A Sodexo foi reconhecida como uma das Melhores Empresas para Pessoas LGBTQIA+ Trabalharem no Brasil, segundo o Índice de Equidade BR 2025. A iniciativa é conduzida pela Human Rights Campaign Foundation (HRC), em parceria com o Instituto Mais Diversidade e com apoio do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.
A companhia integra o grupo de apenas 13 empresas que conquistaram a Tripla Certificação, concedida àquelas que também obtiveram pontuação máxima em pelo menos dois dos programas internacionais da HRC: o norte-americano Corporate Equality Index (CEI), o mexicano Equidad MX, o chileno Equidad CL e o argentino Equidad AR.
Compromisso com diversidade e inclusão
De acordo com Lilian Rauld, gerente de Sustentabilidade e ESG da Sodexo, a diversidade está no centro da cultura corporativa da empresa:
“Garantir a inclusão e a representatividade dos mais diversos perfis nos países onde atuamos é algo intrínseco ao nosso negócio. A diversidade vai além de uma estratégia de negócios na Sodexo — ela faz parte do nosso DNA”.
A empresa mantém programas formais de Diversidade, Equidade & Inclusão (DE&I), alinhados ao seu plano global de sustentabilidade. A meta é construir equipes que reflitam a pluralidade cultural, social e econômica do Brasil.
Avaliação e impacto
Na quarta edição do relatório HRC Equidade BR, 92 empresas foram avaliadas e 75 receberam o selo de excelência. Os critérios incluem:
- Políticas de não discriminação
- Cultura organizacional inclusiva
- Treinamentos internos sobre diversidade
- Compromissos públicos com os direitos LGBTQIA+
A Sodexo também destaca os benefícios da diversidade para os resultados do negócio. Um estudo global conduzido pela empresa apontou que equipes com equilíbrio de gênero entre 40% e 60% apresentaram melhor desempenho em margens operacionais, engajamento, segurança no trabalho e retenção de clientes.
Diversidade como pauta estratégica das empresas
A diversidade deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ocupar lugar central nas estratégias corporativas. Em 2025, pesquisas apontam que empresas que investem em diversidade, equidade e inclusão (DE&I) têm melhores resultados financeiros, maior capacidade de inovação e maior retenção de talentos.
Segundo a pesquisa Panorama da Diversidade 2025, realizada pela plataforma “to.gather” com mais de 300 empresas brasileiras, 83% das companhias com estratégias formais de DE&I relatam ganhos em engajamento e produtividade. Outro estudo, desta vez da McKinsey, mostra que empresas com maior diversidade étnica e cultural têm 33% mais chances de superar seus concorrentes financeiramente. Já dados levantados pela consultoria Deloitte identificou que 83% das empresas com políticas de inclusão são também as mais inovadoras.
Esses dados reforçam que diversidade não é apenas uma questão de reputação, mas uma vantagem competitiva real.
Tendências para 2025
Segundo especialistas da Fundação Dom Cabral e do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), as principais tendências incluem:
- Investimento em lideranças de grupos minorizados
- Integração de tecnologia para monitorar e promover inclusão
- Desconstrução de vieses em processos decisórios e de recrutamento
- Valorização da interseccionalidade e inclusão de pessoas neurodivergentes e 50+
A diversidade como pauta estratégica é hoje um imperativo para empresas que desejam prosperar em um mundo mais complexo, conectado e consciente. Mais do que cumprir metas, trata-se de construir culturas organizacionais que reflitam a pluralidade da sociedade e promovam inovação com propósito.
Para saber mais detalhes das ações da Sodexo na promoção da Diversidade, confira a conversa completa da GZM com Lilian Rauld, gerente de Sustentabilidade e ESG da Sodexo:
GZM: O que representa para a Sodexo estar entre as empresas com Tripla Certificação no Índice de Equidade BR? Gostaríamos de entender o impacto desse reconhecimento tanto internamente quanto na relação com clientes e parceiros.
Lilian Rauld: A certificação valida o trabalho consistente que temos feito para garantir um ambiente de trabalho em que todas as pessoas possam ser quem realmente são. Essa conquista chancela o compromisso da Sodexo com os valores de Diversidade, Equidade e Inclusão, pilares que sustentam nossa cultura e nossa estratégia de negócios.
O esforço de todos esses anos demonstra, por meio desta certificação, que seguimos na direção certa em nossa jornada da inclusão, promovendo transformações significativas dentro e fora da empresa. Além de inspirar todo o nosso ecossistema a avançar nessa agenda e mostrar que essa trajetória é possível e traz resultados concretos, o reconhecimento também reflete o sentimento de pertencimento e orgulho que nossos colaboradores LGBTI+ demonstram por trabalharem na Sodexo, sentindo-se valorizados e representados em um ambiente que celebra a autenticidade, o respeito e a equidade.
GZM: Como a diversidade e a inclusão se conectam à estratégia de negócios da Sodexo no Brasil e globalmente? Além do aspecto social, quais são os ganhos tangíveis que a empresa observa ao investir em pluralidade?
