Segundo Alexandre Uehara em sua palestra na Graduação da turma Spring 2025 do Founder Institute, nos mostrou que um negócio para ter resultado, tem que ter um custo linear e receita exponencial. A única forma de conseguir isso, é trazendo tecnologia para poder escalar. Trabalhar não só com diferenciação, mas com percepção de valor. A criatividade, que é só humana (a máquina não consegue ser criativa), é um valor que não pode ser mensurado ou precificado, e é o grande diferencial de quem vai escalar e quem não vai.
Denise Fraga e Miguel Falabella (no Crongresso do CMEC) falaram muito sobre a humanização, estamos em um tempo em que as pessoas olham mais para baixo e menos para os olhos e por isso estamos perdendo nossa conexão com as pessoas, com nossa essência e esquecendo quem realmente somos e nossos valores, que é o que na verdade, nos impulsiona para nossos objetivos.
Dito isso, depois de anos de aceleração digital e instabilidade econômica, as organizações entram em um ciclo que exige algo que as máquinas não podem oferecer: inteligência humana aplicada.
A seguir, as tendências que vão moldar o mercado de trabalho sustentável em 2026 sob a perspectiva de quem vive diariamente liderança, desenvolvimento humano, governança e comportamento organizacional.
1. Mindsets adaptativos substituem competências técnicas isoladas
As empresas já entenderam que skill sem soft skill não sustenta futuro.
Em 2026, contratações e promoções serão cada vez mais guiadas por neuroplasticidade comportamental — a capacidade de aprender, desaprender e se reinventar rapidamente.
Pessoas que sabem pensar melhor, decidir melhor e se comunicar melhor terão vantagem competitiva.
2. Ou as Lideranças evoluem ou as empresas param de crescer
Crescimento organizacional estará diretamente ligado à maturidade das lideranças.
Ambientes tóxicos e líderes despreparados deixam de ser “problemas internos” e passam a ser riscos estratégicos, impactando faturamento, retenção e governança.
2026 é o ano em que liderança emocionalmente inteligente deixa de ser diferencial e se torna critério mínimo.
3. O trabalho híbrido deixa de ser modelo — passa a ser estratégia
Híbrido não é ter dois dias em casa.
É desenvolver modelos de produtividade personalizados, apoiados por dados, cultura e autonomia.
A grande tendência de 2026 é o Hybrid Intelligence Work: combinar tecnologia, análise de comportamento e rituais humanos para operar com mais eficiência e menos desgaste.
4. As empresas passam a medir saúde mental como indicador de performance
Burnout custou bilhões às empresas nos últimos anos.
Agora, o movimento global é tratar saúde mental como parte do P&L, não como benefício.
2026 consolida o conceito de Organizações Regenerativas — empresas que cuidam para crescer.
5. Mulheres em posições de decisão deixam de ser pauta — viram movimento econômico
2026 será o ano com maior número de mulheres assumindo cadeiras estratégicas: conselhos, diretoria, operações e tecnologia.
Empresas que aceleram diversidade estruturada apresentam maior inovação, governança mais robusta e melhores resultados financeiros.
Mulheres liderando não é discurso: é indicador de prosperidade empresarial.
6. ESG evolui para uma nova fase: Governança como motor de competitividade
A sigla não morre — mas amadurece.
Em 2026, a pressão do mercado fará com que empresas fortaleçam conselhos, práticas de risco, transparência e cadeia de suprimentos.
Governança deixa de ser “compliance” e passa a ser estratégia de crescimento.
7. Inteligência Artificial redefine funções — mas amplifica o valor do humano
A IA não substitui o profissional completo.
Ela elimina tarefas repetitivas e libera espaço para que profissionais desenvolvam aquilo que mais importa:
julgamento crítico
comunicação clara
criatividade aplicada
tomada de decisão
2026 será o ano da IA como copiloto, não como piloto.
8. O novo luxo corporativo: tempo de qualidade
Se nos últimos anos o símbolo de status nas organizações foi a agenda cheia, em 2026 o verdadeiro luxo corporativo passa a ser outra moeda: tempo de qualidade. Em um mundo onde a hiperconexão roubou a capacidade de pensar profundamente e decidir com clareza, empresas de alta performance começam a tratar o tempo não como recurso elástico, mas como ativo estratégico.
Horas protegidas para foco, agendas mais inteligentes, reuniões com tempo definido, mais diretas e objetivas, que realmente avançam decisões e espaços que permitem recuperar a atenção tornam-se diferenciais competitivos.
Não é sobre trabalhar menos — mas trabalhar melhor, com presença, propósito e capacidade cognitiva plena. O profissional do futuro é aquele que domina a própria agenda, e a empresa do futuro é a que devolve às pessoas aquilo que a automação não substitui: tempo para pensar, criar e evoluir.
As empresas que conseguirem entregar equilíbrio, clareza, foco e fluxo de trabalho inteligente serão as que mais reterão talentos.
A tendência mais forte de 2026 é a busca por simplicidade estratégica: menos ruído, mais entrega.
Por que tudo isso importa?
Porque 2026 marca uma virada definitiva: não haverá transformação organizacional sem transformação humana. Competitividade, inovação e sustentabilidade deixarão de ser discutidas apenas em termos de tecnologia, processos e indicadores — e voltarão para onde sempre estiveram, mas muitos ignoraram: na qualidade das pessoas que fazem a engrenagem girar.
Empresas que invistirem no desenvolvimento integral de suas equipes — em liderança, autogestão, inteligência emocional, comunicação e capacidade de aprender continuamente — criarem culturas que atraiam talentos, fidelizem clientes e enxerguem oportunidades antes dos concorrentes. Já aquelas que insistirem em operar com mentalidades antigas, estruturas engessadas e lideranças desconectadas continuarão perdendo seus melhores profissionais, relevância de mercado e espaço no futuro. Em 2026, evoluir deixou de ser opcional. É a única estratégia essencial.
2026 será o ano em que a evolução das pessoas determinará a evolução das organizações.
Por Cale Elage, Head de eventos na GZM. carlaelage@gazetamercantil.digital