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União Brasil leva à Suécia modelo de turismo sustentável na Amazônia e reforça papel político na agenda ambiental global

Comitiva brasileira do União Brasil em Estocolmo para conferência ambiental. Grupo levou iniciativas locais e visitou ações de sucesso na Suécia
Comitiva apresenta programa “Coração da Amazônia” em conferência internacional e destaca protagonismo brasileiro rumo à COP30

Em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30, a presença de lideranças políticas em fóruns internacionais sobre meio ambiente ganha ainda mais relevância. E isso foi o que aconteceu neste início de agosto, quando o partido União Brasil, ainda antes do anúncio da nova federação partidária com o Progressistas, apresentou na conferência The Amazon Life, realizada na capital sueca, os avanços de municípios da região amazônica que adotaram o programa de turismo sustentável “Coração da Amazônia”.

A iniciativa, que integra o projeto Brasil 2044, foi desenvolvida para transformar cidades amazônicas em polos de turismo inteligente, com foco em preservação ambiental, inclusão social e inovação tecnológica. Um dos destaques da apresentação foi o município de Novo Airão (AM), que já colhe resultados expressivos desde que aderiu ao programa em janeiro deste ano.

Novo Airão é administrada pelo União Brasil há dois mandatos e por isso foi um dos exemplos levados pela comitiva como exemplo de promoção ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. 

Com 85% de seu território em áreas protegidas, a cidade informou que investe em capacitação profissional, marketing sustentável e infraestrutura turística. Por tudo isso, está na semifinal do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2025 e busca se tornar a primeira cidade da região Norte certificada para turismo de aventura.


Inteligência artificial e políticas públicas ESG

O programa “Coração da Amazônia”, apresentado pela comitiva na Conferência, oferece às prefeituras uma ferramenta de inteligência artificial que funciona como um tutor digital para gestores públicos. Com ela, é possível acessar modelos de projetos de lei, formar conselhos de turismo e planejar ações de curto, médio e longo prazo com base em indicadores ESG.

Durante a estadia na Suécia, a delegação brasileira também visitou iniciativas locais que podem ser adaptadas à realidade amazônica, como a agência de inovação Vinnova, que trabalha para tornar o país livre de combustíveis fósseis, e a Candela, fabricante de balsas elétricas com consumo de energia 80% menor. A jornada incluiu experiências com mobilidade urbana sustentável e turismo inteligente, promovidas pela Visit Sweden.


Classe política e meio ambiente: o Brasil em destaque

A participação de figuras como o deputado Pedro Lucas (MA), a senadora Professora Dorinha Seabra (TO) e a secretária de Turismo de Belém, Cilene Sabino — cidade que sediará a COP30 — pode ser considerada um esforço no envolvimento da classe política brasileira na construção de soluções ambientais. 

O protagonismo do Brasil na próxima conferência climática exige articulação institucional e conhecimento técnico, e a presença em eventos como The Amazon Life pode ser considerada uma sinalização importante desse compromisso.

Para saber mais detalhes da agenda e das discussões realizadas em Estocolmo, a GZM conversou com Mila de Rueda, que liderou a comitiva do União Brasil na missão. Confira:


GZM: Sobre o programa “Coração da Amazônia”, apresentado na conferência, o que diferencia essa iniciativa de outras que já existem na região e como o partido garante que ela não é apenas um plano, mas algo que já gera resultados concretos, como vemos em Novo Airão?

Mila: O Coração da Amazônia opera como hub de inovação com piloto de políticas de turismo ESG já em execução desde seu lançamento na COP29. O diferencial está na metodologia de alinhamento entre as três camadas: federal, estadual e municipal, o que é fundamental para garantir a eficácia das políticas públicas. 

Esse entendimento entre as três esferas é um desafio não só no Brasil, mas em outros países, como já destacou o relatório do Global Stocktake (GST) da UNFCCC.

Em nosso trabalho, realizamos uma análise técnica das políticas existentes e definimos ações de curto, médio e longo prazo para o turismo em Novo Airão, nossa cidade protótipo. 

O programa mantém diálogo com a ONU Turismo para compatibilizar o piloto às melhores práticas e indicadores internacionais da declaração de Glasgow. Em síntese: é uma execução estruturada, não apenas um plano, como já se observa em Novo Airão.

GZM: A apresentação menciona que o programa utiliza uma solução de inteligência artificial para auxiliar gestores municipais. Como o partido planeja expandir essa tecnologia para outras cidades e regiões, considerando a diversidade de infraestrutura e acesso à internet, para que ela possa realmente beneficiar a maior quantidade possível de municípios?

Mila: A solução de inteligência artificial foi desenvolvida por pesquisadores em parceria com o partido, com prioridades definidas por lideranças do União Brasil e suporte de técnicos que mapearam as melhores práticas. A ferramenta já é utilizada em Novo Airão, Barcelos e Rio Preto da Eva, no estado do Amazonas, com expansão para Ponta de Pedras, no Pará, em setembro.

