Risco digital já entrou na conta das empresas

Por Lucas Paglia, Vice Presidente da Rede Governança Brasil e Sócio da LP Consultoria

Segurança digital não é mais assunto de TI, nem de jurídico. Virou tema de negócio. Isso aparece com clareza quando uma empresa entra em negociação. Em operações de investimento, revisão contratual ou crédito, a pergunta já não é apenas sobre resultado financeiro. É sobre exposição. Como os dados são tratados, quem responde por eles, qual é o nível de controle. E quem não tem resposta consistente, sente.

Não necessariamente em forma de multa. Mas em exigência maior, prazo mais longo, condições menos favoráveis. O mercado começa a diferenciar. E essa diferença já impacta decisões concretas. Existe uma mudança objetiva na forma como risco é avaliado. E dado passou a entrar nessa equação com peso crescente.

O ponto é que esse risco raramente começa no incidente. Vazamento ou ataque são consequência. Antes disso, há desorganização. Falta de critério, excesso de acesso, ausência de responsabilidade clara. Quando o problema aparece, ele só expõe o que já estava mal estruturado. Tenho visto isso se repetir em diferentes setores.

Empresas que tratam o tema de forma periférica acabam reagindo. Correm para ajustar processos depois do problema. As que estruturam governança de informação antes operam de outra forma. Conseguem definir responsabilidades, organizar fluxos e ter clareza sobre o que está sob controle. Isso muda a qualidade da decisão.

Não é apenas uma questão de proteção. É capacidade de operar com previsibilidade. Em ambientes mais exigentes, previsibilidade passou a ser ativo relevante. E, claro, a entrada da inteligência artificial acelera esse movimento.

Não faz sentido falar em uso de dados sem falar em controle sobre eles. Modelo nenhum sustenta resultado se a base for inconsistente. Nesse cenário, o risco deixa de ser apenas jurídico ou reputacional. Ele passa a afetar a operação, a qualidade das análises e a confiança nas decisões. E isso chega no centro da empresa.

Não é mais uma pauta técnica. É uma discussão de liderança, de prioridade. De como o negócio quer crescer e sob quais condições. No fim, a diferença está na preparação.

Quem organiza a estrutura antes negocia melhor, cresce com mais consistência e sustenta relações mais sólidas com o mercado. Quem não faz isso passa a operar sob pressão, com mais questionamentos e menos margem de erro.

A proteção de dados deixou de ser um tema lateral. Hoje, influencia diretamente o valor, a operação e a capacidade de crescimento das empresas.

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