Lilian Rauld: A Sodexo opera globalmente há quase 60 anos e temos uma agenda de crescimento de longo prazo, reforçando seu compromisso com o fortalecimento dos negócios e a geração de empregos. A diversidade é algo que faz parte da Sodexo desde a sua fundação, faz parte da nossa cultura, do nosso DNA.
Somos uma empresa de pessoas para pessoas, por isso, garantir a inclusão e a representatividade dos mais diversos perfis de pessoas nos países em que atuamos, é algo intrínseco ao nosso negócio. No Brasil, temos programas formais e bem-estruturados de Diversidade, Equidade & Inclusão, alinhados ao nosso plano global de sustentabilidade. Em 2015, reforçamos nossa atuação, ao assinarmos no Brasil a Carta de Adesão ao Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, assumindo 10 compromissos formais para a promoção dos direitos dessa comunidade no mercado de trabalho.
Globalmente, a Sodexo tem metas claras e programas estruturados de inclusão, porque sabemos que uma cultura plural contribui diretamente para a satisfação dos nossos clientes e consumidores. No Brasil, temos visto ganhos tangíveis que reforçam os pilares ESG, conectando impacto social à performance econômica. A pluralidade não é apenas uma questão ética, mas uma estratégia de negócio que gera valor para acionistas, colaboradores e sociedade.
GZM: Quais foram os principais desafios enfrentados na implementação dos programas de Diversidade, Equidade & Inclusão voltados à comunidade LGBTQIA+? Há barreiras culturais, estruturais ou operacionais que precisaram ser superadas?
Lilian Rauld: Um dos principais desafios foi superar barreiras culturais e aumentar a conscientização sobre preconceitos ainda existentes, mas após todas as ações que fizemos, hoje vemos uma mudança muito importante, vemos que a cultura de inclusão dentro da empresa é genuína.
Para isso, desenvolvemos programas de sensibilização e criamos ferramentas práticas, como o Guia de Acolhimento para Pessoas Trans, que orienta líderes e equipes sobre como promover o respeito às identidades de gênero. Além disso, destaco o forte comprometimento e engajamento da liderança da Sodexo para a conscientização, o acolhimento e desenvolvimentos dos nossos profissionais.
Outro ponto importante foi a questão do uso do nome social nos e-mails corporativos. Inicialmente, a área de TI utilizava apenas o nome de registro dos colaboradores, o que gerava desconforto para pessoas trans. Realizamos reuniões internas para a conscientização em relação à importância do nome social, especialmente considerando que o processo de retificação de nome nem sempre é acessível a todos. Como resultado, mesmo sem a retificação formal, colaboradores trans passaram a utilizar e-mails e crachás com seus nomes sociais.
Além disso, temos o programa Me Chame pelo Meu Nome, em que apoiamos nossos colaboradores transgênero que desejem realizar o processo de retificação, uma ferramenta legal crucial para alteração nos documentos pessoais como a Certidão de Nascimento.
Também implantamos sinalizações inclusivas em todos os banheiros nas sedes da Sodexo em São Paulo e em Porto Alegre, com mensagens sobre identidade e respeito à diversidade. As frases destacam que mais importante do que a imagem da porta é como cada pessoa se identifica, além de promover reflexões sobre a pluralidade de corpos, mulheres e homens, por meio de espelhos internos. Antes da implantação, realizamos um estudo interno e externo e a reação foi positiva, pois já vínhamos trabalhando o tema desde 2015, o que gerou curiosidade e engajamento entre os colaboradores.
Acredito que nossas maiores conquistas estão no reconhecimento das pessoas: dos profissionais trans que escolhem a Sodexo para trabalhar conosco e das nossas pessoas trans, que se sentem acolhidas e seguras para serem quem realmente são, independentemente do gênero.
GZM: Como a Sodexo mede o impacto dos seus programas de inclusão no ambiente de trabalho e na performance dos times? Existem indicadores específicos que ajudam a avaliar o progresso e os resultados?
Lilian Rauld: Equipes diversas trazem diferentes perspectivas e ajudam a identificar problemas e a propormos soluções sob novos ângulos. Isso se traduz diretamente em inovação de processos, serviços e produtos. Um estudo global conduzido pela Sodexo mostrou que times com equilíbrio de gênero entre 40% e 60% alcançaram resultados melhores em margens operacionais, engajamento, segurança no trabalho e retenção de clientes. Neste sentido, a pluralidade também é uma vantagem competitiva para nós.
No Brasil, a cada dois anos realizamos a pesquisa de engajamento interna chamada Voice, com foco na escuta ativa dos nossos colaboradores. Na última edição (realizada em abril deste ano), o tema Diversidade, Equidade e Inclusão foi o mais bem avaliado da pesquisa, alcançando um índice de 88 pontos, e se mantendo consistentemente entre os três tópicos mais bem avaliados nas últimas edições. Além disso, os dados da pesquisa apontaram que 80 colaboradores se reconhecem como pessoas trans e mais de 3,6 mil colaboradores como LGBTI+, refletindo o nosso compromisso com a representatividade e a construção de um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e inclusivo para todas as pessoas.
