No coração da floresta, às margens de Belém, a Ilha do Combu foi palco de um dos eventos mais simbólicos da agenda paralela da COP30. No dia 13 de novembro, a ASSOBIO – Associação de Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia – realizou o “Vestir Amazônia, reflorestar o clima”, um levante criativo, político e sensorial que uniu moda, ancestralidade e justiça climática.
Idealizado pelo Grupo de Trabalho de Moda e Beleza da ASSOBIO, com direção criativa do estilista indígena Sioduhi e apoio da Riachuelo, o evento reuniu dois painéis temáticos e um desfile-manifesto inédito. A proposta: repensar os caminhos da moda a partir da floresta, com protagonismo de saberes tradicionais, inovação biomaterial e práticas regenerativas.
Desfile como manifesto
O ponto alto da programação foi o desfile-manifesto “Vestir Amazônia, reflorestar o clima – Desfile da ASSOBIO pelo Bem-viver”, que apresentou 25 looks de 15 marcas amazônicas e convidadas. Mais que uma passarela, a encenação foi um ritual de celebração e resistência, com trilha sonora ao vivo da cantora indígena Djuena Tikuna e participação de mestres da floresta em um dabucuri coletivo — cerimônia ancestral de troca e união.
“Vestir a Amazônia é propor outra moda possível que refloreste os corpos, os territórios e a imaginação”, afirmou Tainah Fagundes, empreendedora da Da Tribu e conselheira da ASSOBIO. “A floresta é fonte de beleza, saber, tecnologia, cuidado e design. Este desfile é um ato de futuro.”
Redes regenerativas e colaborações
Com curadoria de Sioduhi, o desfile reuniu criações de marcas como Igara Cestas, Seiva Amazon Design, Urucuna, Labb4, Nunghara Biojoias, Verobio, Bossapack, Yanciâ, Da Tribu e Tucum Brasil. Também participaram marcas de beleza e cosméticos naturais como Arborea Fitoterápicos, Koa, Tekohá, Moma, Oji e Dárvore.
A passarela contou ainda com colaborações especiais da Riachuelo e da Veja Shoes, além da presença de nomes reconhecidos da moda sustentável brasileira, como Day Molina (RJ), Flavia Aranha (SP) e Catarina Mina (CE).
Moda como ferramenta de transição climática
Antes do desfile, dois painéis realizados na Casa ComBio discutiram o papel da sociobioeconomia na moda, beleza e bem-estar. Os debates reuniram representantes de marcas como Veja, Positiv.a, Laces, Nalimo Atelier, Nunghara Biojoias e Sistema B, com mediação de Fê Simon, do Fashion Revolution.
“A ASSOBIO tem como missão fortalecer os ecossistemas da sociobioeconomia amazônica, e isso inclui, com muita relevância, os setores da moda, artesanato e beleza”, destacou Paulo Reis, presidente da associação. “Hoje, cerca de 30% dos negócios associados atuam nessas cadeias e têm papel essencial na regeneração econômica, cultural e ambiental da região.”
Amanda Santana, da marca Tucum, reforçou o compromisso coletivo: “Segundo nossa pesquisa, 95% dos negócios apontam o enfrentamento à crise climática como parte do seu propósito. Este desfile é expressão desse compromisso e um convite a repensar os sistemas de produção e consumo a partir do cuidado com a floresta”.
Apoio e impacto
A Riachuelo, apoiadora do evento, destacou sua atuação em projetos de sociobioeconomia na Caatinga e na Amazônia. “Entendemos a urgência de fomentar cadeias produtivas que protegem e regeneram nossos biomas”, afirmou Taciana Abreu, diretora de Sustentabilidade da marca. Ela citou a parceria com o povo Yawanawa, do Acre, para a produção de pulseiras sustentáveis vendidas em Belém e no e-commerce da empresa.
O evento teve apoio institucional da Riachuelo, Veja Shoes, Sistema B, Casa ComBio e produção executiva do Instituto Brasil Eco Fashion.