A disseminação ocorre acompanhada de mentoria às equipes municipais, para que a administração pública interaja com a ferramenta, garanta o aprendizado da IA e extraia o melhor da política adequada à sua realidade, inclusive quando há limitações de conectividade e infraestrutura.

GZM: O programa está focado em prefeituras lideradas pelo União Brasil. O partido pretende abrir essa iniciativa para cidades de outras legendas que também tenham interesse em desenvolver o turismo sustentável na Amazônia, ou o programa continuará sendo uma política interna do partido?

Mila: O programa foi concebido como um hub de inovação com foco inicial em turismo ESG para conectar nossas bases políticas por meio do #ModoUnião, nosso ethos partidário de construção colaborativa. 

É uma política pública que envolve também a sociedade e o empresariado, pois a entrega precisa gerar resultados práticos para o cidadão. Sendo assim, o programa possui um processo de formação política e uma mentoria de governança para ser implantado, o que só podemos fazer em âmbito partidário.

GZM: A comitiva do partido conheceu iniciativas suecas, como as balsas elétricas e o modelo de transporte urbano da Visit Sweden. Como o partido pretende adaptar essas tecnologias e conceitos para a realidade da Amazônia, que possui grandes desafios de infraestrutura e um contexto socioeconômico muito diferente do europeu?

Mila: A geografia fluvial sueca guarda paralelos com o Amazonas: múltiplas ilhas e transporte por rios. Tecnologias como balsas elétricas e mobilidade leve (bicicletas e patinetes) são adaptáveis às pequenas cidades amazônicas.

A diretriz é tropicalizar soluções: priorizar rotas curtas para embarcações elétricas, incorporar medidas simples de micromobilidade e ajustar a operação ao contexto local, impactando qualidade de vida do ribeirinho e eficiência do transporte.

GZM: O projeto “Coração da Amazônia” é parte de um programa maior, o “Brasil 2044”. Como o União Brasil garante que a visão de longo prazo para as cidades brasileiras, proposta no “Brasil 2044”, será mantida e implementada de forma contínua, mesmo com as mudanças de gestão municipal e federal ao longo dos anos?

Mila: A continuidade decorre de um hub permanente de debate de políticas públicas dentro do partido, conferindo visão de Estado nas esferas federal, estadual e municipal.  O programa preserva parcerias com pesquisadores, empresários e lideranças políticas (parlamentares, prefeitos, governadores e ministros) e segue a estratégia definida pela direção partidária, liderada pelo presidente Antonio Rueda.

Com isso, trocas de gestão não reiniciam projetos: a agenda do Brasil 2044 mantém rota, prioridades e execução.


União Progressista é oficializada

A viagem à Suécia ocorreu dias antes da oficialização da Federação União Progressista (UPb), formada por União Brasil e Progressistas. Com 109 deputados federais e 15 senadores, a UPb se tornou a maior bancada do Congresso Nacional. A nova estrutura partidária promete ampliar o alcance de projetos como o Brasil 2044 e fortalecer a atuação política em temas como sustentabilidade, inovação e desenvolvimento regional.

“É uma multiplicação de forças, uma sinergia que nos posiciona como a maior potência política do Brasil”, afirmou Antonio Rueda, presidente do União Brasil e co-presidente da federação.

A presença de lideranças partidárias em fóruns internacionais sobre meio ambiente não é apenas simbólica — é estratégica. Com o Brasil no centro das atenções globais rumo à COP30, o envolvimento da classe política na formulação e implementação de políticas públicas sustentáveis é essencial. 


Análise GZM: política e meio ambiente devem caminhar juntos

A relação entre política e meio ambiente é indissociável em qualquer nação que aspire ao desenvolvimento sustentável. As decisões políticas moldam o uso dos recursos naturais, definem prioridades orçamentárias e estabelecem os marcos regulatórios que protegem ou fragilizam ecossistemas. Quando o meio ambiente é tratado como pauta transversal — e não como nicho — governos conseguem alinhar crescimento econômico com preservação, garantindo qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.

Valorizar o meio ambiente como tema político não é uma questão ideológica, mas estratégica. Mudanças climáticas, escassez hídrica, desmatamento e poluição são desafios que afetam indistintamente todos os cidadãos, independentemente de classe social ou orientação partidária. Por isso, é essencial que partidos de todas as vertentes incorporem a pauta ambiental em seus programas, promovendo debates qualificados e políticas públicas que reflitam o compromisso com a sustentabilidade.

Além disso, o protagonismo ambiental fortalece a imagem internacional de um país. O Brasil, por exemplo, ao sediar a COP30, tem a chance de mostrar ao mundo que é possível conciliar conservação da Amazônia com desenvolvimento regional. Para isso, é preciso que a classe política esteja engajada, informada e disposta a construir consensos. Quando política e meio ambiente caminham juntos, o resultado é uma sociedade mais resiliente, justa e preparada para os desafios do século XXI.


Mila de Rueda, líder da comitiva do União Brasil na Conferência ambiental de Estocolmo: “Trocas de gestão não reiniciam projetos: a agenda do Brasil 2044 mantém rota, prioridades e execução“.

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