A Black Friday 2025 deve consolidar o e-commerce brasileiro em um novo patamar de maturidade tecnológica. Segundo a Neotrust, o setor deve crescer até 17% em faturamento, impulsionado pela digitalização e pela expansão do modelo de “Black November”, que estende promoções por todo o mês. Mas, enquanto o Brasil avança em eficiência operacional, a China segue outro caminho: no Singles Day, o maior evento de compras do mundo, o foco vai muito além dos descontos, priorizando experiências, engajamento e inovação em formatos digitais.
Brasil: automação, previsibilidade e logística como pilares da Black Friday
Com semanas de demanda elevada, o varejo brasileiro passou a depender de planejamento antecipado, automação e inteligência logística para manter o nível de serviço. Dados da Senior Sistemas mostram que três das cinco maiores operações de e-commerce do país utilizam suas plataformas para orquestrar estoques, transportes e entregas.
Em 2024, empresas que operaram com automação registraram desempenho superior:
- 7,6 milhões de pedidos processados (+7,1%)
- 706 milhões de itens expedidos (+5,8%)
- 1,6 milhão de pedidos movimentados no fim de semana da Black Friday (+16%)
Segundo Anderson Benetti, gerente de produto da Senior, tecnologia e planejamento antecipado são decisivos para evitar gargalos e garantir entregas rápidas.
A automação também acompanha mudanças no comportamento do consumidor:
21% das compras de novembro ocorreram na última semana, e 9% no dia oficial da Black Friday.
China: o varejo que transforma compras em espetáculo digital
Nos links analisados, especialistas apontam que o Singles Day chinês — que movimenta mais que Black Friday e Cyber Monday somadas — não se sustenta apenas em descontos. A estratégia envolve:
1. Experiências interativas e lives de alto impacto
Marcas investem em transmissões ao vivo, gamificação e influenciadores para criar engajamento contínuo, não apenas vendas pontuais.
2. Ecossistemas integrados de superapps
Plataformas como Alibaba e JD.com conectam pagamentos, logística, conteúdo e social commerce em um único ambiente, criando jornadas fluidas e personalizadas.
3. Dados em escala massiva para personalização
O uso de IA e big data permite prever demanda, ajustar preços em tempo real e oferecer recomendações hiperpersonalizadas.
4. Estratégia que começa meses antes
O Singles Day é tratado como uma campanha de longo prazo, com pré-vendas, reservas e aquecimento de audiência — não apenas um dia de promoções.
O contraste: eficiência brasileira x espetáculo chinês
Enquanto o varejo chinês transforma o consumo em entretenimento digital, o brasileiro concentra esforços em entregar com eficiência, reduzindo falhas e garantindo prazos mesmo sob picos de demanda.
No Brasil, a vantagem competitiva está em:
- integração entre ERP, WMS e TMS, que aumenta produtividade em até 30%
- planejamento com mais de 30 dias de antecedência, que eleva a eficiência em até 50%
- uso crescente de IA para prever rotas, estoques e picos de pedidos
Já na China, a vantagem está em:
- engajamento massivo
- experiências digitais imersivas
- superapps que concentram todo o ciclo de compra
- personalização em escala nacional
Um desafio crescente para 2025
Com a digitalização acelerada, a diversificação dos canais e o uso intensivo de IA, a Black Friday 2025 deve ser uma das mais complexas da história do varejo brasileiro. As empresas que conseguirem unir automação, planejamento e análise de dados em tempo real estarão mais preparadas para absorver o crescimento previsto e competir em um cenário cada vez mais exigente.
Enquanto isso, o modelo chinês segue como referência global de inovação em experiência e engajamento — um contraste que mostra como diferentes mercados respondem de formas distintas ao mesmo desafio: conquistar o consumidor em um ambiente digital cada vez mais competitivo.
Como as maiores varejistas brasileiras estão se preparando para a data mais digital da história
A Black Friday 2025 promete ser a mais tecnológica, visual e integrada já vista no varejo brasileiro. Com projeção de R$ 5,4 bilhões em vendas, segundo a CNC, as gigantes do setor intensificam suas estratégias de marketing e vendas para conquistar um consumidor mais criterioso, omnicanal e altamente conectado.
1. Marketing mais visual e personalizado
Uma das grandes tendências deste ano é o uso massivo de conteúdos visuais e inteligência artificial nas campanhas. Uma pesquisa da Sinch mostra que 71% dos brasileiros se interessam mais por ofertas com imagens, muito acima da média global de 47%. Isso tem levado varejistas como Magazine Luiza, Via, Americanas e Mercado Livre a:
- Investir em vitrines digitais mais ricas e interativas
- Criar campanhas personalizadas com IA
- Utilizar chatbots inteligentes para recomendações de produtos
- Apostar em vídeos curtos e lives de demonstração
A personalização deixou de ser diferencial e virou regra: 56,6% dos consumidores brasileiros confiam em recomendações feitas por IA tanto quanto nas feitas por humanos.
2. Pagamentos como estratégia de conversão
O avanço do Pix por aproximação, carteiras digitais e autenticação biométrica transformou o checkout em um dos principais motores de conversão. Em setembro de 2025, o Pix bateu recorde com 290 milhões de transações em um único dia, movimentando R$ 164,8 bilhões.
As varejistas estão:
- Oferecendo cashback exclusivo para pagamentos via Pix
- Criando filas rápidas e incentivos para pagamentos instantâneos
- Integrando biometria para compras mais seguras e rápidas
Com 67% dos brasileiros usando Pix como principal meio de pagamento, a tendência é que ele seja dominante na Black Friday.
3. Estratégias omnichannel mais maduras
O varejo brasileiro chega a 2025 com uma operação omnichannel consolidada. As grandes redes estão:
- Expandindo o “compre online, retire na loja”
- Usando lojas físicas como hubs de distribuição
- Integrando estoques em tempo real
- Criando jornadas híbridas com atendimento humano + IA
O consumidor, mais racional e menos impulsivo, busca conveniência e transparência. A data, inclusive, está cada vez mais integrada ao calendário natalino, com campanhas que se estendem por semanas.
4. Consumidor mais exigente, varejo mais estratégico
Pesquisas mostram que o consumidor de 2025 está mais atento a preços, condições e reputação das marcas. A RCELL aponta que o varejo está otimista, mas consciente de que precisa entregar valor real, não apenas descontos superficiais.
As varejistas estão respondendo com:
- Monitoramento de preços em tempo real
- Ofertas personalizadas por comportamento
- Programas de fidelidade reforçados
- Transparência sobre histórico de preços
5. O papel crescente do B2B
Embora a Black Friday seja tradicionalmente B2C, empresas B2B também estão adotando estratégias específicas, com foco em:
- Renegociação de contratos
- Reposição de estoque
- Condições comerciais especiais
- Experiências omnicanal corporativas
A Black Friday 2025 marca a consolidação de um varejo brasileiro mais tecnológico, mais visual e mais centrado no consumidor. As maiores varejistas estão apostando em IA, pagamentos instantâneos, omnicanalidade e personalização profunda para competir em um cenário de consumidores exigentes e margens apertadas.