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Grandes eventos impulsionam economia e consolidam São Paulo como polo de consumo

Com impacto bilionário e geração de milhares de empregos, festivais como The Town e jogo da NFL revelam o potencial econômico e cultural da capital paulista — e reforçam a estabilidade do Brasil como destino estratégico para grandes produções

A realização de megaeventos em São Paulo tem se mostrado não apenas uma celebração cultural e esportiva, mas também uma poderosa alavanca econômica. Em um momento de relativa estabilidade macroeconômica, a capital paulista se consolida como vitrine global para grandes produções, atraindo investimentos, turistas e visibilidade internacional.

Do ponto de vista econômico, os números impressionam. O festival de música The Town 2025, que começa este fim de semana no Autódromo de Interlagos, deve movimentar cerca de R$ 2 bilhões na cidade, com público estimado em 500 mil pessoas e geração de 25 mil empregos diretos e indiretos

Já o São Paulo Game, partida oficial da NFL entre Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers, marcada para hoje, 5 de setembro, na Neo Química Arena, deve injetar mais de R$ 330 milhões na economia local, com expectativa de superar os resultados da edição anterior.

Esses eventos não apenas movimentam setores como turismo, alimentação, transporte e hospedagem, mas também exigem investimentos públicos em infraestrutura. 

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, informou que destinou mais de R$ 247 milhões em melhorias no Autódromo de Interlagos para receber o The Town. No caso da NFL, o impacto vai além do jogo: a edição de 2024 gerou 12.500 empregos e atraiu público internacional, com 11,5% dos espectadores vindos de fora do país.

Bruno Mars, atração do último festival The Town, em 2023

Megaeventos como termômetro da economia urbana

Segundo estudo do Instituto de Economia da Unicamp, os megaeventos esportivos e culturais funcionam como catalisadores de desenvolvimento urbano e econômico, mas exigem planejamento e transparência. Embora não sejam “panaceias” para problemas estruturais, podem gerar legados tangíveis e intangíveis — desde melhorias em infraestrutura até o fortalecimento da imagem internacional da cidade.

A análise acadêmica destaca que o sucesso desses eventos depende da capacidade de articulação entre setor público e privado, e da clareza na alocação de recursos. No caso de São Paulo, a recorrência de eventos de grande porte indica maturidade institucional e capacidade de absorção logística e econômica.


Brasil como mercado de consumo e destino estratégico

A realização de eventos como o The Town e a NFL em São Paulo também revela o Brasil como um mercado de consumo consolidado. Com mais de 36 milhões de fãs de futebol americano, o país possui a segunda maior base internacional da NFL, atrás apenas do México. 

No setor musical, o sucesso de festivais como Rock in Rio e The Town posiciona o Brasil como rota obrigatória para artistas globais.

Essa força de consumo, aliada à estabilidade institucional e à infraestrutura urbana, transforma o país em destino estratégico para grandes marcas e produções. Em tempos de retração em outros mercados, como os EUA e Europa, o Brasil surge como alternativa segura e lucrativa.


Análise GZM

A economia de São Paulo mostra-se resiliente e adaptável, capaz de transformar eventos culturais e esportivos em motores de crescimento. Mais do que entretenimento, esses megaeventos são indicadores da força da cidade como centro de consumo, inovação e projeção internacional. E, ao que tudo indica, o Brasil está pronto para jogar — e vencer — no palco global.

Para saber mais detalhes sobre a estratégia da NFL no Brasil, a GZM conversou com o Marcelo Paganini de Toledo, professor de Gestão e Marketing Esportivo no curso de Administração de Empresas da ESPM, que explorou a estartégia de expansão do esporte, algo que já se fazia na Europa, para outros mercados, como o México e, desde 2024, o Brasil. Confira:


GZM: Como a NFL conseguiu adaptar seu produto para o público brasileiro sem perder sua identidade global?

Marcelo Paganini de Toledo: A NFL foi inteligente: ela não adaptou o produto no sentido de mudar regras ou o espetáculo em si, mas sim na forma de se conectar, e isso acontece em todos os países onde atua, sempre respeitando a cultura local.  Trouxe shows, criou experiências de fã antes e depois do jogo, explorou o fato de ser um evento único, mas, ao mesmo tempo, manteve a essência: hino, cheerleaders, transmissão com narrativa norte-americana. Em resumo: não virou “futebol americano à brasileira”, virou NFL no Brasil. Global no formato, local na experiência.


GZM: Quais são os principais benefícios para marcas brasileiras ao se associarem a uma liga internacional como a NFL?

Marcelo Paganini de Toledo: A NFL entrega mídia premium, público jovem, conectado, disposto a gastar em experiências e uma nova geração ávida por novidades. Além disso, dá credibilidade global: a marca que está lá não é só mais uma patrocinadora, ela está num palco de nível mundial  e isso, certamente, vira uma diferenciação frente à concorrência.


GZM: Que desafios a NFL enfrenta ao atuar no Hemisfério Sul, especialmente em termos de calendário, logística e comportamento do consumidor?

Marcelo Paganini de Toledo: O desafio é enorme. Estamos no meio do nosso principal campeonato de futebol, com arenas sendo utilizadas de forma intensa e que precisam de várias alterações para o jogo existir. Além disso, a logística de levar times e equipamentos é cara e complexa. 

O comportamento do nosso torcedor também ainda está em construção, estamos aprendendo a torcer. Um exemplo típico: no futebol brasileiro, a gente grita quando o time está atacando; no futebol americano, eles gritam quando o time está defendendo, para atrapalhar a comunicação do adversário. O desafio é equilibrar calendário, custo e cultura de consumo esportivo.


GZM: A presença da NFL no Brasil pode influenciar o desenvolvimento de ligas nacionais de futebol americano?

Marcelo Paganini de Toledo: Pode sim. Hoje já temos a Confederação Brasileira de Futebol Americano, que organiza um campeonato com dezenas de times e milhares de praticantes. A presença da NFL aqui só vai ajudar, cada vez mais, no desenvolvimento de equipes e atletas.


GZM: Como a ampliação das transmissões pela TV Globo pode acelerar o crescimento da NFL no Brasil e atrair novos públicos?

Marcelo Paganini de Toledo: Quando a Globo entra no jogo, o patamar muda. Não estamos falando só de transmissão, mas de pauta em programas esportivos, menção no Fantástico, cobertura e audiência enormes. Isso tira a NFL da bolha de nicho e coloca na tela do brasileiro médio. É um efeito de escala: aumenta conhecimento, gera curiosidade e cria pontos de contato para quem nunca viu um jogo inteiro. É o tipo de mídia que acelera a curva de crescimento e de conhecimento da liga.

Marcelo Paganini de Toledo, professor de Gestão e Marketing Esportivo no curso de Administração de Empresas da ESPM: “Quando a Globo entra no jogo, o patamar muda“.

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