GZM: De que forma a empresa promove a escuta ativa e o protagonismo de colaboradores LGBTQIA+ na construção de políticas internas? Há comitês, fóruns ou canais de participação direta?
Lilian Rauld: Na Sodexo, contamos com mais de 46 mil colaboradores, distribuídos em 2,8 mil unidades de negócio em todo o Brasil. Promovemos campanhas internas, rodas de conversa e treinamentos frequentes. Também criamos canais para garantir que diferentes vozes sejam ouvidas, como os Grupos de Afinidade, que levam temas como gênero, gerações, cultura e origens, pessoas com deficiência e LGBTI+ diretamente à alta liderança.
Cada pilar tem um sponsor (que é membro do nosso Time de Liderança Regional – board); no caso do pilar LGBTI+, o vice-presidente Jurídico, Guilherme Cogo, cumpre esse papel. Além disso, contamos com a pesquisa global Voice, nosso principal termômetro de engajamento e satisfação dos colaboradores.
O Pride é o nosso grupo de afinidade dedicado a temas de orientação sexual e identidade de gênero, que busca promover debates, iniciativas de educação e sensibilização, além de oferecer suporte e garantir visibilidade interna e externa. Por meio de ações de comunicação, desenvolvimento de talentos e incentivo a uma cultura inclusiva, fortalecemos nosso compromisso com o respeito e a equidade.
Também desenvolvemos o Guia de Acolhimento para Pessoas Trans, uma ferramenta prática que orienta líderes e equipes sobre como agir com empatia e responsabilidade, fortalecendo a cultura de inclusão em todos os níveis da organização.
GZM: Quais ações específicas a Sodexo realiza para garantir que a inclusão vá além do ambiente corporativo e gere impacto positivo na sociedade? A empresa atua em projetos comunitários, campanhas de conscientização ou parcerias com organizações externas?
Lilian Rauld: No ano passado, em parceria com a Casa Florescer, recebemos em nossa sede São Paulo mulheres transgênero e travestis para uma vivência do programa global SheWorks. Durante a experiência de Job Shadowing, elas puderam acompanhar de perto a rotina de nossos profissionais, conhecer nosso negócio e se sentir valorizadas em um ambiente corporativo que promove respeito e equidade. Com essa iniciativa, reafirmamos nosso compromisso em combater a exclusão, ampliar perspectivas e empoderar essas mulheres, oferecendo a visão de um futuro possível e promissor.
Participamos de projetos de empregabilidade trans como Cozinha e Voz, Feira de Empregabilidade Trans e o #AGORAVAI, em parceria com diversas instituições, ONGs e outras empresas comprometidas com a diversidade e a inclusão. Por meio dessas iniciativas, buscamos não apenas promover oportunidades de inserção no mercado de trabalho, mas também contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Dessa forma, reforçamos o propósito da Sodexo de transformar vidas, gerar impacto positivo e inspirar outras organizações a seguirem o mesmo caminho rumo à equidade e ao respeito às diferenças.
GZM: Que conselhos você daria para empresas que estão começando a estruturar iniciativas de diversidade e inclusão, especialmente voltadas à comunidade LGBTQIA+? Quais são os primeiros passos mais eficazes e os erros que devem ser evitados?
Lilian Rauld: O primeiro passo é entender que diversidade não se sustenta sem um ambiente psicologicamente seguro. Isso significa ouvir com empatia, acolher, dar suporte real e garantir que todas as pessoas tenham condições de se desenvolver com dignidade e sendo quem elas são. Também é importante evitar iniciativas apenas simbólicas.
Não adianta celebrar datas, fazer campanhas bonitas e, internamente, as pessoas ainda terem medo ou vergonha de ser quem são. Inclusão exige coerência, políticas claras, canais confiáveis de denúncias e líderes preparados para lidar com pessoas, não com discursos. Criar segurança, oportunidade e pertencimento é o que faz a diferença. Empresas que fazem isso de forma genuína colhem times mais engajados.
Meu conselho é começar com iniciativas estruturantes e intencionais, como a criação de grupos de afinidade (por exemplo, o Pride Group) para dar voz à comunidade e promover espaços seguros de diálogo. Além disso, é essencial investir na contratação de pessoas LGBTI+, pois isso demonstra compromisso real e engaja líderes e gestores de forma mais rápida, o exemplo é um poderoso catalisador de mudança.
Recomendo também formalizar diretrizes que deem sustentação às ações, garantindo coerência e continuidade. A adesão a fóruns como o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ e a construção de parcerias com organizações especializadas são passos estratégicos. Além disso, apoiar iniciativas e instituições que atuam diretamente com a comunidade LGBTI+ é uma forma eficaz de ampliar a visibilidade e reforçar o compromisso social da empresa.
