é esse consumidor superqualificado.

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